
Cecily von Ziegesar - It girl 4

Garota inesquecvel - Completo




Sinopse:

Ter uma colega de quarto na Waverly Academy significa noites em claro e o
dobro de roupas de grife no armrio. Mas Callie Vernon nunca gostou realmente das
conversas de final de noite ou de dividir sweaters de cashmere com Jenny Humphrey,
sua colega de quarto mais nova e de bochechas-rosadas. Ento, quando Jenny
roubou seu namorado, Easy Walsh, Callie no se sentiu culpada por ficar por perto e
beij-lo pelas costas de Jenny. Ok, talvez ela tenha se senitdo um pouco culpada, mas
certamente isso no a impediu de aproveitar. Agora, se Easy poderia parar de ficar to
irritantemente indeciso e dispensar Jenny de uma vez por todas!
Enquanto as duas colegas dividem um namorado, o resto do Dumbarton divide os
sentimentos no recm-criado clube Women of Waverly - mais conhecido como WOW!
Todas esto ligadas, dividindo seus segredos mais pessoais, e abraando suas
outrora rivais.
Mas apesar de todo o clima compartilhar--se-importar, h algumas coisas que estas
garotas no esto divulgando - tipo quem est fazendo passeios noturnos... e com
quem.
Agora  s uma questo de tempo at que todo o recm-descoberto girl power
exploda em uma macia girl fight. Mas esta batalha entre as parede de tijolos cobertos
de hera do Dumbarton -  sobre quem ser a prxima It Girl da Waverly.
Algumas pessoas esto acostumadas a pensar que esto to bem quanto as
pessoas ao redor. Eu sempre disse que estava melhor.
- Katharine Hepburn
1  Uma Waverly Owl sabe que coisas boas nem sempre acontecem para
aqueles que esperam. Na verdade, quem tem pacincia?
Jenny Humphrey saiu do Jameson House depois da aula de retratos e respirou o ar do
outono. Dois garotos alto e magricelas do ltimo ano, usando calas cargo e casacos
de abrigo da Waverly jogavam Frisbee em volta do gramado vioso. Eles pararam
quando ela passou, e Jenny se sentiu corando. Ela foi embora rpido, as folhas cadas
estalando sob suas sapatilhas-de-ballet de camura mostarda, desejando mais do que
qualquer coisa que estivesse descendo a Avenida Amsterdan com o pai para buscar
dois bolinhos amanteigados da padaria Vienesse na esquina do seu apartamento no
Upper West Side. Tudo o que ela queria era estar nas ruas de Manhattan, perdida
entre milhes de estrangeiros. Nenhum deles estaria olhando para ela e pensando, L
vai a garota que Easy Walsh vai dispensar.
Jenny puxou a bainha da sua mini-saia de l Anthropologie. Ela demorou um tempo a
mais para ficar pronta hoje, prevendo que veria Easy pela primeira vez desde a
desastrosa festa de sbado  noite, enquanto todas as garotas do Dumbarton estavam
supostamente na deteno. Ela vestiu uma meia-cala listradinha Wolford que faziam
suas pernas parecerem mais longas do que realmente eram e um casaquinho preto
RL que fazia seus peitos parecerem menores.. Mas, quando Easy no apareceu na
sala, o corao de Jenny afundou quando a Sra. Silver fechou a porta do estdio e o
cabelo cacheado quase preto de Easy no estava em lugar nenhum. O que isso
significava? Ele a estava evitando?
Ela no falou com Easy desde a terrvel revelao  durante o jogo do Eu Nunca na
noite da sbado  que ele levou Callie Vernon, sua insuportavelmente alta, magra e
linda colega de quarto que era ex-namorada dele para um jantar ntimo com o pai. Ele
no apenas no convidou Jenny, sua suposta namorada, ele sequer falou com ela a
respeito, embora meio-mundo parecesse saber. E a outra metade descobriu depois
que Tinsley A Encarnao do Mal Carmichael espalhou a novidade para um quarto
cheio de Waverly Owls alegres durante o jogo do Eu Nunca.
Easy mandou um e-mail para Jenny no sbado  noite, depois da festa desastrosa,
perguntando se ela queria conversar, mas ela respondeu que ela no estava pronta 
ela precisava entender o que diabos estava sentindo. Mas mesmo dizendo isso, ela
no pde evitar esperar que ele tentasse se esgueirar para v-la com as mos cheias
de flores do campo ou escorregasse uma de suas caricaturas na sua caixa de correio.
Ela no queria ser uma daquelas garotas que dizem exatamente o contrrio do que
querem, mas ainda assim - seria legal ver Easy tentar.
De repente, algo pontudo bateu na parte de trs do pescoo de Jenny, e ela se virou,
esperando ver um dos garotos do Frisbee indo na direo dela, se desculpando. Mas
em vez disso, um aviozinho de papel pousou numa pedra no caminho, prximo ao
seu p. Ela o pegou e abriu, seu corao saltando no peito, mas no havia nada
escrito nele.
Pss! Ela virou os olhos em direo ao grupo de vidoeiros a esquerda da Jameson
House. L, escondido entre as rvores, com a manga amarela atrs da orelha, estava
o garoto que ela no conseguia tirar da cabea. Os enormes olhos azuis escuros de
Easy olhavam nervosamente, enquanto ele gesticulava para ela.
Jenny se arrastou lentamente na direo dele, a viso de Easy sentado a luz de velas
numa mesa de jantar com Callie e o pai, conversando e rindo, invadia seu crebro. Ela
comeou a se sentir enjoada e tentou substituir a imagem com a lembrana do
domingo, quando ela ficou na sala comunal do Dumbarton com Brett, Kara e
surpreendentemente, Callie. Elas reclamaram dos garotos  nenhum em especial,
apenas no geral. Parece que eles ficam balanando em rvores, alcanando suas
bananas, disse Callie, e ento todas fizeram barulho de macacos o resto da noite.
Agora, vendo Easy entre as folhas, Jenny teve que suprimir um ooooh ooooh eeeeee
eeeee!
Oi, ela disse.
O sorriso de Easy se desmanchou, como se ele esperasse um cumprimento amistoso,
e Jenny se sentiu amolecendo. Por que voc est escondido nos arbustos? Ela
levantou uma sobrancelha.
Ele saiu do meio das rvores, olhando em volta. Easy estava usando uma camisa de
rugby da Waverly coberto de manchas de grama, e os seus olhos normalmente
brilhantes estavam um pouco injetados, como se ele no tivesse dormido bem. Bem,
era justo que ele tivesse problemas para dormir  ela passou as ltimas trs noites
revivendo o que aconteceu, vises do alto e lindo Easy e da alta e linda Callie
contaminando seu crebro.
No quero que a Sra. Silver me veja. Ele esfregou uma mo nos olhos Eu disse a
ela que estava doente.
Ento porque est aqui? Jenny deixou escapar.
Os olhos azul escuros de Easy nublaram. Eu... no sei. Eu acho que eu queria falar
com voc.
 Oh. Jenny revirou a bolsa atrs do seu culos de sol aviador sem marca que ela
comprou numa rua em SoHo antes do incio das aulas. Estava nublado, mas ela no
queria que Easy fosse capaz de ver exatamente o que ela estava pensando. Seu
irmo, Dan, costumava dizer que seu rosto era to difcil de ler quanto um semforo.
Depois de praguejar por causa da bolsa desorganizada, ela parou de procurar, no
querendo encontrar um absorvente ou algo igualmente embaraoso. Em vez disso, ela
sombreou os olhos como se olhasse para cima. Quer me acompanhar de volta ao
dormitrio? Eu tenho que me aprontar para a prtica. Ele concordou lentamente e
eles viraram na direo do Dumbarton.
Eles caminharam lado a lado pelo caminho de pedras, os gritos dos alunos praticando
esportes ao longe cruzava o ar frio do outono. Eles ficaram em silncio por alguns
minutos e Jenny ficou terrivelmente consciente do espao enorme entre eles. Easy
caminhava fora de seu alcance e Jenny no tinha a menor idia do que ele estava
pensando. Ela queria se virar e jog-lo numa pilha de folhas, mas ela simplesmente...
no podia. Ela comeou a cavar na bolsa de novo, finalmente encontrando os culos.
Ela o soltou do chaveiro de coruja que ela comprou em uma lojinha em Rhinecliff que
vende todas as coisas da Waverly e escorregou os culos pelo rosto.
Um grupo de garotas de mini-saia e meia colegial saram da biblioteca e os encararam
quando eles passaram. Toda a Waverly comentava a respeito das revelaes do jogo
do Eu Nunca no sbado  noite  houve a virgindade desmascarada de Tinsley e Brett
para discutir, isso sem mencionar a revelao de que Jeremiah Mortimer, o namorado
de longa data de Brett, infelizmente no era mais virgem, e nem a garota loira da St.
Lucius que misteriosamente o havia seguido at o Dumbarton. E obviamente, havia o
fato de que Easy Walsh havia sado furtivamente para um encontro com Callie Vernon
sem Jenny saber. O fato de Alison Quentin e Alan St. Girard terem ficado na festa
parecia totalmente banal se comparado e colocado l embaixo na lista de fofocas da
Waverly, embora ficadas costumem ficar no topo da lista.
Easy arrastou os ps enquanto eles caminhavam. Eu s... queria me desculpar. De
novo.
Jenny suspirou. Ela sabia que ele sentia muito. Mas isso no significava nada. Sentia
muito o que? Que ele tenha levado Callie para sair para jantar? Que ele a havia
magoado e humilhado? Que ele estragou completamente as coisas entre eles?
Ou ele sentia muito porque ele sabia que ia terminar com ela?
Jenny parou. Ela ouviu por acaso quando algumas garotas da aula de Ingls
comentaram que iriam colher mas no final de semana, e Jenny no pde evitar de
ser imaginar ali com Easy, suas mos em sua cintura enquanto ela procurava pela
mais alta e mais perfeita ma que ela poderia encontrar e ento arrancando-a da
rvore. Ela nunca havia colhido mas, mas isso pareceu to idlico. Ela se perguntou
se agora eles teriam alguma possibilidade de ir. Ou se em vez disso ele levaria Callie.
Ela era to alta que ele no precisaria ajud-la a procurar a estpida ma.
 Eu acho que eu estou confusa. Jenny encarou a gramado. Porque voc quis ir
jantar com Callie? ela finalmente perguntou, se perguntando se Easy podia ter
sentimentos pelas duas ao mesmo tempo. Talvez, mas Jenny no queria ser uma das
garotas que Easy amava. Ela queria ser a garota que Easy amava.
No  que eu quis ir. Easy voltou a olhar para ela, e ela ficou feliz por ter encontrado
os culos.  s que parecia mais fcil assim. Ele se abaixou e agarrou um punhado
de folhas secas do cho, ento abriu a mo e as deixou cair de volta no gramado. Ela
esperou que ele dissesse algo mais, mas ele no disse.
Essa no era a resposta que ela queria ouvir  embora ela no tivesse a menor idia
de que resposta poderia deixar as coisas melhores. Talvez no houvesse uma. Ela
olhou para os brilhantes carvalhos laranja atrs de Easy, evitando os olhos dele. Eu
realmente no sei o que dizer. Eu acho que eu preciso de um tempo para entender as
coisas. Ela mordeu o lbio com gloss Stila. Talvez voc tambm esteja precisando
entender as coisas.
Ela segurou a respirao, esperando que ele dissesse que no precisava entender
coisa alguma. Que era por ela que ele era louco, e no importa o quanto pensasse
nada mudaria isso. Que ele sentia muito e que estaria bem ali esperando por ela
enquanto ela colocava os sentimentos em ordem. Diga.
Mas Easy apenas balanou a cabea lentamente, as mos enterradas no fundo dos
bolsos do jeans Levi's desbotado e sujo de tinta. Ok, disse ele num meio-sussurro.
Jenny se endireitou. Deixou sai ro ar que estava segurando, se sentindo
repentinamente... vazia. Ok. Vejo voc depois, ento. Sua voz soou muito mais fria
do que ela pretendia, ento ela tentou suavizar. No falta  aula de arte na sexta.
Voc sabe que a Sra. Silver te adora.
Easy sorriu. Ela podia ver o n no pomo-de-Ado dele. Havia um vestgio de barba
embaixo do seu queixo que parecia ter sido esquecido, e Jenny lutou contra o impulso
de se inclinar e beij-lo naquele momento, bem ali. Talvez se ela tivesse feito isso,
pudesse fazer as coisas voltarem e ser do jeito que eram antes, antes da festa
estpida, antes do jantar estpido, antes das coisas terem sado do rumo.
Mas ele j estava caminhando de volta, se afastando dela, atravs do gramado.
Certo. Ele bateu dois dedos da sua mo direita na testa em uma saudao
zombeteira. Eu... uh... at mais ento.
Jenny se voltou na direo dos dormitrios, evitando olhar para trs. O que
exatamente aconteceu? Estava tudo... acabado? Lgrimas saltaram de seus olhos,
mas ela as engoliu rpido e tentou pensar em coisas alegres: bolinhos salpicados de
chocolate da padaria Vienesse; liquidaes da Barneys; dias chuvosos acompanhados
de um romance de Nancy Drew; os tijolos cobertos de hera nas construes em volta.
Mas pensamentos alegres no eram suficientes para apagar o que ela sentia. Easy
era tudo que ela sempre quis em um namorado  ela se sentia to impossivelmente
sortuda por ele gostar dela. Mas talvez fosse exatamente isso. Talvez fosse
impossvel.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
De: JeremiahMortimer@stlucius.edu
Para:BrettMesserschmidt@waverly.edu
Data: : Tera-feira,8 de outubro, 14h08
Assunto: Por favor no exclua
Baby, por favor, atenda o telefone... ou me deixe ir v-la? Eu preciso falar explicar 
Eu preciso falar com voc, pessoalmente. Eu sinto muito, muito mesmo. O que eu fiz
foi  bom, foi o maior erro da minha vida. E pra um cara como eu, voc sabe que isso
significa muito.
Brincadeira. Mas por favor. Me liga
Isso est me matando. Por favor.
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
HeathFerro:Hey, sexy. Quer vir aqui e estudar para a prova de bio?
KaraWhalen: Uh... Eu no estou em bio.
HeathFerro: Oh. Bom, que tal voc vir aqui e ns encontramos algo para fazer?
KaraWhalen:  uma oferta muito galante, mas eu realmente havia planejado um dia
de estudo. Talvez outro dia.
HeathFerro: Srio?
KaraWhalen: No.
2 - WAVERLY OWLS SABEM QUE PSSAROS DA MESMA ESPCIE VOAM
JUNTOS
"Como  que todas as mulheres daqui tem peitos gigantes?" Brett Messerschmidt
perguntou enquanto virava as pginas de um dos quadrinhos X-Men de Kara. Ela
afastou dos olhos uma mecha de cabelo vermelho da altura do queixo. " da que elas
tiram seus superpoderes ou algo assim?"
As duas garotas estavam deitadas de bruos no edredom fcsia sedoso de estampa
indiana de Brett, folheando atravs de uma pilha de gibis de Kara. O laboratrio de
qumica havia terminado mais cedo, por causa de uma "experincia" dos nerds que
esto sempre juntos na biblioteca que acabou terminando em uma pequena exploso -
e Brett e Kara planejavam usar o tempo para estudar para a prova do meio do
semestre. Seu professor, o Sr. Shaw, odiava sua vida e mantinha um relatrio de
todas as vezes que fez um aluno chorar, ento a prova seria praticamente impossvel.
Mas seu plano de estudos durou trs minutos,at Brett ligar o seu stereo e pedir para
Kara trazer alguns gibis. Felizmente, Tinsley tinha uma aula de final de tarde nas
teras, ento elas tinham o quarto todo s para elas. Brett chegou ao ponto de
memorizar os horrios de Tinsley e tirava vantagem do tempo que a colega de olhos
violetas e eternamente rancorosa no estava por perto.
"Eu no sei." Kara admitiu. "Muitos desenhistas homens, eu acho."
"Tpico." Brett ainda estava completamente rancorosa em relao ao que aconteceu
com Jeremiah. Eles haviam terminado por uma semana e ele simplesmente dormiu
com outra. Para ser sincera, ela terminou com ele. Mas pelo menos ela conseguiu
manter as calas no lugar - mais ou menos - e isso  mais do que ela pode dizer a
respeito dele. "Garotos. Tudo que importa para eles  peitos, peitos, peitos."
Ela j havia dito a ele que estava tudo terminado. Vrios e-mails argumentando
chegaram na caixa de entrada dela, pedindo para conversar, mas ela os excluiu sem
sequer abri-los. Se ele queria ficar com ela, bem, ele teria de encontrar uma forma de
voltar no tempo e desfazer o que fez com aquela vadia hippie, Elizabeth. Talvez ele
tenha esse superpoder.
"Voc devia se livrar de todo esse rancor que sente pelo Jeremiah," Kara avisou, como
se ela pudesse ler a mente de Brett. Ela enrolou uma mecha de seu cabelo liso cor-de-
mel no indicador. "Ou isso vai devor-la por dentro."
Brett olhou para ela surpresa, mais uma vez espantada que at cinco dias atrs ela
sequer sabia o nome de Kara. Ela costumava ser a Dama de Preto que morava no
quarto prximo ao armrio de vassouras e estava em algumas de suas aulas. Ento,
depois que Tinsley apareceu na festa de sbado usando um vestido sexy de Kara
direto do armrio cheio de roupas desenhadas pela me estilista, Kara passou de
discreta ningum para garota cool. Garota cool que jogou uma caneca da Waverly
cheia de cerveja quente na cara srdida de Heath Ferro, Brett lembrou a si mesma. E
agora, aqui estavam elas: Kara deitada na cama de Brett perto dela, usando uma
camisa de babados e bolinhas preta e branca e um casaquinho branco ajustado,
ouvindo msica dos anos 80 e examinando o corpo de super heronas. Que diferena
alguns dias podem fazer.
"Eu no consigo evitar," Brett admitiu, girando os anis de ouro-rosa em volta dos
dedos. "Eu s estou to... furiosa com ele."
"Voc sabe, quando voc pensa nele, seu rosto fica quase da mesma cor do seu
cabelo." Kara riu enquanto virava de costas. Os cantos de seus grandes olhos
castanho-esverdeados estavam destacados com um leve toque da sombra Urban
Decay Twice Baked de Brett. Ela estava bonita - como se ela no temesse mais ser
notada pelas pessoas.
"Falando nisso..." Brett puxou uma mecha do cabelo brilhoso e examinou. Era
praticamente da mesma cor que as suas unhas recm manicuradas com Bourjois
Code Red. "Minhas razes esto aparecendo  Eu estou meio que precisando de uma
colorao. Eu estava pensando em deix-lo um pouco menos vermelho dessa vez."
Quando seu colorista Jacques errou pela primeira vez e usou um vermelho bombeiro
ao invs do vermelho cenoura, Brett ficou horrorizada, preocupada que todos
comeassem a cham-la Crayola ou Muppet ou qualquer coisa. Mas agora ela tinha
se acostumado a sua tintura meio punk-rock, mesmo que isso a destacasse entre
todas as suas colegas naturalmente-loiras ou morenas-de-grife.
"Definitivamente no." Kara inclinou sua cabea cor-de-mel, sacudindo lentamente.
"Ningum na Waverly tem um cabelo como o seu. Voc parece a Jean Grey." Ela
folheou um dos gibis de X-Men, procurando por um desenho, e ento ela a segurou no
alto para Brett ver.
"Oh. Quando voc coloca dessa forma..." Brett riu. Pensar que algo a fazia nica fazia
ela se sentir melhor. No uma atrao de freak-show ou a garota-estranha-de-New-
Jersey, mas a garota-cool-com-o-cabelo-vermelho-legal. Ela correu a mo pelo couro
cabeludo, despenteando o cabelo para esconder as razes escuras. "Voc sabe, ns
tinhamos uma reunio do Comit Disciplinar durante o almoo, sobre aquele caso
envolvendo os membros do - olha isso - Clube de Competio de Comilana.
"O qu?" Kara sentou, jogando a cabea de forma que seus cabelos caram em seus
ombros. Mechas finas emoldurando seu rosto. "Que diabos  isso?"
"Voc sabe.  tipo, eles se reunem e veem quantos cachorros-quentes conseguem
comer em dez minutos." Brett sentou tambm e virou na direo de Kara. "Aqueles
dois calouros - provavelmente os nicos dois membros  foram pegos roubando
quatro quilos de cachorros-quentes crus do freezer da cozinha depois do jantar
semana passada." Kara ergueu as sobrancelhas com descrena. "Eles se defendem
alegando que estavam 'reunindo material para as atividades do clube'," Brett fez aspas
no ar com os dedos longos, "e que resolveram apelar para mtodos obscuros porque
no receberam nenhum incentivo." Ela revirou os olhos. "Todos do sexo masculino
sofrem da incapacidade de ver alm dos impulsos fsicos? "
Kara se inclinou para trs nos cotovelos e encolheu seus pequenos ombros. "Bem,
eles so calouros." O gibi escorregou da beira da cama e caiu fazendo barulho no
cho de madeira dura prximo a pilha arrumada de cadernos de Brett's. Brett e Tinsley
colocaram suas camas em lados opostos do quarto 121 do Dumbarton quando se
mudaram, mas ainda assim no era suficiente.
"Sim, mas mais importante, eles so homens - o que significa que eles s pensam em
satisfao imediata, sem se preocupar com o futuro. Eu quero dizer, olha s  que tal
Easy?" Brett perguntou de repente, levantando para abrir os botes de seus jeans
cigarette Citizens of Humanity. "Ele certamente sofre do mesmo mal. Eu ainda no
consigo acreditar que ele levou Callie para jantar com o pai em vez da Jenny."
Kara mordeu o lbio rosa ChapSticked. "Eu vi Jenny no estdio noite passada. Ela
parecia to... triste." Ela agarrou sua garrafa Dasani de cima do criado-mudo de Brett e
tomou um longo gole. "Voc acha que ela vai ficar totalmente arrasada?"
"Voc acha que Easy e Callie esto juntos?" Brett encolheu os ombros. Ela
honestamente no sabia. Isso era estranho. Ela costumava ver Easy e Callie como um
casal - eles eram praticamente inseparveis durante o segundo ano - que era estranho
de repente v-lo com outra pessoa. Mas ento, para sua surpresa, ela rapidamente se
acostumou. Easy sempre pareceu to... legal com Callie. Algo em relao a Easy e
Jenny juntos havia quase parecido natural, como se duas almas artsticas, de mesma
opinio, tivessem se encontrado. No que Brett ainda acreditasse exatamente em
romantismo.
Ento novamente, se Easy estava prestes a dispensar Jenny, talvez ele no fosse to
legal quanto ela pensava.
"Jenny  mais forte do que parece," Brett finalmente respondeu, surpreendendo a si
mesma. Ela alacanou a tocou com os dedos as argolas douradas no topo de sua
orelha esquerda. Ela sempre foi paranica em relao s suas orelhas serem como
orelhas de elfo, e esperava que os brincos distraissem as pessoas.
Kara concordou e fez movimentos com as bochechas, imitando um peixinho, fazendo
Brett rir. "Garotos realmente so um p-no-saco, no so?"
"Srio. Porque no podemos simplesmente pegar o boletim, como, anos atrs?" Brett
agarrou um de seus travesseiros de pena de ganso da sua cama e comeou a
amass-los com os dedos. No havia nada especialmente profundo na delarao de
Kara, mas ela fez a mente de Brett comear a funcionar. Garotos so mesmo um p-
no-saco. Porque ela sentia que era a ltima a saber? "Se pode haver um clube bizarro
na Waverly dedicado a enfiar o mximo de comida possvel pela garganta , podia ter
um, tipo, clube dos Caras-P-No-Saco  ns poderamos alertar as outras antes que
fosse tarde."
Kara ergueu com ceticismo a sobrancelha fina e castanha, correndo a palma pelo
gargalo de sua garrafa.
"Hey, Eu posso fazer isso." Brett arremessou o travesseiro enftica, e ele aterrissou no
edredom macio sem um nico som. Ento ela saltou da cama, indo em direo a seu
iBook branco na mesa. "Um lugar para ns ficarmos juntas e falarmos, e apoiarmos
umas s outras..." ela continuou, a idia tomando forma na sua cabea. Seria tipo a
que Tinsley originalmente props para o seu Caf Society, se bem que ele logo se
tornou uma desculpa para beber, fazer coisas estpidas, e excluir o mximo de
pessoas possvel. Brett sentou em sua mesa. "Ns podiamos ter um pouquinho de
esprito de irmandade por aqui, o que acha?"
Kara balanou a cabea concordando. "Realmente, eu acho que essa  uma idia
brilhante. Porque ns no fazemos um convite e enviamos?"
Brett sorriu para a nova amiga antes de abrir o iBook. Por mais que ela odiasse admitir
que ela guardasse algum rancor de Tinsley, a idea de que ela ia comear um clube
mais significativo que o superficial, rancoroso e excessivamente sexual Caf Society
lhe deu uma emoo a mais. Ela sentiu seus olhos verdes cintilarem maldosamente
enquanto ela apertava o boto Power do seu laptop.. "Concordo. Mas antes de
mandarmos qualquer coisa, precisamos decidir quem vai estar na lista de convidadas."
E ela sabia de uma colega de quarto que no estaria nela.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
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De: BrettMesserschmidt@waverly.edu
Para: Destinatrio Oculto
Data: Tera-feira, 8 de outubro, 15h05
Assunto: Women of Waverly
Saudaes, estimadas colegas
Algumas de ns decidiram estabelecer o clube Women of Waverly (WoW!) para
reforar o sentimento de irmandade no campus. No queremos nada muito formal ou
ritualstico ou nada disso (sem bodes, por favor), mas um lugar onde as garotas da
Waverly possam se reunir e discutir qualquer questo ou assunto que possamos
enfrentar no campus. Sexo, amor, drogas, idiotas que se auto-denominam homens 
qualquer coisa que vocs queiram est valendo.
O primeiro encontro oficial ser hoje  noite s 20h no trio e est aberto a qualquer
membro da comunidade da Waverly que seja do sexo feminino. A copa ir
providenciar petiscos e bebidas.
Poder do Estrognio,
Xo
Brett Messerschmidt
Representante da turma
OwlNet -------------- Caixa de Mensagem Instantnea
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JulianMcCafferty: Cara, exatamente onde no Hopkins Hall eu posso encontrar a sala
de projeo do Cinephiles? Eu nunca estive l antes.
HeathFerro: Pergunta curiosa. Antes que eu possa entregar algo, vou precisar saber
o porqu.
JulianMcCafferty: Nada especial, Ferro. Apenas interessado em participar.
HeathFerro: Fica no poro, seu bundo.
JulianMcCafferty: Obrigada. Voc  realmente um amor.
HeathFerro: Beijos
3 - UMA CORUJA ESPERTA APROVEITA OS EXTRAORDINRIOS RECURSOS
QUE A WAVERLY OFERECE
Tinsley Carmichael se demorou na sala de projeo no poro do Hopkins Hall depois
que o Signor Giraldi liberou a turma de Italiano Avaado. Eles haviam assistido La
Strada de Fellini  muito melhor do que sentar em uma velha sala de aula chata e
assistir as bolhas de saliva saindo da boca do Signor Giraldi enquanto ele conjuga os
verbos em italiano. Havia algo em relao a assistir filmes antigos, especialmente
filmes antigos estrangeiros, no escuro, sentados nos assentos de couro reclinveis da
sala de projeo, que fazia o pulso de Tinsley acelerar. Salas de cinema eram to
sexy. Ela estava pronta para atacar algum. Algum muito especfico, na verdade.
Eu posso fech-la, Signor, Tinsley ronronou enquanto os outros saiam da sala e o
Signor Giraldi tentava aparentar no ter dormido durante as duas horas do filme. Eu
estava planejando algo para o encontro do Cinephiles desta semana, se o senhor no
se importar. Eu posso trancar a porta.
Signor Giraldi olhou para o relgio. Os boatos diziam que ele e a esposa, que morava
no Thompson Hall, um dos dormitrios de garotas, tinham um encontro marcado todas
as tarde, pontualmente s 15h30  o que era timo para seus alunos de tera a tarde,
j que ele sempre os deixava ir um pouco mais cedo. Grazie, Signorina Carmichael.
Signor Giraldi sorriu distraidamente para ela antes de sair rapidamente pela porta.
Aparentemente, filmes italianos em preto-e-branco tambm o deixam ligado.
No segundo em que ficou sozinha, Tinsley escureceu as luzes novamente e apoiou
suas botas de couro marrom e salto alto Isabela Fiore no brao da cadeira na frente
dela. Ela ajeitou a bainha do seu minivestido de mohair laranja-queimado mais pra
cima na coxa. Com o cabelo escuro e grosso perfeitamente dividido no meio da
cabea caindo em uma cortina lisa em volta do seu rosto, ela se sentia como uma go-
go girl muito sexy da dcada de 70. Ela fechou os olhos e esperou por Julian.
A porta  prova de som rangeu ao abrir atrs dela. Hey. Tinsley manteve as
plpebras fechadas. Seu corao batendo ansiosamente no peito. Fazia trs dias
desde que eles estiveram sozinhos. Noite passada no jantar, eles se sentaram frente a
frente, em uma mesa cheia com seus amigos, e embora Tinsley pudesse sentir o olhar
fixo de Julian no seu rosto, ela se recusou a trat-lo de forma diferente dos outros
garotos. O que significa que ela flertou com ele, mas apenas do mesmo jeito que fez
com os outros. Toda a situao a fazia sentir como Lily Bart, a namoradeira assumida
de The House of Mirh, um livro que ela leu pela primeira vez aos treze anos e desde
ento releu todo vero. Ela podia jurar que Julian havia ficado desapontado, mas era
assim que tinha que ser. Ela no podia deixar o campus inteiro saber que ela estava
com um calouro.
Tinsley se revirou no assento. Dez segundos haviam se passado desde que a porta
rangeu. E se no era ele? Seus olhos se abriram.
Ah! ela chiou. Julian estava parado a dois passos, apoiado na cadeira na frente dela,
encarando seu rosto. Jesus! Voc me assustou. Arrepios percorreram sua espinha.
Ela odiava ser surpreendida  quase tanto quanto gostava.
Desculpe, m'lady. Julian estendeu a mo esquerda que estava nas costas, revelando
uma nica florzinha rosa-e-branca. Para voc.
Tinsley polidamente cheirou a flor, tentando no parecer impressionada. Na verdade,
ela adorava quando os garotos lhe traziam coisas. No ano passado, Bradley
Alexander, um jogador de lacrosse, ouviu falar da preferncia que Tinsley tinha por
doces e tentou cortej-la com doces, encarregando as outras garotas do Dumbarton
de deixar pacotes de Swedish Fish* na sua porta e colocava caixinhas de chocolate
Lady Godiva na sua caixa de correio todos os dias. Era divertido ser coberta de
ateno, mas Tinsley s pode comer tantos doces at comear a inchar.
(*N.T. Swedish Fish  um tipo de bala de goma gelatinosa em formato de peixe.)
Obrigada, ela disse, pegando a flor de Julian e a colocando atrs da orelha.
Julian correu as mos pelo encosto das cadeiras de couro, mas manteve seus olhos
em Tinsley. Ele vestia um Abercrombie azul listrado com as mangas enroladas apenas
cobrindo os cotovelos e um jeans baggy True Religion que estava sujo de grama nos
joelhos. Isso  impressionante. Nossa sala de cinema particular.
Tinsley se levantou devagar e deu um passo na direo dele. Ela podia sentir o calor
irradiando de seu corpo. Voc quer dizer, minha sala de cinema particular, ela
ronronou, sem toc-lo. Ele parecia ligeiramente suado, e Tinsley sabia que seus lbios
teriam um sabor salgado e viril. Mas ela ainda no estava pronta.
Ele tentou colocar as mos na cintura dela, mas Tinsley se esquivou. Sente-se. Fique
confortvel, ela ordenou com a voz abafada.
Julian obedeceu, afundando no assento de onde Tinsley havia acabado de levantar.
Alguns garotos tinham a necessidade de tentar mud-la, mas o que ela gostava em
Julian era que ele obedecia as suas regras.
E ela planejava recompens-lo por isso. Uma vez que Julian estava sentado, Tinsley
pousou cuidadosamente no brao direito de sua cadeira, esticando as pernas sobre o
encosto, os saltos da bota enfiados embaixo do brao esquerdo da poltrona.
Eu vi voc saindo do Stansfield com a Benny hoje. Aquelas botas, ele disse,
gemendo. Ele sacudiu a cabea e passou os dedos pelo cano da bota antes decorrer
as mos lentamente para o joelho de Tinsley, apertando gentilmente. Ela riu antes de
afastar a mo dele.
Julian fingiu estar ofendido. Voc me tortura com os seus textos sexies todo dia, usa
essa roupa insanamente sexy, me arrasta para o seu lugar secreto, e agora voc
sequer me deixa toc-la? Julian deitou a cabea para trs, o rosto lindo com uma
expresso de dor. Voc tem que me dar algo.
"Voc no parecia muito torturado no almoo, quando estava conversando com Celine
Colista." Ela escorregou pelo brao da poltrona na direo de Julian at estar
praticamente tocando ele.
Julian deu uma risada profunda, grave. "Ento  isso? Eu estou sendo punido por ser
amigvel?"
Ela gostaria de poder dizer que estava brincando. Como se ela nunca tivesse se
preocupado em algum gostar mais da gordinha Celine do que dela. " isso. Voc foi
muito, muito mau."
Julian gemeu de novo enquanto Tinsley passava as unhas por dentro do seu
colarinho, claramente aproveitando a sensao das unhas no seu pescoo. Ela se
inclinou na direo dele com uma lentido deliberada, seus lbios avanando na
direo dele, um milisegundo de cada vez. Quando ela estava a dois centmetros de
distncia, perto o suficiente para ver as fascas douradas na ris dele, Julian se inclinou
para frente abruptamente e pressionou os lbios contra os dela. Um calafrio correu
pelo corpo dela - os lbios dele realmente estavam salgados - e ela escorregou do
brao da cadeira e do encosto.
"Eu tenho que ir para o treino," ela disse sem ar. Ela no estava realmente to
preocupada com a treino quanto em ficar longe de Julian. Algo em se sentir to
confortvel com um garoto a deixava em pnico.
Os braos longos dele a envolveram "Voc est me matando. Eu pensei que ns
fossemos assistir um filme - tipo Casablanca, fingindo que estvamos abandonados no
deserto..." Ele a beijou gentilmente na clavcula. "Eu gosto desta pinta," ele disse antes
de beij-la de novo.
Rapidamente, Tinsley arrancou a si mesma dos braos dele e se levantou, alisando a
bainha do vestido. Respire fundo. Ele no  Humphrey Bogart, e voc no  Ingrid
Bergman. Ele  o seu brinquedinho, e o tempo dele est acabando.
"Voc quer me encontrar hoje a noite no Waxwell? Tomar um caf? Ficar juntos em
algum quarto escuro?" Julian sorriu e ficou em p devagar.
"Julian," Tinsley repreendeu, correndo os dedos pelo cabelo, "temos que ser discretos.
Ns no podemos simplesmente aparecer em um lugar e ficar juntos."
"Bem, e se eu viesse at voc? No escuro?" Julian comeou a revirar os bolsos em
busca de algo. Ele tirou um Zippo prateado com as iniciais JPM e estendeu para ela.
"Pegue isso. Depois que escurecer, eu vou ficar olhando a sua janela. Acenda trs
vezes e eu saberei que  seguro ir at l."
Tinsley riu e encarou o isqueiro na mo dele. Isso era tosco, claro, mas tambm era
incrivelmente adorvel. Ela pegou o isqueiro da mo dele.
"S no seja visto," ela avisou enquanto caminhava lentamente em direo a porta.
"Eu vou usar minha capa de invisibilidade, prometo." Julian colocou a mo no peito em
uma promessa zombeteira.
Tinsley parou na porta e abriu o isqueiro, acendendo-o algumas vezes. Ela deu a
Julian o seus olhar mais ardente, ento girou sobre os saltos e desapareceu.
Sempre os deixe querendo mais
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BennyCunningham: Alerta: eu vi o Sr. Kentucky e Betty Boobs conversando na
quadra hoje, parecendo nada amistosos.
HeathFerro: Acho que a lua-de-mel acabou! Acha que ele vai voltar com a "Senhorita
Pssegos da Georgia"?
BennyCunningham: Acho que no. Callie no  do tipo que perdoa e esquece to
rpido. mas com certeza eu saberei disso hoje a noite no encontro da Women of
Waverly.
HeathFerro: O que diabos  isso?
BennyCunningham: Desculpa Heathie. Exclusivo para meninas.
HeathFerro: Mas isso  exatamente meu tipo favorito de encontro!
4 - QUANDO TEM DVIDAS, UM WAVERLY OWL SABE CONSULTAR O LIVRO
DE REGRAS.
Brandon Buchanan apanhou uma t-shirt Lacoste de jersei recm-lavada da gaveta do
seu armrio, antes de parar para examinar o bceps no espelho de corpo inteiro de
Heath Ferro. Ele vinha fazendo mais srie de musculao desde que Julian entrou pro
time de squash e ele se descobriu tendo que trabalhar mais pesado no treino, se
mover mais rpido, reagir mais devagar. Ele no ia deixar um calouro tirar o seu posto
de estrela do time. Nas ltimas trs semanas, ele ficou no Lasell depois do treino e
passou uma hora extra com os pesos. Isso o estava chateando imensamente, e os
msculos doiam no dia seguinte, mas ele tinha certeza que estava comeando a ver
resultados.
E ele estava certo que Elizabeth tambm notou, a garota divertida da St. Lucius que
apareceu na festa no Dumbarton tentando encontrar Jeremiah e acabou passando
todo o tempo com Brandon. Elizabeth, com sua jaqueta de couro e seus sapatos
estranhos, e que Brandon no conseguia parar de pensar. Em um certo momento na
noite de sbado, enquanto estavam juntos nos tneis escuros do campus, ela apertou
o bceps dele e sussurrou no ouvido dele, a respirao quente no rosto dele, "Legal."
Brandon concluiu que ela estava falando dos seus msculos, e no de seu
desodorante Hugo Boss, embora ele possa ter se enganado. Elizabeth era uma
daquela garotas que pareciam insanamente imprevisveis - mesmo para uma garota.
O que  parte do motivo de ser to divertido pensar nela. Ela no era como todas as
garotas ansiosas da Waverly. Ele no fazia a menor idia do que ela estava fazendo
naquele momento - ela estava em aula? Talvez ela estivesse de volta ao quarto e
danasse em volta do KT Tunstall usando apenas a lingerie. Ele estava
agradavelmente distrado pensando nela desde que ela subiu na sua Vespa verde-mar
e ele viu seus faris traseiros desaparecerem na escurido enquanto ela voltava para
a St. Lucius. Quando voltou para o quarto, Brandon ficou agradecido ao ver que Heath
ainda estava fora - ele provavelmente havia coagido alguma pobre garota do
Dumbarton a deix-lo dormir na sua cama porque "ele precisa de algum para segurar
a mo." Brandon foi capaz de ficar acordado pensando no perfume de Elizabeth - algo
natural e ctrico - em vez do esmagador cheiro do ego de Heath Ferro.
Ele havia esperado alguns dia para procur-la porque ele sabia muito bem que as
garotas facilmente fugiam ao captar aquela vibrao de ansiedade. Mas agora a
espera estava acabada. Ele escorregou o seu Bluetooth na orelha e deu mais uma
olhada no espelho para dar sorte, mas antes que pudesse ligar para o nmero de
Elizabeth a porta se abriu a Heath entrou furiosamente, arfando.
Brandon rapidamente foi para longe do espelho, esperando pelo inevitvel "O que
voc est fazendo? Se agarrando com voc mesmo?" ou "Isso no vai ficar maior se
voc s ficar a parado olhando." Mas Heath estava distrado demais para dar mais
que um aceno na sua direo. Ele se ajoelhou prximo da prpria cama desfeita,
afastando sapatos e roupas para lavar ranosas e jogando no meio do cho. Brandon
olhou com desdm a pilha que se formava, "Finalmente encontrou um buraquinho na
parede do banheiro feminino? Precisa da cmera?"
"Eu acho que est aqui embaixo em algum lugar," Heath murmurou enquanto colocava
a cabea e os ombros embaixo da cama e revirava tudo. Ele puxou sem nimo uma
Louis Vuitton debaixo da cama, antes de se levantar. Ele ficou em p, espirrando alto,
o cabelo loiro desgrenhado coberto de poeira, e caminhou a passos largos at a
estante de livros de Brandon. Ele bateu os dedos impacientemente no estmago
enquanto passava os olhos pelas capas.
"O que voc est fazendo? Brandon suspirou profundamente e se afastou. Ele pegou
o desodorante do armrio e o borrifou nas axilas.
"Hardy, Elliot, Hemingway. Por que voc precisa de tantos livros?" Heath espirrou de
novo. timo, Espalhe seus germes por tudo. "Aha!" Heath agarrou um livro de capa de
couro preta da terceira prateleira e Brandon teve um vislumbre do ttulo em dourado: O
Livro de Regras da Waverly.
"Procurando por uma nova forma de ser expulso?" Brandon perguntou, sentando no
edredom Nautica.
Heath se atirou para trs na cama e folheou distraidamente pelas pginas do livro.
"Nnn. Ei, voc ouviu algo a respeito do seu amigo Walsh? " Apesar de estar focado
na tarefa secreta que tinha nas mos, Heath claramente no podia resistir a espalhar
uma fofoca.
Brandon reprimiu um gemido ao ouvir o nome de Easy. "O que foi agora?"
"Nada, aparentemente." Heath olhou atravs das pginas antes de virar para a
seguinte, o indicador direito correndo pelos pargrafos, procurando por algo. "Apenas
ouvi que Jenny o dispensou. Callie tambm. Cansadas disso tudo. V embora, etc,
etc."
"No." Eram timas notcias. Mesmo tendo esquecido Callie, ele ainda no queria v-
la com o mala do Easy Walsh. E Jenny era boa demaaaaaaaaaais para ele.
Finalmente o babaca estava tendo o que merecia. Talvez fosse algum tipo de
alinhamento csmico, as foras do bem se unindo para manter Easy Walsh longe das
duas garotas mais legais do campus. Para sempre. "Isso  verdade?"
Heath encolheu os ombros, ainda no disposto a afastar os olhos do livro. "Isso foi o
que meus espies me contaram."
Brandon tirou o Bluetooth da orelha e o jogou na cama. Ele ia ligar para Elizabeth
depois, de algum lugar privado e livre da presena de Heath Ferro.
"Eu sabia!" Heath gritou de repente, segurando o livro triunfante. Antes que Brando
pudesse perguntar o que ele sabia, ele havia sado do quarto, levando o livro nas
mos e parecendo mais eufrico do que se tivesse encontrado um buraco na parede
do banheiro das garotas.
Algumas vezes, especialmente se tratando de Heath Ferro,  melhor no perguntar.
5 - UMA WAVERLY OWL NUNCA MENTE PARA OS PAIS - OU PARA AS
COLEGAS DE QUARTO.
Callie Vernon voltou apressada da aula da tarde de tera-feira, ansiosa para esvaziar
sua bolsa Chlo de couro e tirar sua saia-lpis Cynthia Rowley. O zper nas costas
ficava pinicando na espinha, e Callie estava prestes a rasg-la. Ela parou por um
momento do lado de fora da porta da Sra. Pardee, onde Benny e Rifat Jones e outras
garotas estavam reunidas, ouvindo a discusso que vinha de dentro.
"Eles esto mesmo transando," Rifat sussurrou enquanto Callie se aproximava,
colocando o casaco marrom da Waverly no torso longo e magro.
"Voc perdeu alguns palavres," Benny riu com sarcasmo, se apoiando casualmente
na parede, ainda vestida com a roupa do treino. "Foi incrvel."
Sempre era divertido ouvir as discusses de Pardee - todos os outros dormitrios
tinham inveja porque o Dumbarton tinha o corpo docente mais flexvel - mas Callie
tinha coisas a fazer. Ela ergueu as sobrancelhas para Benny e se dirigiu para as
escadas.
Quando abriu a porta do quarto 303 do Dumbarton, ela parou.
"No pai,  srio, as coisas esto bem. De verdade," Jenny insistia no seu Treo. Callie
parou na entrada, o peso da bolsa batendo com fora no seu quadril, o zper
arranhando o tecido delicado de sua jaqueta Diane Von Furstenberg. Droga.
Jenny girou, os olhos castanhos bem abertos na direo de Callie. A felicidade forada
na voz no apagava o olhar triste nos seus olhos. Nos ltimos dias, ela tentou
convencer a si mesma que Jenny estava realmente cheia de toda essa histria com
Easy. Jenny soube que Callie e Easy sairam para jantar com o Sr. Walsh, mas ela
certamente no sabia nada sobre o amasso intenso no closet, quando eles
praticamente devoraram um ao outro. E olhando para a sua colega de quarto pequena
e triste, Callie definitivamente no queria que ela descobrisse.
Ela formou com a boca as palavras, Devo sair? mas Jenny balanou a cabea
vigorosamente, a massa de cachos escuros danando em volta do rosto plido, e
ento voltou sua ateno para o pequeno telefone preto na orelha. "Eu s... queria
dizer Oi. Eu tenho treino agora, ento eu tenho que ir, mas eu ligo mais tarde...
Tambm te amo."
Callie andou impaciente pelo quarto, imaginando que se ela parecesse muito feliz
talvez Jenny se contagiasse e no parecesse mais to deprimida. Ela largou a mochila
abarrotada de livros chatos de Espanhol na sua cama e tentou no olhar para os olhos
inchados de Jenny's. Ela esteve chorando? Mas ento Jenny espirrou um espirrou
bonitinho, e Callie se sentiu um pouco melhor, porque talvez Jenny fosse apenas
alrgica ao outono ou algo assim, e no tenha ligado para o pai para pedir consolo por
causa de Easy. "Eu no quis interromper sua ligao."
Jenny colocou o Treo no aparador e juntou os cabelos longos na parte de trs da
cabea, deslizando com preciso um elstico do seu pulso delgado para mant-los no
lugar. No, no se preocupe com isso. Meu pai gosta que eu mande notcias de vez
em quando, ou ele comea a achar que eu entrei para alguma fraternidade ou algo
assim.
Pais se preocupam demais. Callie balanou a cabea em tom de conspirao.
Embora provavelmente meus pais ficariam emocionados se houvessem fraternidades
na Waverly. Ela gostava de Jenny, ela realmente gostava, passou por elas como uma
tempestade, e ela tinha certeza que as duas podiam ouvi-lo ressoar a distncia. 
como se eles pensassem que o internato  outro planeta. Eu sei que minha me fica
louca por eu estar fora do alcance de sua viso quando estou aqui.
Jenny suspirou enquanto revirava uma gaveta procurando pela roupa do treino. Meu
pai tem medo que eu v, tipo, dar o meu primeiro passo ou algo assim e ele no esteja
l para ver.
Isso  fofo. Callie puxou sua Ralph Lauren sem mangas e de gola alta pela cabea,
desaparecendo por um momento em um tnel de cabelo frizado e cashmere. Jenny
realmente era como uma criana. Ela tinha o qu, quinze? Minha me se preocupa
que eu v fazer algo que possa envergonh-la, e ela no esteja aqui para gritar
comigo por isso. Ela encolheu os ombros. Ela imaginava o pai de Jenny como um
daqueles tios-super-legais que usavam suters feitos a mo e botas de combate e
davam os melhores abraos de urso, o tipo que pega voc no colo e gira em volta.
Sua me mandava beijinhos pelo ar quando a via.
Callie andou com passos largos at o assento da janela e ligou o iPod, ento trocou
quando o The Donnas comeou a gritar. Pelas vidraas grossas ela podia ver um
grupo de garotas com uniforme de futebol juntando as folhas cadas e as reunindo
numa pilha. Parecia divertido. Isso a fez lembrar da mesma poca no ano passado,
quando ela e Easy estavam juntos h pouco tempo. Eles no podiam manter as mos
longe um do outro, e escapavam para os estbulos a cada oportunidade para ficar
sozinhos. Ela teve um vislumbre do seu reflexo no vidro  no seu suti push-up preto
Calvin Klein, ela parecia plida e frgil. No a garota com quem Easy gostaria de
estar.
Eu ainda no consigo acreditar que ela  governadora. Jenny pegou uma camiseta
amarela brilhante com um sorriso enorme de uma de suas gavetas. Eu sei que
provavelmente  doloroso mas pra mim parece to... glamuroso!
 Perde a graa rpido. Callie lanou os olhos para os ombros de Jenny, que estava
de costas para ela, enquanto lutava para passar o suti esportivo azul royal pelo peito
enorme. Callie olhou para baixo para o seu peito mnimo. Ela nunca foi realmente
capaz de rechear um biquni, mas desde o final do ano passado, ela perdeu peso, e
seu peito foi a primeira coisa a desaparecer. Imagine cada erro seu virando, tipo,
conhecimento pblico.
Ento, uh... Jenny comeou, corando um pouco enquanto colocava um short Adidas,
Ela levantou o rabo de cavalo, algumas sardas leves salpicadas na pele plida no
interior do brao fino. Eu disse a Easy hoje que eu tipo, preciso de um tempo para,
sabe, entender as coisas.
Srio? Callie encarou a mesa, fingindo verificar os horrios do jogo de hquei,
incapaz de olhar para os olhos sinceros da colega. Ela estava orgulhosa de si mesma
por dizer a Easy para parar de vadiar e fazer uma escolha  mesmo que ela no
pudesse evitar desejar que ele a escolhesse imediatamente e acabasse com tudo isso
 e se perguntava o que essa novidade significava para ela.
Eu s... sinto que jamais tive a menor idia do que se passava na cabea dele,
admitiu Jenny, parecendo envergonhada.
, ningum tem. Callie buscou o suter que havia jogado no cho e se virou para
Jenny, batendo uma unha perfeitamente polida na testa. Ele  totalmente confuso.
Jenny riu e apanhou o basto de hquei do canto onde o havia deixado.  um forma
de colocar a coisa. Quando ela olhou de volta para Callie, um sorriso estava em seus
lbios cor-de-rosa.
Callie jogou o suter no cho na frente do closet, onde uma pilha comeava a se
formar. A lembrana de abrir essa porta e encontrar Easy agachado no cho,
escondido, fez seu corao bater alto. Deslizando para junto dele, rodeados pela
floresta de roupas caras dela, fechando a porta, rindo, e ento o beijo... esse foi
provavelmente o melhor momento da vida de Callie at agora.
Ela respirou fundo, imaginando se Jenny podia ouvir as batidas fortes do corao dela
atravessando o quarto  isso no era uma histria de Edgar Allan Poe? As batidas do
corao de um garoto que ele havia matado acabaram levando-o at a polcia? Ou foi
a prpria culpa que o colocou em apuros? Ela deveria ter prestado mais ateno na
aula de literatura da Srta. Rose.
Callie entrou rapidamente em uma cala capri Nike preta, uma camiseta branca lisa e
o casaco marrom da Waverly, que estava trs nmeros maior. Jenny equilibrou o p
na mesa, alongando. No seu short de ginstica e o casaco com capuz cinza
desbotado, o cabelo puxado para trs em um rabo-de-cavalo alto, ela parecia meiga e
doce, to ameaadora quando um iogurte de baunilha.
"Quer ir para o treino comigo?" Callie perguntou, um pouco cautelosa. Apesar de ter
colegas de quarto h um ms, elas nunca foram juntas para o treino. Callie sempre foi
to... estranha. Mas agora ela estava sentindo - o qu? Generosa, talvez? Ela podia
se dar ao luxo de ser um pouco amvel com a colega mais nova.
Alm disso, uma delas ia ter seu corao partido - e Callie estava certa que no seria
o dela.
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................................................
De: beerdude101@hotmail.com
Para: HeathFerro@waverly.edu
Data: Quarta-feira, 8 de outubro, 16h13
Assunto: Seu dia de sorte
Ferro:
Consegui um lote de barris de cerveja de uma cervejaria que est fechando e
pretendia vender para voc com um belo desconto.
Seja rpido  eles no vo demorar.
BD
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De: HeathFerro@waverly.edu
Para: beerdude101@hotmail.com
Data: Quarta-feira, 8 de outubro, 16h16
Assunto: Re: Seu dia de sorte
Cara-
Parece tentador, mas eu no posso me arriscar tendo barris aqui no campus de novo.
Eu escapei por pouco da ltima vez...
H.F.
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De: beerdude101@hotmail.com
Para: HeathFerro@waverly.edu
Data: Quarta-feira, 8 de outubro, 16h17
Assunto: Re: Re: Seu dia de sorte
E fora do campus? Minha av tem um celeiro gigante for a da cidade e eu poderia
emprest-lo sem cobrar muito. Rolos de feno, espigas de milho, cheiro de folhas no ar
- e mais importante, barris de cerveja baratos.
O que acha?
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................................................
De: HeathFerro@waverly.edu
Para: beerdude101@hotmail.com
Data: Quarta-feira, 8 de outubro, 16h19
Assunto: Re: Re: Re: Seu dia de sorte
Interessante...
6 - UM WAVERLY OWL DEVE ESTAR DISPONVEL QUANDO UM COLEGA
PRECISAR  MESMO QUE O ODEIE.
Easy caminhou pelo bosque, as pernas doloridas e cansadas depois de duas horas de
cavalgada. Sempre que Easy estava com a cabea cheia, ele cavalgava Credo. Algo
em relao a seus olhos castanhos enormes, olhando para ele com inabalvel
confiana, o fazia sentir como se ele fosse mais do que um monte de esterco. Porque,
na ltima semana, foi assim que ele se sentiu. A cada minuto, a imagem de Callie ou
Jenny pipocava no seu crebro, ele pensava miseravelmente, Eu sou um babaca a
cada frao de segundo. Credo no se importava se ele era um babaca. Ela
comeava a bater os cascos alegremente quando o via entrando no estbulo, e no
perguntava onde ele esteve ou no que ele estava pensando.
Ele tinha ido direto ao estbulo depois de falar com Jenny na porta de Estdio de Arte.
No que ele tenha falado muito - ele no conseguiu encontrar a coisa certa para dizer.
Ele nem mesmo conseguiu encontrar a coisa errada para dizer - ele simplesmente no
conseguia pensar em nada para dizer. Uma longa, dura cavalgada era exatamente o
que ele precisava para ajud-lo a entender essa droga toda e limpar a mente.
O nico problema era, no funcionou. Ento em vez de jantar na sala de jantar e
aguentar oitenta pessoas perguntando pela milsima vez se ele estava com Jenny ou
com Callie, ele decidiu caminhar pelo afloramento rochoso, prximo aos barcos, perto
de seu lugar secreto de pintura. Easy olhou em volta enquanto se instalava em uma
pedra fria, escura, pegando um charuto do bolso. Ele pegou dois charutos cubanos da
bolsa de couro preta do pai quando ele estava no saguo do Le Petit Coq na semana
passada. Era o momento perfeito para acender um e refletir.
Talvez ele devesse fazer uma lista. Tipo prs e contras? No  isso que as pessoas
fazem quando no conseguem decidir entre duas opes? Mas a idia de colocar
Callie e Jenny, duas garotas vivas, que respiravam, em uma lista, o fez querer dar um
tiro no prprio p. Ou na cabea. Ok, talvez no tanto.
Easy deu uma tragada gigante no exato instante em que ouviu um barulho na trilha.
Ele segurou a fumaa nos pulmes por um longo momento, esperando para ver se
algum professor iria aparecer e coloc-lo em problemas. Mas ento um Brandon
Buchanan muito vermelho apareceu usando uma camiseta branca suada e shorts de
corrida pretos, a bolsa de squash de vinil pendurada em um ombro e o telefone
prateado na mo.
"Desculpa, cara," Brandon falou entre os dentes, passando a mo pelo cabelo suado e
despenteado. Ele fez um sinal com a mo para Easy, se desculpando e comeou a
voltar.
Easy de repente percebeu que ele no queria realmente ficar sozinho. "Voc no
precisa ir embora, cara. Voc pode, uh, sentar."
Brandon olhou para ele por um momento como se o convite pudesse ser uma cilada,
mas ento ele deu um passo a frente e apontou para o charuto de Easy. "Tem outro?"
Sempre que Brandon falava com ele, Easy tinha a sensao que ele tentava fazer a
voz soar uma oitava mais baixa.
Easy abriu o bolso frontal do colete preto Patagonia e alcanou o segundo Cuban. "
todo seu."
"Fogo?"
Easy alcanou o isqueiro de plstico barato com o desenho de uma danarina de hula
e Brandon balanou a cabea. "Legal." Ele acendeu o charuto e se encostou
desconfortavelmente em uma das pedras. Ele olhou em volta rapidamente, como se
ele ainda no soubesse com certeza o que fazia ali. "Ento..." Brandon tragou
profundamente. "Como vo as coisas?" ele perguntou com a boca cheia de fumaa.
Easy suspirou e olhou a fumaa que subia dos seus charutos, subindo direto para o
cu prpuro visvel atravs das rvores em volta deles. Era mais do que fudido que ele
estivesse ali, sentado fumando com Brandon, o cara de quem ele roubou a namorada
no ano passado - o cara que sempre olhou como se quisesse dar um soco na cara
dele mas nunca teve coragem para fazer isso. "J estive melhor," Easy respondeu
meio torto.
Brandon balanou a cabea e apoiou os ps em uma outra pedra. "Eu ouvi algo."
Easy encarou Brandon por um momento, tentando analisar sua capacidade de
empatia. O que diabos - por que diabos no deixar simplesmente sair? "Eu s estou...
confuso," Easy gaguejou. "Eu no fao a menor idia com quem eu devo ficar." A mo
livre de Easy agarrou o cabelo desgrenhado, que precisava desesperadamente de um
corte. Seu pai quase teve um enfarto quando o viu na semana anterior.
"Quer minha opinio?" Brandon perguntou, o charuto pendurado nos lbios
estranhamente rosados. Ele nem mesmo soou como se quisesse matar Easy, dessa
vez. Mas agora, Brandon ficou todo ntimo no sbado  noite com aquela garota
misteriosa, de aparncia extica da St. Lucius - talvez ela fosse capaz de distra-lo um
pouco, faz-lo esquecer Callie. Bem, bom para Brandon. A garota era gostosa.
"Uh, sim." Easy segurou o isqueiro barato para reacender o charuto. "Eu acho que
sim."
"Certo. Ento eu vou ser honesto. Eu sei que Jenny  totalmente sensacional e tudo,
mas voc no acha que isso meio que aconteceu muito rpido? Eu quero dizer, ela
mal chegou aqui, e de repente vocs estavam saindo." Brandon exalou a fumaa
diretamente no ar escuro da noite. Easy suspeitou que ele tinha uma quedinha por
Jenny, tambm.
", eu acho que foi tudo muito rpido." Easy lembrou da primeira vez que ele falou
com Jenny, ele havia se esgueirado para o quarto de Callie e ento Callie
desapareceu. Ele sentou na cama de Jenny, e tudo nela - o cheiro; o rosto sonolento e
sem maquiagem; o cabelo desgrenhado; a voz doce, curiosa - pareceu ser
exatamente o oposto de Callie. "Mas ns s, sabe, deixamos acontecer."
"Quero dizer. No me leve a mal - eu meio que acho que voc  um completo idiota
por no estar totalmente apaixonado por Jenny. Ela  to meiga." Brandon falou com o
charuto na boca, ento foi meio difcil entender, mas Easy pegou o raciocnio dele.
"Mas voc no acha meio estranho que voc esteja entre a Callie e, a anti-Callie?"
Easy tentou pensar sobre porque isso aconteceu. Sua mente imediatamente voltou
sua mal sucedida viagem a Barcelona quando ele foi visitar Callie depois do vero.
Uma combinao de coisas - o vero na porcaria do Kentucky e a sua frustrao ao
pensar em mais um ano inteiro na sufocante Waverly Academy - fizeram da viagem
um pesadelo e fizeram Easy temer voltar mais uma vez a Waverly. E ento quando ele
voltou para a escola, Callie estava mais sufocante e autoritria do que nunca, e de
certa forma, essa garota nova, legal apareceu no horizonte - um meio perfeito de fugir.
Foi isso que aconteceu? Ele usou Jenny como uma forma de escapar do
relacionamento com Callie porque Callie tentou pression-lo? Porque ele no estava
pronto para dizer "Eu amo voc"? Por um milho de vezes ele pensou no jantar com
Callie e o pai, e como Callie o havia defendido. Lembranas de repente invadiram o
seu crebro - Callie, com seus sapatos deliciosamente inapropriados, se esgueirando
para os estbulos para passar uma hora se agarrando com ele antes do jantar; Callie
o surpreendendo com a primeira edio de Naked Lunch de William S. Burroughs no
Dia dos Namorados porque ela lembrou que ele falou que queria l-la; Callie, cujos
olhos avel o faziam lembrar dos dias preguiosos de vero da infncia e desejar
conhec-la a vida inteira.
"Isso , tipo, a clssica definio de 'no sobresalto', no ?" Brandon continuou, dando
trs tragadas rpidas no charuto e tentando exalar anis de fumaa, do jeito que os
caras sempre fazem nos filmes. "Por mais que eu odeie dizer isso, havia algo em voc
e Callie que tipo... fazia sentido."
Brandon definitivamente odiava admitir isso, mas era verdade. Talvez porque Easy e
Callie eram to claramente no feitos um para o outro - os opostos se atraem e tudo
isso. No fazia muito sentido, mas nada relacionado ao amor fazia.
"." Easy concordou devagar com a cabea.
"Pega leve com a Jenny, sabe?" Brandon disse, sentindo um pouco confuso por causa
do tabaco. Pobre Jenny. Brandon podia dizer s de olhar para Easy que ele vinha
sonhando com Callie e que Jenny no tinha a menor chance. Brandon sentiu uma
pontada de amargura, mas ento ele se lembrou do porque ele foi para l. Elizabeth.
Ele havia esquecido Callie, ele havia esquecido Jenny. Era s Elizabeth o tempo todo.
"Certo." Easy sacudiu a cabea abruptamente como se tivesse estado perdido em
devaneios. Ele olhou para Brandon, os olhos azuis de repente mais claros. Houve um
estrondo a distncia e Easy olhou para o cu, como se isso pudesse torn-los
prximos, bem ali e naquele momento. "Ento, uh... e a garota da St. Lucius?" ele
perguntou, em direo s nuvens acima deles.
"Elizabeth." Brandon inalou profundamente, deixando a fumaa do charuto encher
seus pulmes. Ele estava um pouco orgulhoso que Easy tivesse reparado nela -
certamente todos haviam, com a camiseta engraada LIBERTEM O TIBET e o
pescoo longo, gracioso. ", ela  incrvel."
Easy concordou. "Ela parece legal." Ele olhou por sobre os ombros ao som de algum
animal correndo atravs das ervas daninhas antes de recolocar o charuto na boca.
"Ela  legal." Brandon sentiu o peito estufar um pouco, com orgulho, mas tentou no
demonstrar. "Ns passamos, uh, um tempo muito bom... conversando." Por mais que
ele estivesse aproveitando o charuto, ele realmente no queria ficar todo falante com
Easy, pelo menos no sobre suas prprias coisas. "Eu estava indo ligar para ela."
"Ligar?" Easy perguntou, um leve tom de ceticismo na voz.
Brandon interrompeu. "Porque - no devo ligar?" ele perguntou, e ento se odiou por
pedir conselhos amorosos para Easy.
"N, eu no quis dizer isso." Easy se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nas
coxas. "Claro que deve ligar para ela. Ou escrever um poema, fazer um pequeno
desenho, algo para mostrar que voc andou pensando nela. Seja espontneo. Ele se
encolheu.
"Uh, . Eu definitivamente vou fazer algo." Brandon concordou, soando mais
confidencial do que sentia. Ele no era espontneo por natureza. Ele era o tipo de
cara que avaliava o catlogo de cursos de vero e circulava as disciplinas eletivas que
o interessavam.
Easy pegou uma folha do cho e a amassou na com a mo. Ele limpou a garganta.
"Ei, Eu sei que provavelmente  desagradvel para voc falar comigo. Eu sei que voc
sempre meio que quis, tipo, me matar, mas sabe, desculpa... por tudo."
Brandon apagou o charuto em uma das pedras e hesitou. "No se preocupe." Eles
definitivamente no iam se tornar amigos e apertar as mos a qualquer momento, mas
ainda assim, talvez Easy no fosse um completo idiota. "Eu tenho que voltar. Mas
obrigado pelo charuto."
"Sem problemas." Obrigado pela, uh, conversa," Easy respondeu.
"Boa Sorte," Brandon disse e ento, deslizou o charuto meio-fumado em um bolso de
sua bolsa de squash. Ele se virou e comeou a voltar pela trilha, exatamente quando
as primeiras gotas de chuva fizeram ccegas em seus braos extra-fortes. Talvez ele
deva ir furtivamente at a St. Lucius amanh e surpreender Elizabeth pessoalmente.
Isso devia ser melhor do que um poema, ou algo do tipo. Certo?
7 - UMA WAVERLY OWL SABE QUE UM BEIJO  APENAS UM BEIJO
"Wow. Eu diria que ns temos uma boa quantidade de presentes." Brett disse
enquanto Jenny e Callie a seguiam pela porta de vidro giratria do trio. A chuva l
fora fazia um som tranquilizador contra o teto de vidro acima delas.
O trio do Reynolds era um espao de dois andares com uma abbada de vidro no
teto, desenhado por I.M. Pei, uma aquisio de muitos mil dlares concluda h
apenas alguns anos, graas ao apoio generoso do pai cheio-de-contatos-bilionrios de
Ryan Reynolds's. O espao estava cheio com frondosas figueiras e samambaias,
fazendo-o parecer tropical, mesmo no meio do inverno, e quando iluminado, era
possvel v-lo incandescente como uma lmpada gigante atravs do campus. O hall
na verdade s era usado como desculpa para sesses de caf-e-bolinho durante a
Semana dos Pais, e eventualmente era palco das leituras da Absinthe, a revista de
literatura da Waverly. Brett ficou chocada quando empurrou a porta de vidro e viu
dezenas de garotas reunidas em volta dos confortveis sofs vermelhos da Pottery
Barn, algumas delas sentadas de pernas cruzadas no carpete verde e dourado
estampado.
Ela sentiu o estmago comear a cambalear um pouco, do mesmo jeito que fazia
antes de cada reunio do Comit Disciplinar ou de um debate - era o mesmo tipo de
enjoo que ela sentia nos segundos que antecediam um mergulho na gigantesca
piscina em forma de rim dos pais. Uma vez na gua, por assim dizer, ela estava bem.
Mas o salto a deixava nervosa. Brett secou as mos midas nas laterais de seu jeans
skinny preto Joe's.
A tagarelice foi morrendo enquanto as trs garotas seguiam em direo a um dos
sofs vermelhos vazios prximo a parte da frente da sala, que estava
consideravelmente reservado para elas, Brett olhou para as garotas - quase todo o
Dumbarton estava l, exceto Tinsley Carmichael, que "acidentalmente" foi deixada de
fora da lista de e-mails.
Brett e Kara sentaram no sof e assistiram enquanto Jenny se acomodava no cho
prximo a Alison Quentin e... Callie? Parece que elas so amigas de novo. Um pouco
estranho, considerando tudo o que elas no tinham em comum - e a nica coisa que
elas tinham. Mas bom para elas, entrando no esprito de unio feminina. Girl power.
"Obrigada a todas por virem," Brett comeou, tentando fazer sua voz no soar
totalmente autoritria e chata. Ela estava usando leggings pretas e uma tnica navy
longa C&C California, mas as garotas estavam olhando para ela com tanta
expectativa, que ela pensou que devia ter vestido seu traje formal do Comit. "Por
esse ser o primeiro encontro do Women of Waverly, eu no quero que seja muito
formal - eu acho que ns devamos apenas usar essa oportunidade para ficar juntas e
conversar, e trazer qualquer questo que tenhamos, ou qualquer pensamento sobre o
que gostaramos que o clube fizesse no futuro." Ela encolheu os ombros e olhou em
volta do grupo enquanto as garotas assentiam.
Benny Cunningham abriu a boca para dizer algo, mas suas palavras foram cortadas
pelo som da porta se abrindo. De repente, Heath Ferro apareceu, usando um blazer
da Waverly apertado, o cabelo normalmente bagunado estava penteado e
emplastrado, de forma submissa. Ele sacudia um livro acima da cabea, e para
qualquer um que no o conhecesse, ele parecia um quadro-perfeita, um garoto de
escola preparatria bem educado, ansioso por aprender.
"No comecem sem mim!" ele gritou, abrindo caminho pela multido de garotas, em
direo a frente da sala. As garotas deram risadinhas mas Brett olhou para ele
furiosamente. O que diabos ele estava fazendo? Quando ele ficou perto o suficiente
dela, ele mostrou o livro que trazia nas mos - uma cpia do livro da Waverly. "Posso
recitar?" ele perguntou, com um sorriso afetado de satisfao no rosto bonito. Ele abriu
em uma pgina do livro e virou para encarar o grupo, claramente deliciado por ser o
centro das atenes. "Nenhum clube na Waverly pode excluir membros baseado em
sexo, gnero, ou orientao sexual." Ele fechou o livro de forma barulhenta. "Acho que
isso significa que eu estou dentro."
"Eu no sabia que Wavely tinha um graduado em Direto," Brett disse a ele irritada.
Heath parecia ter um instinto para aparecer exatamente onde ele no era querido.
"Voc quer uma batalha no tribunal?" Heath sorriu afetado de volta, segurando o livro
sobre a cabea, como uma tocha.
"Que seja, Heath. Est bem." Brett revirou os olhos e as garotas riram de novo. "Voc
pode apenas fingir por um momento no ser to garoto?"
"E pode se sentar?" Kara perguntou propositalmente. "Ns estvamos justamente
comeando."
"Sem problemas, senhoras," Heath prometeu enquanto acariciava os bolsos de suas
calas cargo Abercrombie. "Mas no querem tirar uma foto do grupo antes?" Ele
segurou a pequena cmera digital prateada em frente ao rosto e tirou uma foto da
sala. Ele olhou de relance para Brett, que estava olhando furiosa para ele. "Desculpa!"
ele sussurrou, e deslizou no sof, prximo a Kara.
Brett respirou fundo e tentou esquecer o intruso masculino. "De qualquer forma. No
futuro, poderemos falar sobre qualquer coisa que quisermos, mas eu acho que talvez
possamos comear com um tpico essa noite que vai tipo quebrar o gelo." Ela parou e
sentou no sof, sentindo os olhos de Heath em seu peito. Pervertido. Talvez ela
pudesse choc-lo e expuls-lo da sala. "Ento, que tal sexo?"
Todos riram com nervosismo e olharam em volta, corando. Brett podia garantir que
isso faria as coisas acontecer. "Qual a sua cena de sexo favorita do cinema?"
"Garotas Selvagens," Heath disse imediatamente, a mo no peito com seriedade.
"Mos presas.  uma bela cena de realismo cinematogrfico," ele adicionou,
lambendo os lbios.
Brett revirou os olhos. "Que tal perguntarmos ao longo da sala?" Brett apontou para
Jenny, que estava do lado oposto de Haeth no crculo.
"Hmm." Jenny descansando o queixo no punho. "Dirty Dancing." Ela encolheu os
ombros e olhou em volta, as bochechas comeando a corar.
"Oh, sim," Alison concordou.
"O qu? Aquela frutinha! Quero dizer - "
Brett lanou um olhar que o silenciou. "Se voc no vai seguir as regras do clube, ns
vamos chut-lo para fora. Capice?"
Heath saudou com dois dedos. "Certo. Capito."
"Quem  a prxima?" Brett perguntou, olhando direto para Callie.
"Eu vou ficar com Mr. and Mrs. Smith, Brad Pitt e Angelina Jolie. Definitivamente." Ela
balanou a cabea e olhou para Kara, que estava do outro lado.
"Ligadas pelo Desejo," Kara disse. "Sem dvida."
"Agora sim, era disso que eu estava falando!" Heath gritou, fazendo um redemoinho
dourado no carpete na frente dele, um olhar de extase no rosto. Ele levantou a mo
para bater na de Kara, cumprimentando-a, mas ela fez uma careta e olhou para longe.
Pela hora seguinte, as garotas riram e conversaram sobre sexo. Heath tentando ser
respeitoso o tempo todo, tanto que as garotas pareceram esquecer que ele estava ali.
Brett ficou sabendo de todo o tipo de coisa que ela jamais imaginou sobre as colegas:
que Sage Francis estava esperando pelo casamento para perder a coisa, que Yvonne
Stidder estava esperando apenas pela faculdade, que Rifat Jones havia feito e
desejava no ter feito. Celine Colista queria saber se sexo oral contava como sexo (as
opinies se dividiram), e Callie queria saber se realmente doa tanto quanto as
pessoas falavam. As garotas que sabiam responderam tristemente que sim, pelo
menos da primeira vez. Brett ficou um pouco chocada, ao ver o quanto todos estavam
sendo to aberto em relao a coisas to pessoais. Mas isso era muito confortvel, o
ambiente acolhedor onde qualquer um podia dizer qualquer coisa e tudo ficaria bem.
Brett sorriu para si mesma. No convidar Tinsley, a vadia que julgava a todos, para o
grupo foi a deciso mais inteligente que ela j tomou.
A conversa comeou a diminuir, e algumas garotas subiram para encher suas canecas
com sidra ou pegar outro biscoito de gengibre. Benny de repente deixou escapar, "O
que eu queria saber  porque os garotos sempre acham que se voc fica com eles,
isso significa que voc est disposta a transar com eles?" ela exigiu, com um interesse
pessoal bvio na questo.
Todas olharam para Heath, como se lembrassem que ele estava ali. "Pensamento
interessante." Heath encolheu os ombros como se se desculpasse. "Vocs no podem
nos culpar por tentar."
"Bem, isso realmente no  justo," Trisha Reikken falou da borda de um dos sofs
vermelhos. Ela era uma veterana cheia de curvas que tinha a fama de ser disposta a
fazer mais do que beijar. "Porque eles no podem aceitar o fato de que um beijo 
apenas um beijo, e isso  tudo que eles vo ter?" Ela cruzou os braos sobre o peito
grande e olhou para Heath.
"Eu concordo com voc." Sage Francis concordou balanando a cabea loura
vigorosamente. "Garotos conseguem ficar to distrados com o prximo passo, que eu
acho que s vezes eles esquecem o quanto beijar  bom."
"Alguns garotos," Heath disse intencionalmente, se inclinando para a frente enquanto
falava. "Eu? Eu adoro beijar. Beijar  fabuloso." Ele levantou as palmas para cima em
um gesto de eu-sou-muito-inocente, e todas riram. "Mas, cara, ento vem o prximo
passo."
"Esse  o ponto, bundo." Kara bateu com o indicador no ombro de Heath. "Algumas
vezes no h prximo passo. Algumas vezes beijar  a ltima parada do trem."
Heath olhou como se algum tivesse dito a ele que Papai Noel no existia. "Sem
prximo passo?" ele disse, o rosto empalidecendo. "O prximo passo  o motivo pelo
qual o beijo foi inventado."
Todas as garotas explodiram em discordncia, murmrios de raiva atravessaram o
grupo em ondas.
Brett levantou uma mo, pedindo ordem. "Eu sinto muito, Heath, mas eu vou ter que
discordar de voc. Algumas pessoas - pessoas que tm um mnimo grau de auto-
controle - podem aproveitar um beijo pelo que ele , e parar por a."
"Certo?" Alison concordou enfaticamente, o cabelo preto sedoso brilhava com o
reflexo da luz do trio. Jenny se inclinou para dar uma batidinha na mo de Alison
concordando.
"Eu ainda no estou convencido." Heath sacudiu a cabea. "Vocs esto me dizendo
que vocs podem beijar algum e no querer mais?"
"Eu posso." Brett olhou de relance para Kara, que estava olhando para ela enquanto
ela falava, e um trovo ecoou do lado de fora . "Eu posso beijar a Kara e aproveitar o
beijo como um beijo." Ela olhou para a amiga e encolheu os ombros. Talvez isso
calasse Heath. Brett colocou o cabelo para trs afastando-o do rosto e os lbios
encontraram os de Kara em um selinho rpido. Foi macio e rpido e amigvel.
"V?" Brett sorriu torto, uma sobrancelha arqueando na direo de Heath. "A ltima
parada do trem."
Brett sorriu e encostou as costas no sof, a cabea rodopiando de leve. Ela se sentiu
muito presunosa e muito... quente. O beijo foi to rpido que ela no podia ter certeza
de coisa alguma, mas talvez, quando os lbios dela tocaram nos de Kara e Brett sentiu
o leve cheiro de gloss de morango, ela sentiu alguma coisa? Huh... isso foi estranho.
Brett agarrou sua caneca de chocolate e tentou acompanhar a conversa do grupo. Ela
olhou de relance para Heath e percebeu que ele estava olhando direto para ela, um
sorriso mpar no rosto. Ela apontou a lngua para fora e ento voltou-se para o grupo.
O crculo havia se dispersado em algumas conversas menores, mas olhando em volta
ela podia ver que muitas pessoas estavam apenas fingindo conversar e mantendo os
olhos em Jenny e Callie, que tinham voltado a se encarar nas bordas do crculo.
Calllie mordeu os lbios hidratados e olhou para o rosto insuportavelmente doce da
colega de quarto. Jenny sentou com as pernas cruzadas no cho com suas calas de
yoga e um grosso suter cor de aveia no qual ela adoravelmente desaparecia. No
importa o quanto elas competiram por causa de Easy, Callie no conseguia deixar de
querer abraar Jenny naquele momento. especialmente depois de todo o clima
fraternal. Ela se sentia como uma grande babaca, mas isso era muito inspirador. "Voc
 uma pessoa incrvel, e voc  minha colega de quarto, e eu quero que ns sejamos
amigas," Callie finalmente disse, realmente sentia isso. Easy era um Neanderthal. Ele
era o seu Neanderthal, certo, mas Jenny era sua colega de quarto. E talvez tambm
sua amiga.
"E se ns simplesmente... deixarmos ele pra l? Pela nossa amizade?" Jenny
perguntou cheia de esperana, o rosto mais doce e angelical do que nunca.
A testa de Callie se esticou e ela abriu um sorriso largo, de alvio. Era como se algo
tivesse ligado em sua cabea. To simples: apenas deix-lo pra l e ficar amiga da
colega de quarto. Ela olhou de novo para o rosto de Jenny com os olhos arregalados e
as bochechas rosadas, cheia de expectativa. O que Easy Walsh fez por elas, de
qualquer forma? "Isso soa como um plano."
Jenny jogou os braos em volta de Callie e Callie a abraou de volta. A sala cheia de
garotas desistiu de fingir no estar escutando e rompeu em aplausos.
"Agora vocs duas" Beija!" Heath de repente gritou, puxando o carpete com as duas
mos dessa vez. Mais uma vez, todas haviam esquecido completamente que ele
estava l. "Beija! Vamos! Vocs sabem que vocs querem -"
Brett pegou um travesseiro pesado de brocado e jogou no peito dele. O encontro
definitivamente estava acabado.
8 - CHOVA OU FAA SOL, UMA WAVERLY OWL MANTM SUA PROMESSA.
Tinsley colocou a cabea pra fora da porta do quarto depois de duas horas de uma
soneca ps-treino que durou todo o jantar. Estava realmente escuro l fora e todo o
primeiro piso estava estranhamente deserto. O silncio era esquisito e ela sentia
quase como se tivesse havido um desastre nuclear e ela fossa a nica do campus que
no havia se escondido no abrigo-anti-bombas. Que excelente oportunidade para
chamar Julian. S de pensar nele, sentado do outro lado do campus, olhando pela
janela do quarto no Wolcort, esperando ver o brilho de uma pequena chama, lhe dava
arrepios na espinha.
A janela do seu quarto ficava na direo oposta da dele, ento Tinsley foi em direo
ao banheiro, abrindo uma das pesadas janelas de vidro opaco. Ela acendeu o Zippo
de Julian, olhando a chama brilhar pela noite uma, duas, trs vezes. Os dedos
traaram as iniciais de Julian gravadas.
Nem trs minutos haviam se passado  tempo suficiente para Tinsley arrancar alguns
fios de sobrancelha no espelho  antes que ela visse uma figura toda vestida de preto
aparecer ao lado do Dumbarton. Ele apoiou as costas na parede de tijolos e deslizou
ao longo dela, a cabea virando de um lado para o outro enquanto ele se aproximava.
"Oi," uma voz veio de baixo.
"Shh!" Tinsley fez, colocando a cabea para for a da janela. Julian se levantou e
agarrou a mo dela, apoiando os ps na parede de tijolos e se impulsionando pela
janela. Ele tropeou desajeitado.
"Isso parece familiar." Os olhos passando pelo banheiro - sem dvida alguma ele
estava lembrando que foi naquele lugar que eles ficaram juntos pela primeira vez. "Eu
acho que estive aqui em um sonho uma vez," ele disse brincalho.
"Talvez voc tenha estado." Tinsley se inclinou para trs, se apoiando numa pia e
notou que Julian estava usando um colar de conchas, o tipo que uma garota compraria
quando estava de frias em Nantucker ou Fire Island. Tinsley, estreitou os olhos.
Obviamente, ela esperava que Julian tenha tido namoradas antes  ela no queria ter
de trein-lo completamente - mas isso no queria dizer que ela queria ver vestgios
delas pendurados nele.
"N, no pode ter sido um sonho." Ele olhou para Tinsley por sobre os ombros e seus
olhos escuros a chamaram na direo dele. Ela queria que ele fosse at ela, mas ela
no pde resistir. "Voc sempre acorda deles."
Tinsley caminhou para longe da pia, os ps descalos tocando o cho frio. Ela puxou a
cortina atrs dela e correu uma mo pelo peito de Julian. Ela o empurrou contra a
parede e o beijou como se no o visse h meses, embora na verdade ela o tivesse
visto h aproximadamente trs horas.
Sentiu minha falta? ela perguntou, entre beijos. As mos dele agarravam a lateral do
corpo dela, os dedos brincando com o boto da sua T-shirt vermelha American
Apparel, pedindo permisso para ir alm.
Julian rosnou e suas mos tocaram a pele nua de Tinsley. Ela estremeceu um pouco,
enquanto eles se arrastavam devagar pelas suas costelas, e exatamente quando ela
ia afast-los  ele no podia fazer isso sem pedir permisso, bvio  a porta do
banheiro se abriu com um estrondo. Eles separaram os lbios e arregalaram os olhos
surpresos, mas Julian no tirou as mos do corpo de Tinsley.
Tinsley apertou o dedo contra os lbios de Julian, o pulso acelerando. Assim que eles
prenderam a respirao o intruso comeou a cantar, Da de da de da dum... da de da
de da dum... Os belos olhos de Julian formaram uma expresso de interrogao
enquanto Tinsley tentava determinar quem era a dona da voz. Seria timo se fosse
uma garota facilmente influencivel, como uma caloura, ou uma nerd. Tinsley poderia
recrut-la para ajud-la a colocar Julian em seu quarto, e eles poderiam continuar seu
interldio romntico l. Os dois tentaram no rir enquanto ouviam o barulho da outra
fazendo xixi. Exatamente quando ela ia abrir a cortina, a voz estourou em palavras:
Don't stand, don't stand so, don't stand so close to me...
O queixo de Tinsley caiu. Merda. Obviamente Pardee era uma f brega do Police.
Tinsley ouviu  todo o primeiro andar ouviu - a responsvel pelo dormitrio, Anglica
Pardee, reclamando em voz alta com o marido naquela manh para que ele trocasse o
chuveiro deles ou encontrasse um homem de verdade que fosse capaz de faz-lo.
Aparentemente ele no foi capaz. Tinsley apertou os dedos com fora contra os lbios
de Julian e eles ouviram o barulho das gotas caindo no cho duro. Como ela iria se
safar se Pardee abrisse a cortina e a encontrasse com um garoto?
Ento veio o barulho da cortina do box adjacente sendo fechada e a gua sendo
ligada. Jesus. Estava perto. "Vem," ela cochichou, apontando a cabea na direo da
porta. "Temos que tirar voc daqui."
Julian fingiu no entender, e sussurrou de volta para ela, "O qu? Voc quer ficar junto
mais um tempo?" Ele se inclinou para beij-la.
"Depois!" ela acidentalmente falou alto, agradecida por nesse instante Pardee
recomear a cantar.
"Her friends are so jealous, you know how bad girls get..."
Tinsley revirou os olhos, indo para trs da cortina do chuveiro, puxando Julian atrs
dela. Ela apontou na direo da janela, mas exatamente quando ele ia sair por ela, um
grupo de garotas apareceu na calada, indo na direo da entrada do dormitrio.
Maldio. De jeito nenhum ela podia deixar as garotas a verem ajudar Julian a sair
pela janela do banheiro - ia levar cinco segundos at que todo o campus soubesse
que ela estava ficando com um calouro.
"Por ai no," Tinsley suspirou com urgncia. Ela o puxou com fora para longe da
janela, quase o fazendo cair, ento o arrastou, na ponta dos ps, porta afora. Ele
tentou beij-la de novo, mas Tinsley o afastou com uma palmada, com um pouco mais
de violncia do que ela pretendia.
"Voc pode sair pela minha janela," ela cochichou, mas antes que eles estivessem no
meio do caminho para o hall, a porta da frente comeou a se abrir, e ela rapidamente
agarrou a maaneta do armrio de vassouras, colocando a fora um Julian
descontente.
"O que voc est fazendo?" Sua voz abafada saindo de dentro do armrio enquanto
um grupo de garotas risonhas entrou no corredor.
"Eu vou peg-lo em um minuto, quando for seguro," Tinsley rosnou sob a respirao.
Ela rapidamente tirou o olhar irritado do rosto e andou rpido em direo ao seu
quarto, tentando parecer o mais natural possvel.
"T!" Sage Francis gritou assim que Tinsley alcanou a porta do quarto. "Onde diabos
voc estava?"
Tinsley olhou para a garota, no compreendendo. "Do que voc est falando?" ela
perguntou com um desinteresse frio, a mo suspensa na maaneta.
"Voc perdeu o encontro do Women of Waverly?" Sage sacudiu o cabelo louro-milho
pra frente e pra trs, mascando a pedao of chicl grande demais para sua boca.
Sage havia lido recentemente algo na Internet sobre como queimar calorias mascando
chicl, e ela rapidamente adotou o hbito, pretendendo perder os ltimos cinco quilos
que sempre a importunaram. Mas Tinsley pensava que o cheiro insuportvel de
hortel estava causando mais dano do que benefcio  vida amorosa de Sage.
"O o qu?" Tinsley no sabia do que ela estava falando, e ela realmente no se
importava. contanto que ningum soubesse o que ela esteve fazendo na ltima meia
hora.
O quiexo de Sade caiu "Voc no recebeu o e-mail da Brett?" Suas sobrancelhas
levantaram com interesse, mas ela claramente adorou saber de algo que Tinsley no
sabia.
"O... uh, Women of Waverly?" Tinsley fez sua voz soar com o mximo de desdm
possvel. O Women of Waverly? Dizer isso a entediava.
"Bem, voc perdeu!" A voz de Sage borbulhava de excitao, e Tinsley no conseguiu
evitar sentir uma pontada de inveja por todas terem participado de algo e ela no.
Sage puxou com fora algo embaixo da blusa navy de gola alta. "Desculpa, suti
continua, tipo, pinicando."
Tinsley simplesmente ergueu uma sobrancelha escura, muito bem feita, tentando no
parecer irritada. Ela tocou a maaneta, uma parte dela queria bater a porta com fora
na cara pretensiosa de Sage e deix-la ali ajustando o suti, outra parte queria saber
do que Sage estava falando. Ela iria se amaldioar se perguntasse qualquer coisa
sobre o clube estpido de Brett, mas, isso no significava que ela no queria ouvir a
respeito.
Sage finalmente olhou de relance e viu o olhar irritado deTinsley. "Desculpa," ela disse
rapidamente. "Eu tenho que me trocar. Mas vem comigo  Eu coloco voc a par."
"Claro, que seja." Tinsley foi em direo s escadas, seguindo Sage que deixava um
rastro de folhas amarelas e laranja de suas galochas Burberry com estampa xadrez
magenta e verde enquanto caminhava. Tinsley estava to envolvida em negar o cime
que sentia que ela esqueceu completamente o que esteve fazendo naquela noite - e
que Julian estava em um armrio de vassouras, imaginando porque diabos ela estava
demorando tanto.
OwlNet --------------Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
EasyWalsh: O que voc est fazendo? Preciso falar com voc.
CallieVernon: Sobre?
EasyWalsh: Pessoalmente. Voc pode sair? Me encontra nos estbulos esta noite?
CallieVernon: Esta noite? Eu estou ocupada.
EasyWalsh: Por favor?  importante.
CallieVernon: Se voc quer tanto falar comigo, voc vai ter que esperar at amanh.
Na luz do dia.
EasyWalsh: Certo. Antes do laboratrio?
CallieVernon: Pode ser. Eu tenho algumas novidades para voc tambm.
EasyWalsh: Ok. Saudade. Boa Noite.
CallieVernon desconectou
OwlNet --------------Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
JulianMcCafferty: Cara, voc trancou os tneis que levam de volta ao dormitrio
semana passada?
Heath Ferro: O que quer dizer? A porta do Lasell?
JulianMcCafferty: No Dumbarton.
Heath Ferro: Voc est ferrado  eu tranquei. No queria estranhos por ali.
JulianMcCafferty: Voc conhece outra sada?
Heath Ferro: O que diabos voc est fazendo a essa hora? Tinsley lhe chamou?
JulianMcCafferty: Voc  um idiota.
Heath Ferro: Escuta, mano, se voc descobriu como entrar nas calas dela, voc
definitivamente pode descobrir como sair do dormitrio.
9 - WAVERLY OWLS NO ENTRAM NO DORMITRIO DO SEXO OPOSTO - A
MENOS QUE TENHAM UM MODO DE SAIR
Jenny caminhou cuidadosamente na direo de Callie, tentando no derramar as
canecas de sidra quente que ela segurava em cada mo. Sua colega estava
encostada na beira de um dos sofs vermelhos, segurando o celular e digitando
furiosamente. Depois do encontro do Women of Waverly oficialmente terminar dez
minutos atrs, Brett e Kara foram atacadas por um enxame de garotas alegres
querendo agradecer por elas terem organizado a coisa toda, deixando Jenny e Callie
sozinhas. Enquanto ela se aproximava com as canecas, ela viu Callie colocar o
telefone de volta no bolso de seu casaco de chuva navy Ralph Lauren.
"Obrigada," Callie disse, olhando com surpresa quando Jenny alcanou a caneca.
Suas bochechas estavam coradas, e Jenny no conseguia no ficar curiosa se era por
causa da temperatura elevada no trio ou por alguma coisa que ela tivesse escrito.
"Quer voltar?" Jenny perguntou, largando a sidra enquanto se dava conta de que
estava muito quente para beb-la. Mesmo tendo tirado o pesado suter de l e usando
apenas uma camiseta preta fina Club Monaco, ela podia sentir que seu suti estava
molhado de suor. Repulsivo.
"Sim," Callie respondeu, parecendo aliviada. "vamos l." As duas comearam a
caminhar na noite escura, fria, e Jenny parou por um minuto, deixando o ar frio tocar
sua pele quente antes de colocar o suter. Logo adiante um grupo de outras garotas
se dirigiu para o dormitrio. Callie e Jenny diminuram um pouco o ritmo, o nico
barulho vinha das folhas cadas estalando sob seus sapatos. Elas no estavam
falando, mas pela primeira vez Jenny podia dizer que havia um silncio confortvel
entre elas.
De certa forma, era triste que as coisas com Easy estivessem oficialmente acabadas,
que ela tivesse feito um pacto com Callie, e agora, mesmo se Easy voltasse e
dissesse que a amava, ela teria de recus-lo, mas olhar nos olhos de Callie e prometer
na frente de todo mundo que a amizade delas era mais importante do que Easy, ou
qualquer outro garoto, fez Jenny perceber o quanto ela se sentia mortalmente culpada
em relao a toda situao. Talvez se ela fosse uma pessoa diferente, algum como
Tinsley, ela poderia ter namorado Easy sem culpa, e isso seria maravilhoso. Mas ela
estava cansada de tentar ser outra pessoa. Ela era Jenny Humphrey, gostem ou no,
e Jenny Humphrey no rouba o namorado das outras.
"Ei, eu vou deixar um bilhete para a Brett," Jenny disse enquanto parava no lobby do
Dumbarton. O cho estava coberto de folhas e pegadas deixadas por dezenas de
garotas. Pardee ia ficar furiosa amanh quando visse a baguna.
"Ok." Callie deu um sorriso largo para Jenny por sobre o ombro enquanto andava em
direo s escadas. Jenny a olhou por um segundo. Apesar do fato de Callie ter
apertado tanto quanto possvel o cordo da cintura de sua cala de flanela cinza
L.A.M.B., as calas ainda caiam nos seus quadris, revelando uma pequena marca de
nascena em formato de morango prximo a coluna. Jenny desejou poder faz-la
comer pelo menos um biscoito, mas nem mesmo os deliciosos e quentes biscoitos de
gengibre a haviam tentado durante o encontro daquela noite. "Te vejo depois, colega!"
Ela acenou enquanto desaparecia de vista.
Jenny sorriu de volta para ela, ainda sentindo o calor e a excitao do encontro, e foi
na direo do quarto de Brett. Quando ela passou pelo armrio de vassouras do hall
ela parou. Que barulho era aquele? Era fraco, mas definitivamente vinha do armrio.
Curiosa, Jenny abriu a porta.
"Ai meu Deus!" Ela deu um salto para trs. Havia algum ali! Um garoto! Ela podia ter
gritado se no tivesse reconhecido Julian rapidamente, o calouro alto que sempre
andava com os mais velhos. Ele estava segurando um celular preto na mo direita, o
polegar pronto para comear a teclar.
"Shhh!" Ele sibilou, parecendo quase to assustado quanto ela.
"O que voc est fazendo aqui?" Jenny sussurrou de volta, olhando de relance para o
corredor. Ela no viu ningum, mas ela podia ouvir Benny Cunninghan e algumas
outras garotas na sala de estar vendo a reapresentao de Grey's Anatomy.
"Eu estava, uh..." As pupilas de Julian estavam dilatadas por ficar no escuro, fazendo
Jenny pensar em quanto tempo ele estava ali. E antes de mais nada, em como ele
chegou ali. "Procurando algo que deixei aqui semana passada."
Jenny sorriu com ceticismo. "O que, seu material de limpeza?" Ela apoiou a cabea na
beira da porta, repentinamente consciente da presena de um garoto no Dumbarton.
Julian brincou com a barra gasta da camiseta justa do Pearl Jam. Uma camisa de
flanela cinza estava amarrada descuidadamente em volta de sua cintura. "Bem, eu
estava me esforando ao mximo."
"Oh, claro." Jenny levantou as sobrancelhas concordando, desejando estar usando
algo mais excitante do que o seu suter de l Diesel. "Ento, uh, o que exatamente
voc estava procurando?"
Os olhos dele brilharam na escurido, como se a pergunta dela o surpreendesse.
Jenny no pode evitar rir. Era meio divertido v-lo se esforar. Ele olhou por sobre o
ombro de Jenny. "Meu... uh... meu isqueiro."
Jenny balanou a cabea solidria e bateu as unhas contra a maaneta de lato. "Vou
ficar de olhos abertos. Como ele ?"
"Um Zippo. Prateado, minhas iniciais - JPM - esto gravadas nele." Ele parou e sorriu,
revelando uma pequena covinha abaixo dos lbios ligeiramente rachados. "Voc o
viu?"
"Desculpa." Jenny riu e balanou a cabea, consciente de quanto o cabelo dela
provavelmente estava frizado naquele momento. "O que  o P?"
Julian desamarrou a camisa da cintura e enfiou os braos nela a deixando abotoada. A
cabea dele bateu na prateleira vazia no alto do armrio - ele era alto. "Padgett."
"Padgett," ela repetiu, balanando a cabea pensativa. Deve ser um daqueles nomes
de famlia. "Legal."
"Olha, no me leve a mal," Julian comeou, coando a cabea. "Eu estou me
divertindo muito falando com voc e tal, mas, um, a idia de ser expulso no me
agrada. E voc provavelmente no quer que as pessoas pensem que voc  maluca,
falando com um armrio de vassouras."
"Oh, certo." Ela riu. "Me deixe dar uma olhada." Jenny fechou a porta levemente e se
esgueirou at a sala de estar. Cerca de oito garotas estavam grudadas na televiso, e
elas no iriam sair dali at que o seriado acabasse, nem mesmo nos comerciais. Ela
deu meia volta e quase correu direto para Angelica Pardee que saia do banheiro com
um robe grosso e florido que parecia ter sado do armrio da av, seu cabelo enrolada
em um turbante atoalhado branco. "Oi!" Jenny disse radiante, dando um passo para o
lado para deix-la passar.
"Oi, Jenny." Pardee balanou a cabea, a caracterstica expresso mau humorada
espalhada no rosto mido. "Voc notou o quanto o fluxo de gua desses chuveiros 
baixo?"
"No, uh, eu no percebi." Ela tentou manter a voz normal, mas ela tinha certeza, pela
maneira como Pardee a olhava que ela estava no mximo sendo engraada. Ela
nunca ganhou um jogo de pquer na vida.
"Ok." Pardee suspirou e foi na direo do seu apartamento no final do corredor, "Acho
que vou ter que reclamar disso tambm." Seus pingos caiam no cho de mogno
polido, deixando um rastro de pegadas molhadas pelo caminho. Pelo menos ela no
percebeu as folhas embarradas. Jenny esperou at ouvir a porta de Pardee fechar
antes de abrir a porta do armrio.
"Voc est certa que  seguro?" Julian perguntou nervoso, se esgueirando para fora
do corredor. "Eu meio que me acostumei com o armrio."
Jenny riu de novo e agarrou o brao dele, puxando ele com fora. O corao dela
acelerou e ela sentiu com se estivesse brincando de esconde-esconde. "Apenas fique
quieto!" ela sussurrou, travando quando eles se aproximaram da porta de Pardee. Os
dois passaram pela porta na ponta dos ps, ento foram em direo  porta dos
fundos. Jenny no respirou de novo at que a porta estivesse aberta, e Julian
estivesse no gramado do lado de fora.
"Aqui," ela sussurrou com firmeza, "Agora, v embora!" Ela tentou parecer severa mas
foi possvel perceber um sorriso na sua voz.
Julian esfregou as costas da mo na testa com exagero. "Meu anjo da guarda. Voc
salvou a minha vida."
"timo. Voc me deve uma." Jenny fez um gesto com as mos, como se o
espantasse. "Vou continuar procurando seu isqueiro, Padgett."
Julian deu um sorriso divertido que ela no conseguiu decifrar. "Te vejo por a," ele
disse finalmente, e ento desapareceu na noite sem lua.
Jenny ficou parada na porta por um momento, respirando fundo o ar do outono antes
de explodir em risadas. Seu relacionamento com Easy podia estar dando o ultimo
suspiro, mas de repente parecia que outros garotos poderiam dar um novo sopro de
vida na Waverly.
OwlNet --------------Caixa de Mensagem Instantnea
...............................................
JulianMcCafferty: Ei, onde voc foi?
TinsleyCarmichael: Aimeudeus, voc saiu? Eu esqueci completamente.
JulianMcCafferty: Eu meio que percebi.
TinsleyCarmichael: Desculpa - aconteceu algo. Eu vou tentar compens-lo.
JulianMcCafferty: ? Como?
TinsleyCarmichael: Eu te vejo amanh. Podemos terminar o que comeamos.
JulianMcCafferty: Pense nas maneiras em como pode se desculpar.
TinsleyCarmichael: Estou pensando...
10 - CONVERSAS PRIVADAS DEVEM ACONTECER EM PARTICULAR, OU SEJA,
NO EM PBLICO
Insuportavelmente cedo na manh seguinte, Callie parou na porta de sua aula de
Latim, se obrigando a no adormecer em suas botas de cano alto Chlo. A nica
maneira de ela sair da cama nas manhs de segunda e quarta era separar uma roupa
nova na noite anterior. Hoje ela estava usando seu agasalho de cashmere Iisli no tom
de rosa mais plido possvel, uma novssima saia preta Theory com uma prega na
frente, um par sexy de meias de croch pretas feitas  mo, e suas botas de couro
pretas. Mas nem sua roupa sexy nem a adrenalina alta por causa do encontro da noite
passada conseguia manter seu esprito alerta - Latim era absurdamente chato, e o Sr.
Gaston, que, toda quarta-feira chamava um aluno para recitar a Eneida, de cabea,
no tornava a coisa mais suportvel. Ela parou do lado de fora da sala para respirar
fundo.
"A gente pode conversar?" Easy de repente apareceu na frente dela, usando seu
suter de l listrado verde e dourado - aquele com os buracos nos cotovelos. Callie
odiava conhecer cada pea de seu guarda-roupa de cor. E que ela tinha memorizado
os horrios dele e portanto sabia quando podia ou no esperar encontr-lo. Ele
supostamente devia estar do outro lado do campus agora, no Webster Hall. Ento, o
que ele estava fazendo ali?
"O que foi?" Callie tentou fazer a voz soar aptica, mas ela no conseguiu evitar - no
momento em que ela colocou os olhos nele, ela estremeceu de leve. Ela tentou pensar
no Sr. Gaston a chamando para recitar um trecho de Ovdio e isso a acalmou um
pouco- mas tambm a deixou de mau humor. "Eu disse que ns podiamos conversar
depois da aula de biologia."
Easy colocou a mo no brao de Callie e a puxou para o canto do corredor, fora do
caminho dos alunos que entravam na sala de aula, e olhou para eles com ar sbio.
"Eu no consegui esperar tanto. Olha, eu..." Sua voz diminuiu. Ele parecia meio mal,
como se no tivesse conseguido dormir na noite anterior. Mas provavelmente, no era
porque ele havia ficado pensando nela ou algo assim - ele devia ter ficado at as trs
da manh jogando algum video game idiota. Ela ficou na defensiva. "Eu quero voltar."
Comigo? Ou com Jenny? Callie no conseguiu evitar o pensamento. Ela olhou os
crculos escuros ao redor dos olhos dele e enrolou a faixa rosa e macia se seu suter
em volta do punho. "Q...qu?" Ela olhou para cima exatamente quando Benny
Cunninghan, em um vestido plo listrado em verde e marinho - uhm, hello, listras
horizontais?  pisou na sala de aula, mas no sem antes dar a Callie uma piscada
gigantesca, totalmente bvia.
"Eu cometi um grande erro." Os olhos azuis escuros de Easy pareciam mais tristes do
que ela jamais havia visto. Ele estava usando uma Levi's que implorava para ser
jogada no lixo, e tinha uma mancha de pasta de dente no canto do lbio. "Eu
realmente no queria magoar voc. Eu acho que eu precisava de algum, uhm, tempo
para pensar." Ele engoliu em seco. "Mas eu amo voc." Ele deixou escapar, como se
ele j tivesse dito isso um milho de vezes.
Callie mordeu a parte de dentro da bochecha, o corao doendo no peito. Ela queria
que Easy a amasse desde praticamente sempre. Ok, bem, por meses, e isso parecia
sempre. Mas o momento que ele escolheu no podia ter sido mais errado. Noite
passada, na frente de praticamente toda a escola, ela e Jenny haviam feito um pacto
de colocar sua amizade acima de Easy. Porque Easy no disse isso ontem?
"Ento voc terminou com Jenny?" Callie perguntou de repente, lembrando que pelo
que ela havia escutado  de Jenny  foi ela quem sugeriu que eles precisavam de um
tempo para pensar.
Easy encarou os sapatos. As pontas de seus Vans marrons pareciam engraadas
contra o mrmore recm polido do cho do corredor. ", bem, eu ainda no fiz isso."
"Voc dificulta tudo." Callie no podia olhar nos olhos de Easy - era muito difcil. Ela
tinha medo que ele fosse capaz de ver atravs de seus olhos e percebesse o quanto
ela sentia falta dele, e o quanto ela desejava se aninhar em seus braos e fingir ainda
era ano passado. Mas no era, e Easy no podia mudar as coisas apenas estalando
os dedos. "S porque voc se sente assim hoje no quer dizer que v se sentir assim
amanh. Como posso saber que voc no vai mudar de idia de novo?"
Callie olhou para baixo e de repente lembrou que suas botas de montaria Chlo eram
as mesmas que ela estava usando no terrvel dia que Easy disse a ela que estava
tudo acabado. Quando ela atravessou a quadra, gritando, na frente de todo mundo,
para voltar para o seu quarto e se esconder e chorar no ombro de Tinsley, sentindo
como se sua vida tivesse acabado. Aquele foi o pior dia de sua vida - e ela teve alguns
dias ruins, como quando ela quebrou a clavcula caindo de um cavalo e sua gatinha,
Butterscotch, foi atingida por um carro no mesmo dia. Mas nada se comparava  forma
como ela se sentiu completamente rejeitada quando Easy a dispensou assim,
completamente insensvel.
Easy abriu a boca para dizer algo, mas Callie o interrompeu, batendo o bico da bota
no piso de mrmore. "No." Ela gostou da forma como o som de sua voz ressou no
corredor agora silencioso  a fez se sentir forte. "Ns podemos ser amigos.  isso.
Voc no pode ter sempre tudo o que quer, sempre que quiser, Easy Walsh."
Ela no percebeu o quanto ela havia deixado a raiva tomar conta de sua voz at que o
Sr. Gaston apareceu na porta da sala de aula, seu bigode preto contrado com
irritao. "Est tudo bem por aqui?"
"Sim, ns estvamos apenas terminando uma conversa." Callie balanou a cabea
com firmeza e, com uma ltima olhada por sobre o ombro, deslizou atrs do Sr.
Gaston para dentro da sala de aula, deixando Easy sozinho no corredor vazio.
Ela estava feliz por t-lo repreendido e tido a palavra final. Exceto pelo fato de que ela
no conseguia parar de pensar no quo agradveis aquelas palavras - aquelas trs
palavrinhas maravilhosas  soaram vindas dele.
11 - UMA WAVERLY OWL FAZ A CORTESIA DE DIVIDIR COM OS COLEGAS O
CONTEDO DE UM PACOTE QUE RECEBE DE CASA.
Ao meio-dia, a sala de correspondnciano Maxwell Hall estava palpitando de vida
enquanto as Waverly Owls fuavam suas caixas de correio antes do almoo na
esperana de encontrar cartas de amor, o novo nmero da W ou, melhor ainda, um
aviso de grande volume. Tinsley teve que ficar na ponta dos ps para ver a Caixa 270,
na fila de cima. Seria de se pensar que a administrao teria senso suficiente para dar
as caixas de correio mais altas  gigantes do basquete e as mais baixas aos alunos
menos compridos da Waverly. Normalmente, Tinsley no se importava de esticar - ela
sabia que ficava meio sexy na ponta dos ps, o suter subindo e revelando parte da
pele - mas hoje por acaso estava de sapatilhas de veludo vermelho Miu Miu que no
tinham salto nenhum, com um vestido-tnica Free People curto de veludo cotel preto.
O seu vestido sem dvida revelaria demais do traseiro se ela tentasse se esticar
muito. Embora no fosse l muito recatada, Tinsley no ia dar um show de graa para
toda a sala de correspondncia. Frustada, ela pulou, tentando espiar a abertura, a
pesada bolsa de couro Juicy batendo desagradavelmente no quadril.
- Est com problemas? - piou uma voz atrs dela. - Aposto que est rezando para que
algum bem alto... e bonito... e jovem... venha ajudar voc.
Tinsley revirou os olhos ao ouvir a voz de Heath Ferro, virando-se para encar-lo. Ele
vestia uma camisa polo Lacoste amarela-clara que aprecia ofuscante de nova, a gola
erguida. Parecia que ia jogar golfe.
- Importa-se? - perguntou ela, numa falsa doura, decidida a no deixar transparecer a
irritao. Seria uma espcie de piadinha sobre Julian? - Pode pegar a
correscpondncia em minha caixa, ou  demais pedir isso a um super-heri?
- Nunca recuso a ajudar uma donzela em perigo - disse Heath galantemente,
alcanando sem esforo a caixa de correio. - S que tem que prometer dividir comigo.
- Ele estendeu um carto amarelo de AVISO DE GRANDE VOLUME por sobre a
cabea de Tinsley.
Ela riu e pousou a mo no quadril, para no pular no pescoo de Heath Ferro.
- Ah, tenho certeza de que no  nada que te interesse. Devem ser as calcinhas La
Perla que encomendei.
- Ento tem mesmo que dividir comigo. - Heath fingiu desmaiar enquanto Tinsley
pegava o carto da mo dele. - Pensei que as meninas no dissessem "calcinha".
- Elas dizem quando tem homem por perto. - Tinsley foi direto para o guich da sala de
correspondncia, Heath seguindo-a como um filhotinho de cachorro. Mas ele no tinha
nada melhor para fazer? - Duzentos e setenta - disse ela, entregando o ticket 
menina do balco. Rapidamente foi recompensada com um pacote do tamanho de
uma caixa de sapatos.
- Adea, ? - rguntou Heath, inclinado-se por sobre o ombro de Tinsley para olhar.
- Como  que voc... Ah. - Tinsley baixou os olhos para o pacote, percebendo que sua
me inclura o nome de meio no destinatrio: Tinsley Adea Carmichael. -  de minha
av dinamarquesa - murmurou ela, enquanto o resto do endereo chamava a sua
ateno. Na letra elegante e inclinada para trs da me, dizia Caixa 207. Meu Deus,
era o terceiro ano dela ali e sua me ainda no tinha o endereo certo. Era melhor que
fosse uma coisa boa. O endereo do remetente era da cobertura dos pais em
Gramercy Park. Hummm. Ela pensou que eles estivessem em Amsterd, o pai estava
tratando de uns negcios exorbitantes, mas  claro que eles no a mantinham
informada de sas mudanas de planos.
- Vou te pagar um mochaccino se me mostrar o que tem na caixa - barganhou Heath
enquanto Tinsley colocava o pacote embaixo do brao.
-  seu dia de sorte, Ferro. - Ela deu de ombros e os dois foram para o refeitrio. Ela
bem que precisava de um pouco de estimulante, ou seria impossvel passar por todas
as aulas da tarde.
- Ento o Julian, hein? - Heath olhou para Tinsley pelo canto dos olhos, uma
expresso perfeitamente angelical nas lindas feies. Os dois passaram com cuidado
por cima de um catlogo abandonado da J.Crew ao sair da sala de correspondncia.
Cretino. No havia dvida de que ele sabia de algum coisa. E se Heath sabia, enta
todo o campus na ficaria muito para trs. Ela rapidamente ps a mo no antebrao
dele e apertou um pouco, baixando a voz ao registro gutural que sabia que os meninos
achavam sexy.
- Sabe que voc  o nico para mim, HF.
- R! - Ele fingiu olhar Tinsley com desconfiana, mas ela podia ver a cobia em seus
olhos. Heath era to excitvel que uma pequena dose do tpico charme Crmichael era
o bastante para fazer com que ele esquecesse Julian. Por enquanto. - Voc  to
provocante - disse ele, mantendo a porta aberta do refeitrio e seguindo-a enquanto
ela ia pegar as bebidas com o barista.
- A, segura essa. - Heath a seguiu at uma cabine no canto. Ela largou a caixa na
mesa sem interesse e sentou-se numa banqueta estofada de couro vermelho. Heath
olhou em volta, como se isso no fosse suspeito, antes de continuar numa voz rouca. -
Meu contato na loja de bebidas disse que pode nos arrumar uns barris bem baratos e
at ofereceu o celeiro da famlia em algum lugar na cidade. - Ele esticou os braos no
alto para que a camisa subisse e revelasse a barriga malhada e firme. - Acha que a
gente pode subornar Marymount de algum jeito para ele deixar todo mundo sair do
campus?
Tinsley ergueu a sobrancelha e vasculhou a bolsa. Pegou uma pequena lixa de unha
Sephora que andava com ela o tempo todo, cortando a fita adesiva do pacote que veio
da me. No s a lixa de unha era uma mo na roda para emergncias de manicure,
como fazia com que ela se sentisse uma Nancy Drew. Ou o MacGyver.
- E se eu levar a ideia a ele? - as engrenagens j giravam; Marymount com certeza lhe
devia um favor por ela guardar os segredos dele. O fim de semana em Boston j fora
h semanas e ela, Heath e Callie conseguiram, de uma forma um tanto surpreendente,
ficar de bico fechado sobre t-lo flagrado aos beijos com a igualmente casada
Angelica Pardee. Agora sem dvida nenhuma era a vez de Marymount agradecer a
ela.
- Meu amor, voc  linda, mas nem tanto. - Heath estendeu a mo para o pacote, mas
Tinsley o afastou de Heath. - Acha que se voc pedir para deixar a gente ter uma festa
regada a cerveja fora do campus e mostrar um pouco da perna, ele vai concordar?
- No, seu merda. - Tinsley espiou o pacote, vendo de relance a caixa dourada com a
palavra Teuscher. Hummm. Trufas suas. Era mesmo coisa de dividir. Ela puxou a
caixa, abriu-a um pouco e retirou cinco notas de cem dlares que foram
elegantemente colocadas por dentro, no alto do forro. Sua me smepre lhemandava
dinheiro, como se ela no tivesse um carto de dbito - e como se houvesse alguma
coisa em Rhinecliff para comprar alm de camisetas de batik e maconha. Ainda assim,
era um delicadeza da me. - Eu seira um pouco mais criativa do que isso. Posso
pensar numa coisa mais legtima... Como uma sesso ao ar livre do Cinephiles. - Ela
se impressionou com a velocidade com que estava pensando. Ela realmente era uma
Nancy Drew, com um que de perversidade.
Heath voou nos chocolates, enfiando dois na boca de uma vez. Tinsley o encarou,
meio impressionada que ele pudesse ser to grosso e ainda to bonito ao mesmo
tempo.
- Acha que vai dar certo? - perguntou ele de boca cheia.
Tinsley pegou uma trufa de framboesa com dupla camada de chocolate em seu leito
delicado de papel e a colocou na lngua, permitindo que os luxuosos sabores
derretessem devagar em sua boca. Ela encostou a cabea na parede da cabine e
fechou os olhos. S quando o chocolate redondo desaparecesse completamente ela
se incomodaria em abrir um nico olho violetapara responder.
- Eu sei que vai.
12 - UMA WAVERLY OWL SABE QUE AS COISAS BOAS CHEGAM AO FIM -- E
QUE S VEZES  MELHOR ASSIM.
-- O dever de casa--anunciou a Sra. Silver na quarta-feira  tarde, destacando o
suficiente a palavra dever para Jenny saber que ningum na eletiva de desenho de
figura humana pensava nisso desta forma -- ser desenhar ou pintar um membro do
sexo oposto, tentando revelar algo de sua personalidade.--Seus olhos azuis de
Mame Noel cintilaram. -- Sejam criativos. E por favor, tragam na sexta. -- Ela elevou
a voz para superar os rudos dos alunos que fechavam os blocos de desenho e
atiravam os lpis nas caixas. -- Esperamos alguns visitantes no campus no fim de
semana e gostaria que eles vissem como nossos alunos de arte so talentosos.
Jenny colocou o pedao grosso de carvo num compartimento especial em sua caixa
de lpis ArtBin e tentou no pensar no dia em que Easy lhe pediu para encontr-lo em
sua clareira especial no bosque, quando fez o retrato dela. Agora, tudo naquele dia
parecia to perfeito que Jenny queria poder congelar a lembrana de algum modo e se
recordar sem toda a complicao enjoada que a acompanhava.
Naquele momento, Easy estava do outro lado da sala, numa banqueta ao lado de
Parker DuBois, tomando notas em seu caderno Moleskine. Ela falou a srio no pacto
que fez com Callie -- embora, pelo modo como Easy estava agindo, talvez nem fosse
necessrio. Talvez Easy j a tivesse superado.
-- Ah, e meninos... Gostaria que diversificassem e usassem como modelo algum de
fora desta turma. -- A Sra. Silver torceu o narizinho redondo. -- Dem uma sacudida
nas coisas. --Ela balanou os quadris numa hula-hula, como que para ilustrar o que
queria dizer.
Jenny de imediato ficou aliviada. Que bom. Agora ela e Easy sem dvida no
poderiam desenhar um ao outro. Ento ela no precisava se preocupar com a
possibilidade de ele dizer no.
Embora ela tenha ficado pensando a manh toda em como ia ter que terminar com ele
- se eles ainda estavam juntos, o que ela nem tinha certeza - na verdade Jenny no
estava com vontade de fazer isso hoje. No quando estava com seu jeans Citizens of
Humanity preferidos, presente de Natal do pai que representava a nica vez em que
ele comprou um artigo de vesturio que ela usaria em pblico.  claro que ela mandou
a ele um e-mail do exato par que ela queria da Saks.com, com o tamanho e tudo, mas
ela no esperava que ele realmente fosso comprar para ela. Ela no queria que eles
se transformassem nos jeans que ela estava usando quando terminou seu
relacionamento com Easy.
- Quer uma xcara de caf antes do treino? - perguntou Jenny a Kara enquanto elas
lavavam as mos sujas de carvo nas pias nos fundos do ateli. Ela sabia que era
neurose, mas no queria ficar sozinha agora. Alison j havia escapulido cedo da aula
para se encontrar com Alan e estudar latim na biblioteca - at isso parecia bom para
Jenny.
- Desculpe, no posso. - Kara secou as mos sem uma das toalhas de papel de
qualidade industrial pardas e duras que sempre aparecia nos prdios de belas- artes. -
Tenho uma reunio como o Sr. Wilde para falar de meu trabalho de histria.
- Ah. - Jenny sorriu para a amiga. - Sorte sua. - Ela j estava curiosa para comear o
curso de histria americana avanada no ano que seguinte. Passou pelo superlindo
Sr. Wilde no Stansfield Hall uma vez e viu que ele usava uma camiseta do Modest
Mouse por baixo da camisa azul bem passada e da gravata.
As meninas pegaram as bolsas e seguiram pelo corredor, saindo do prdio. Jenny
olhou em volta mas no viu Easy em lugar nenhum. Kara pegou um tubo de Blistex
cereja no bolso do casaco de jeans surrado e passou nos lbios.
- Bom, digamos que histria  uma matria em que no me importo de ter uma
ajudazinha.  Ela piscou para Jenny enquanto elas abriam as portas duplas para o
mundo e o sol quente que brilhava, todo o campus pintado de vermelhos, laranja e
amarelos vivos.
Jenny acenou um adeus a Kara e viu a amiga se afastar. Parou para pegar os culos
de aviador na bolsa e viu que ali, encostado numa das colunas, Easy Walsh esperava
por ela.
- Posso te acompanhar?  Easy protegeu os olhos do sol com uma das mos
enquanto a outra segurava seu bloco de desenho. Jenny passou a bolsa pesada para
o outro ombro.
- Claro.  Os dois rapidamente andaram juntos, atravessando o ptio. Folhas enormes
de carvalho se espalhavam pela grama e Jenny se curvou para pegar um. Era amarela
com manchas alaranjadas e to linda que Jenny pensou que gostaria de prens-la
entre papel de seda e dar ao pai. Talvez fazer um marcador de livros. Ela no fez isso
uma vez, no acampamento de arte? Tentou pensar neste novo projeto  ou, na
verdade, em qualquer coisa que no fosse o que Easy estava prestes a dizer.
- Mas a, eu, er, andei pensando muito.  A voz dele estava estranha, como se ele
tivesse ensaiado o que tinha a dizer, ou como se esperasse que Jenny estivesse puta
com ele. Ela parou de andar e se virou para ele. Abriu o zper do casaco J.Crew de
capuz.
- Eu tambm.
Easy assentiu.
-  mesmo?  Ele no parava de tocar o mao de cigarros no bolso de trs do jeans,
como se estivesse morrendo de vontade de acender um, mas os dois estavam
parados no meio do campus, a cu aberto.  Que bom. Hummm, eu s acho que
seria, sabe como , uma boa idia se... a gente terminasse.
Ela estava se preparando para aquelas palavras, mas ainda assim magoaram. Mas
havia mais alguma coisa, algo que ela no esperava sentir: alvio. Pelo menos agora
tinha uma resposta. Ela e Easy terminaram. Ela e Callie podiam ser amigas e colegas
de quarto de novo. Ela assentiu devagar, vendo uma dezena de meninos e meninas
com suteres de tric correndo escada abaixo em um dos prdios de tijolinhos.
- Acho que  o melhor a fazer.
Ele olhou para ela hesitante, meio surpreso, como se no esperasse que fosse to
fcil, e Jenny se perguntou se ele esperara que ela comeasse uma briga, como Callie
fez quando ele terminou com ela. Todo o alojamento masculino ouviu Callie gritando
com ele. Mas esse no era o estilo de Jenny e, alm de tudo, ela no estava com
raiva. S estava triste. Ela se mexeu desajeitada de um p para outro.
- A gente ainda pode, er... ser amigos, no ?
Jenny sabia que era difcil para ele dizer alguma coisa to clich e, bom, to idiota.
Parecia to estranho vindo dos lbios dele que quase a fez rir.
- Claro  ela lhe disse.
Easy esfregou a ponta do nariz com o polegar e o indicador sujos de tinta.
-  mesmo?  Ele olhou para ela por cima da mo e ela sentiu os olhos escuros de
Easy explorando seu rosto.
-  mesmo.  Jenny sorriu para ele, embora seu estmago ainda estivesse cheio de
ns. Apesar de ela j sentir falta de colocar as mos nos cachos desgrenhados de
Easy, ou de beijar seus lbios rachados, ela se sentia muito aliviada porque no ia
fazer mais nada de errado.
- Olha...  Ela se interrompeu, sem ter a menor idia do que dizer. Olhou o cu claro e
azul e viu uma coruja marrom entre duas rvores. Fez com que pensasse em seu
primeiro dia na Waverly, quando ela praticamente foi atacada por uma delas. Ela bateu
a ponta da sandlia Mary Jane Dansko vermelha na grama e se perguntou se tudo na
Waverly sempre aconteceria com tanta rapidez.  Eu gosto de voc, Easy. Isso no
vai mudar s porque as coisas vo ser... diferentes.
- .  Ele sacudiu a cabea devagar, ainda parecendo surpreso. Por sobre o ombro
dele, Jenny localizou Tinsley andando de minissaia preta, os culos de sol Fendi
empoleirados elegantemente na ponta do nariz.
Easy mordeu os lbios meio rachados.
-  srio, voc deve ser a garota mais legal que j conheci.  Ele puxou para cima as
mangas do suter cinza de aparncia cara, agora coberto de manchas de carvo.
- Vou considerar isso um elogio.  Jenny tombou a cabea para o Dumbarton.  Olha,
eu preciso ir.  Ela se sentia meio tonta e queria conversar com Brett. Talvez chorar
um pouco. E depois ir para o treino, correr pelo campo at que as pernas comeassem
a tremer a bater na bola de hquei com fora algumas vezes. E depois talvez, esta
noite, ela, Brett, Callie e Kara pudessem ver um filme na sala de estar do segundo
andar, alguma coisa boba que a distrasse, e comer pipoca queimada.
Easy parou e abriu a boca um pouco, como se quisesse dizer alguma coisa, mas no
saiu palavra alguma. Jenny simplesmente acenou para ele e se afastou. Enquanto
suas Mary Janes a levavam cada vez mais para longe do menino que ela achou que
amava, ela no se sentiu tentada a olhar para trs.
OwlNet --------------Caixa de Mensagem Instantnea
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JennyHumphrey:  oficial. Easy e eu terminamos para sempre. Ele fez o trabalho
sujo.
CallieVernon:  mesmo? Caraa. Como est se sentindo?
JennyHumphrey: Sei l. Triste. Mas aliviada.
CallieVernon: Aliviada?
JennyHumphrey: , estou feliz por finalmente colocar nossa amizade em primeiro
lugar.
CallieVernon: Quer dar uma animada? Umas margaridas  noite?
JennyHumphrey: timo.
13 - UMA WAVERLY OWL NO PASSA BILHETINHOS EM AULA --  PARA ISSO
QUE SERVEM AS MENSAGENS DE TEXTO.
No final da manh de quarta-feira, Brett encarava o quadro-negro da aula de clculo,
incapaz de entender o que significavam todos aqueles grficos e nmeros, nem que
sua vida dependesse disso. A Dra. Goldstein, a professora de matemtica
absolutamente arcaica com doutorado no MIT, normalmente conseguia baixar o ritmo
o bastante para que os alunos acompanhassem os complicados processos
matemticos que escrevia no quadro, mas hoje Brett estava totalmente perdida.
Talvez porque ela e outras meninas tenham ficado acordadas at tarde na sala-de-
estar do primeiro andar, fofocando sobre meninos e sexo em vez de estudar. Alguma
coisa na reunio das Garotas da Waverly realmente soltara todo mundo e ficar
sentada ali, bebendo Coca Light e comendo Pirate's Booty, foi muito, muito bom.
Normalmente, todas as meninas da Waverly pareciam competir de forma to
inconsciente -- ou consciente --com as outras, sempre querendo saber quem tinha a
bolsa mais nova, os sapatos mais sensuais ou o namorado mais gato. Mas ontem 
noite foi um alvio para tanta tenso. Brett sentia que sua vida na Waverly de repente
dera uma guinada para melhor, apesar do fato de que este ano sua vida amorosa dera
uma guinada dramtica--mais com q um mergulho de bico -- para pior.
Ela simplesmente no conseguia superar o fato de que Jeremiah tinha mesmo
dormido com outra. Se ele tivesse beijado aquela moderninha idiota, isso ela poderia
compreender. Os beijos aconteciam. Mas sexo? Sexo no era uma coisa que
simplesmente acontecia. Tem um monte de fases at chegar a ele -- e um monte de
chances para ele parar e talvez, s talvez, sabe como , no fazer.
Brett sentiu alguma coisa pinicar nas costas atravs do su-ter fino e cinza de capuz.
Um veterano corpulento do time de futebol americano atrs dela estendia uma folha de
papel de caderno que tinha dobrado um bilho de vezes num tringulo pequeno.
Ela ergueu as sobrancelhas para ele, perguntando-se por que ele a estava mandando
um bilhete quando eles nunca trocaram sequer duas palavras. Ele inclinou a cabea
para a esquerda, indicando, do outro lado do corredor, a figura de Heath Ferro,
recostado na cadeira como se fosse uma poltrona. Ele piscou para Brett.
Que timo. Ela se virou e lentamente abriu o bilhete por baixo da mesa, com cuidado
de fazer o mnimo de barulho.
Mas ser que agora Heath passava bilhetinhos? Era to de calouro. Em sua letra
cursiva surpreendentemente bonita, o bilhete dizia, Eu vi um monte de beijos na vida,
e DEFINITIVAMENTE havia alguma coisa no seu beijo com Kara. No ?
Brett sentiu-se corar. Como  que ? Ela resistiu ao impulso de amassar o bilhete
numa bola minscula e jog-lo de volta para Heath. Em vez disso, dobrou o bilhete
com cuidado em seu tringulo original e o colocou no bolso dos jeans Seven pretos de
pernas largas. Ela encarou o quadro-negro e tentou se concentrar nos nmeros.
Depois sentiu alguma coisa vibrando em silncio ao lado e lentamente sacou o Nokia
prata do bolso do blazer marrom da Waverly, pendurado na cadeira, e casualmente
escondeu o celular no colo. Era uma mensagem de texto de Heath.
 SRIO! PARECIA TOTALMENTE QUENTE. VOC DEVE TER SENTIDO ALGUMA
COISA.
Ela digitou uma resposta rpida. T MALUCO.
Quase de imediato, seu telefone vibrou de novo. Brett olhou pela sala e viu que a
maioria dos alunos no prestava ateno nela, ou encaravam bestificados o quadro-
negro, ou digitavam sob as carteiras. De nada adiantava proibir celulares no campus;
todos os usavam durante as aulas. Ela leu o que Heath escrevera. NO ENGULO
ESSA. AS DUAS PARECIAM... EXCITADAS. ACHO QUE DEVIA EXPERIMENTAR
DE NOVO.
Brett tinha certeza de que ele enlouquecera de vez. Ou foi tomado pelo poder de sua
vida de fantasia. Ele provavelmente correu para o alojamento depois da reunio das
Garotas da Waverly e se gabou com todos os meninos de que tinha estado com um
grupo inteiro de gatas enquanto o resto deles jogava Xbox
ou coisa assim. Sem olhar para Heath, ela largou o celular na bolsa Hobo Kate Spade
de couro vermelho, indicando a ele que no ia dar resposta nenhuma. Depois que o
sinal tocou, Heath conseguiu espremer Brett do lado de fora da porta.
-- Ei, eu falei srio. -- Ele a pegou pelo brao e a puxou de lado. -- Parecia mesmo
que voc...
-- Olha, no fao idia do que est falando. -- Brett o empurrou na parede e foi para o
fluxo de alunos felizes por terem terminado as aulas da manh. Ningum prestava
ateno neles, mas Brett ainda estava irritada, embora tentasse no demonstrar. --
Algum pode ouvir, seu idiota.
Heath passou o brao no ombro de Brett e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas
Brett o interrompeu, olhando em volta e inclinando-se para falar perto do ouvido dele.
-- Eu no sou... lsbica.
-- Eu no disse que . -- Heath deu de ombros. -- No tenho a pretenso de
entender o mistrio da sexualidade feminina. --A gola da camisa polo Lacoste cor de
banana estava meio erguida. -- S estou dizendo que devia experimentar beijar K...
-- Brett o silenciou com um olhar -- ela de novo e ver como .
Brett enxotou friamente o brao dele de seu ombro.
Heath a seguiu de perto enquanto Brett andava pelo corredor de mrmore com seu
salto alto Via Spiga. Ela sentia o cheiro de loo ps-barba enquanto ele se inclinava
no ombro dela e sussurrava em seu ouvido:
-- Se no quiser tentar, pode falar com a Srta. Emory. -- Ele riu ao arrastar e guinchar
os tnis no cho. A Srta. Emory, professora de histria, era uma famosa amante de
mulheres. -- Talvez ela tenha algumas palavras de sabedoria.
A irritao de Brett ferveu por dentro, mas ela rapidamente se lembrou de onde
estava, depois que sentiu uma dzia de olhos nela. No havia como continuar uma
discusso de sua sexualidade -- com Heath Ferro, justo com ele -- diante de toda a
escola. Brett se virou e meteu o indicador com unha vermelha no peito de Heath,
quase de um jeito sedutor. Ela o fitou nos olhos verdes indolentes com os olhos
penetrantes e sustentou a encarada.
Inclinou-se para ele e os olhos de Heath passaram para os lbios dela, como se
esperasse que o beijassem.
-- No. Fale. Nisso. De. Novo. -- Brett falou devagar, enunciando cada palavra, e
Heath ficou ali, parecendo hipnotizado. Pronto, pensou ela, triunfante, perguntando-se
se tinha baixado uma Tinsley nela. De repente Brett se afastou de Heath num giro de
corpo e foi para a pesada porta da frente, saindo para a clara tarde de outono.
Ela tentou organizar os pensamentos, mas parecia que eles estavam espalhados por
todo lado -- meio como se sentiu o dia todo. O que ela precisava agora era ir 
biblioteca, pegar um livro de Dorothy Parker -- que no era lsbica -- e pensar em
outra coisa alm de si mesma. De imediato uma citao de sua escritora preferida lhe
veio  mente, quase como um pressentimento: "No so as tragdias que nos matam,
so as enrascadas."
Ela esperava que sua vida no estivesse se transformando numa dessas enrascadas.
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BennyCunningham: Acho que Brett pode estar a fim de Heath.
AlisonQuentin: Humm... E os porcos tm asas.
BennyCunningham: No,  srio! Eles estavam cochichando no corredor hoje, e
estranhamente perto.
AlisonQuentin: Quem sabe Heath tinha alguma coisa interessante para dizer?
BennyCunningham: Francamente. Quando foi a ltima vez em que isso aconteceu?
AlisonQuentin: Ra. Ento deve ser amor!
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EasyWalsh: Onde voc est?
CallieVernon: Agora? Atravessando o ptio, indo para o treino. Por qu?
EasyWalsh: Fique onde est, chego em 2 minutos.
CallieVernon: Como ? Por qu?
CallieVernon: EZ!
14 - UMA WAVERLY OWL NUNCA CHEGA ATRASADA NOS TREINOS SEM UMA
PORCARIA DE UMA BOA DESCULPA.
Depois da mensagem misteriosa de Easy, Callie largou o celular no bolso do suter
Vassar de capuz cinza e parou no meio do ptio, perguntando a si mesma se devia se
dar ao trabalho de ouvi-lo. Fazia frio e as aves voavam no alto em sua formao em V,
dando a impresso de que j iam para o Sul. Pssaros inteligentes. Callie sentia frio,
mas ela sempre sentia frio ultimamente -- era a nica desvantagem de ficar to
magra. No que ela se sentisse magra com o moletom grosso e felpudo e calas de
moletom cinza. Callie olhou em volta para os alunos agrupados, correndo para as
aulas, alojamentos e treinos, e percebeu subitamente que todos em volta dela
estavam em movimento enquanto ela estava imvel. De imediato comeou a fazer
alongamentos de aquecimento do hquei, como se no fosse totalmente esquisito
fazer isso no meio do ptio em vez de no campo. Mas que porra. Por que Easy
sempre fazia isso com ela? E por que ela sempre deixava? Maldito.
Ela fervilhava ao se abaixar num V para alongar as pernas, sentindo o sangue subir a
cabea. Ela desceu as mos at os ps na grama e, pelas pernas abertas, viu Easy
correndo pelo ptio na direo dela. At de cabea para baixo ele era totalmente lindo
e ela sabia, pelo modo como a bolsa de carteiro dele batia nos quadris, que ele estava
correndo -- para chegar a ela. Callie rapidamente se endireitou, o sangue correndo
pelas veias. Sacudiu o cabelo louro arruivado, que devia ter grama, insetos ou outra
nojeira de ficar de cabea para baixo. Eca.
-- Que foi? -- perguntou ela bruscamente enquanto ele se aproximava, tentando
demonstrar irritao. Ela estava meio tonta -- o que, disse a si mesma, era de ficar de
cabea para baixo, no do aparecimento repentino de Easy Walsh. Ele agora vestia
um suter de l Michael Kors cinza-carvo, o que era lindamente improvvel dele.
-- Queria saber se quer ser minha modelo. -- Seus olhos azuis examinaram o rosto
de Callie como se quisessem apreender tudo
de uma vez, lendo tudo. Seu olhar penetrante jamais perdia nada, ele deve ter
percebido os pedacinhos de grama no cabelo, ou como a pele estava seca. Mas ele
estava pedindo a ela para ser modelo? Mesmo depois do jeito como Callie falou com
ele hoje de manh? -- Para a aula de arte -- esclareceu ele. -- Temos um trabalho.
Callie sorriu da ironia. Ser que hoje era o dia da mentira? Durante meses -- por
praticamente um ano, desde que comearam a namorar--ela fantasiava com o
namorado artista pedindo-lhe para ir ao bosque para desenh-la. Ele podia ter feito
uma escultura dela com cabides e latas de sopa e ela ficaria emocionada. A Edie
Sedgwick de seu Warhol. A Beatriz de seu Dante.
Mas ele nunca pediu. At agora. At agora, quando eles no podiam mais ficar juntos.
No depois de tudo o que passaram, no depois do que ela prometera a Jenny. Ela
disse a Easy que eles terminaram e falara a srio. No foi?
-- Precisa que eu faa o qu? -- perguntou ela lentamente, chutando a grama verde e
grossa com a ponta dos tnis Adidas pretos.
Easy sacudiu a cabea com veemncia.
-- Nada. S pose para mim. -- Um sorriso se abriu em seu rosto. -- Seja s voc
mesma.
Callie riu. Ser ela mesma. T legal. Desde que ela no estivesse de calcinha.
-- Tem certeza de que quer que seja... eu?
Easy no parou para pensar na pergunta.
-- Tenho. -- Seu olhar no deixava o rosto dela.
Ela suspirou. No podia ficar irritada com Easy para sempre. Eles iam ter que ficar
amigos a certa altura... E talvez a altura fosse agora. Ele precisava de algum para
pintar ou desenhar para a aula dele, e ela podia ajudar, como faziam os amigos. E ele
nem era namorado de outra--ele e Jenny eram passado. Ento seria completamente
platnico.
-- Tudo bem -- disse ela, tentando assentir, mantendo a voz estvel. Ento por que
as palmas das mos estavam suando?
Easy respirou fundo.
-- timo. -- Ele a olhou de cima pelas pestanas longas e escuras. -- Tem muita coisa
para fazer hoje  noite?
-- Coisa? -- repetiu Callie, divertindo-se.
-- .--Ele sorriu. -- Sabe como , latim, clculo. Coisas.
Callie foi incapaz de evitar que o sorrisinho se espalhasse pela cara.  claro, dever de
casa, aulas--os motivos para estarem aqui, na Waverly--recaam na categoria de
"coisas" para Easy.
-- Se est perguntando se tenho tempo esta noite, ento sim, como quiser.-- claro
que tinha pilhas de dever de casa, mas de repente a ideia de escapulir com Easy por
algumas horas parecia um sopro de ar fresco. -- Ovdio no vai se importar se eu der
bolo nele esta noite.
-- Quer me encontrar no bosque na hora do jantar?--Easy empurrou as mangas do
suter (talvez a coisa mais cara que ele possua) at os cotovelos, esticando os
punhos delicados.
-- T legal. -- Ela se calou. -- Lanchonete depois? -- Acrescentou ela baixinho. O
servio de refeies da escola tinha um sistema em que se voc perdesse o jantar--
por causa de um jogo, ou de treino at tarde, ou o que fosse -- podia usar seus
pontos de jantar na lanchonete da Maxwell a qualquer hora da noite. No ano anterior,
ela e Easy sempre se encontravam nos estbulos depois do treino e namoravam por
horas, at que o salo de jantar estava fechado e depois, famintos, iam para a
lanchonete comer fritas e rolinhos de tahine.
-- At vou te pagar um milkshake de morango -- prometeu Easy, os olhos cintilando.
-- Fechado. -- Ela assentiu sem deixar dvidas. Milkshakes eram seus favoritos.
-- Ento me encontra no meu canto no bosque? Fica...
Callie o interrompeu.
-- Sei onde fica, Easy.--Bem onde os meninos iam procurar cogumelos. Ela e Tinsley
tinham ido l um dia e Callie, assim que viu o pequeno campo fechado com flores
silvestres e pedras esquisitas, ela entendeu que era o lugar secreto de Easy.
Ela s vezes folheava os cadernos de desenho dele, olhando seus traos, estranhos
mas bonitos, de rvores, folhas e ponta de cigarro, ele conseguia deixar tudo
maravilhoso.
E agora ele ia desenh-la. Callie se sentiu meio arrepiada e ouviu um apito ao longe.
-- Merda -- murmurou ela. -- Preciso correr. A gente se v mais tarde. -- Ela pegou
o basto de hquei e disparou para o campo, sabendo que Smail ia obrig-la a dar
uma volta a mais no campo por chegar atrasada.
Mas meio que valia a pena
15- uma waverly owl sabe que as melhores surpresas no so assim to
supreendentes
Depois que o txi amarelo parou e deixou Brandon sozinho diante do porto coberto
de musgo do St.Lucius, ele percebeu que se envolvera tanto em realizar seu grande
gesto romntico que tinha se esquecido da parte mais importante do plano-no sabia
onde necontrar Elizabeth. Ele deu alguns passos para o que pareciam ser os
alojamentos, ciente de que os alunos que andavam por ali sem duvida nenhuma o
encaravam.
o St.Lucius era uma espcie de Waverly bizarra- osmesmos tijolinhos vermelhos,a
mesma hera e os mesmos carvalhos de cores vivas cercando o enorme ptio, no e
entanto nenhuma rosto conhecido. Ele comprou um ramalhete de orquideas em
Rhinecliff- rosas eram convencionais demais,margaridas sem graa demias- e agora,
de repente, ele se sentia meio constrangido. Os alunos claramente o olhavam
embasbacados enquanto ele afastava do peito o enorme cone de flores fcsia e
barncas a fim de no amas-las. Ele se sentia um Forrest Gump com sua caixa de
chocolates. Bom, tanto faz. Ser que nunca viram um homem levando flores a ma
mulher na vida?
Duas meninas de short de jeans curto e blazer roxa do St.Lucius aproximaram-se de
Brandon no caminho de pareleleppedos. A julgar pelo ar surrado dos blazers, elas
deviam ser veteranas.
- Com licena.- Brandon as abordou, tentado parecer o mais inofensivo possivel.- Por
acaso sabem qual  o alojamento de Elizabet Jacob?
As meninas, as duas magras, louras e desegonadas, trocaram um olhar. A que
estava com uma bandana de veludo marinho falou primeiro com o sotaque anasalado
de Long Island.
- So pra ela? -perguntou a menina, olhando as flores.
- O peixinho dourado dela morreu ou coisa assim ?- perguntou a outra, a testa
bronzeada fora da estao enrugada pela dvida.
Brando ficou perplexo. No tinham boas maneiras nesse lugar?
-Er, sim, na verdade so.- Ele ergueu as sombrancelhas sugestivamente, tentado
lembrar s meninas a pergunta que fizera.
- Mas, humm, no. Acho que o peixinho dela est bem.
- Mas isso  mesmo um amor.- A bandana de veludo reprimiu uma risadinha.- Ela  do
meu alojamento. Emerson.- Ela apontou para um prdio de pedras brancas ao lado de
um grupo de btulas com folhas amarelo-girassol. - Quato 101..Pegue a esquerad
depois de entrar.
- Obrigado.-Brandon seguiu a orientao, aliviado que as coisas estivessem dando
certo. Por sobre o ombro, ouviu a segunda menina gritar, "Boa sorte!"
Brandon andou pelo passadio, ainda meio confuso por estar num lugar que parecia a
Waverly, tinha cheiro da Waverly, mas no era a Waverly. Ele parou brevemente na
porta da frente do prdio para ler a citao, supostamente de Emerson, inscrita no alto
da porta: NO VA AONDE LEVE O CAMINHO, MAS SIM AONDE NO HAJA
CAMINHO E DEIXE UMA TRILHA. Ele no pde deixar de sorrir ao abrir a pesada
porta verde. A citao o lembrava Elizabeth, de como ela parecia fazer o que lhe dava
na telha.
Na frente do quarto 101, ele parou para se aprumar, passando nervoso a mo no
cabelo. Depois, quando estava prestes a bater, ouviu risos vindo de dentro- de duas
pessoas rindo. Uma parecia Elizabeth, mas a outra era definitivamente um homem. O
que estava havendo aqui? O pnico percorreu suas veias, seus instintos de d-o-fora-
daqui entrando em ao. Ele olhou as orquideas feito um idiota.
Mas depois pensou, Por que no? Gatou quarenta dlares nas flores e vinte dlares
de txi at aqui. O que ele ia fazer, dar meia-volta e ir embora? E se o mesmo taxista
viesse busc-lo, ele, com o mesmo buqu melanclico de flores? Ser que Walsh faria
isso? Ele achava que no.Tenha colhes pra bater,Buchanan disse ele a si mesmo
com um assentir rspido. E assim ele ergueu a mo e bateu na porta de carvalho
escuro, bem abaixo do adesivo do Greenpeace.
A porta se abriu rapidamente e Elizabeth, parecendo estar no meio de uma resposa
aos risos, vestindo jeans de cs baixo que pendia frouxo nos quadris e uma camiseta
cinza meio puda que revelava o piercing de diamante minsculo no umbigo. Antes
que Brandon tivesse tepo para admirar, a cara de Eizabeth mudou de surpresa para o
prazer e ela lanou os braos no pescoo dele, quase esmagando as flores.
-Brandon!- gritou ela pouco antes de lhe dar um beijo imenso e molhado na boca. Bo,
foi mais ou menos isso. Quando ela finalmente se afastou, Brandon estava meio tonto.
Por que tinha esperado tanto pra vir v-la?
E depois ele percebeu o cara sentado na cama de Elizabeth.
Elizabeth puxou Brandon para dentro do quarto, que se revelou um qurto single
surpreendentemente espaoso.
-Entra". disse ela alegremente, o cabelo louro e solto roando nos ombros. -  to
bom te ver.. Ela pareceu se lembrar do outro sujeito.- Ah.Esse  o Morgan.
Estavmos estudando.. Elizabeth ergueu uma sombancelha para Morgan e ele
rapidamente se levantou. Vestia uma camisa de flanela e calas de veldo colte com
buracos nos joelhos, e estava descalo. E sem meias. Mas ele assentiu
educadamente para Brandon e no pareceu se aborrecer demais por ser enxotado
dali.
- At mais tarde- disse ele, dirigindo-se aos dois, antes de desaparecer porta afora.
Mas onde  que estavam os sapatos dele?Perguntou-se Brandon, encarando o
suurado tapete azul-royal.E onde esto os, er, livros?Oque exatamente eles estavam
"estudando"?
Mas antes que ele pudesse pensar um pouco no assunto, Elizabeth estav ao lado
dele.
-Elas so lindas- piou ela, fechando os olhos e cheirando as orquideas.-Parecem
poesia.
Brandon se sentiu corar.
-Que bom que voc gostou. Rosas pareciam meio convencionais demais.-Ele a viu
tirar as flores da embalagem e coloc-las delicadamente em uma garrafa de gua
Nalgene pela metade que estava na mesa do computador. Bom, no deixa de ser um
vaso.
- Voc j me conhece, n?- Ela o olhou maliciosamente antes de baixar a garrafa na
mesa incrivelmente arrumada. Elizabeth rapidamente voltou para os braos de
Brandon e colocou os labios macios em seu rosto.-Obrigada.murmurou ela com a voz
rouca.
Brandon fechou os olhos por um momento, depois os abriu.
-Er, eu gosto do seu quarto.- Seus olhos percorreram o espao de p-direito alto. Tudo
ali parecia sexy e tpico de Elizabeth, do iMac reluzente na mesa  pilha de livros de
poesia, cheios de Pst-it, na mesa de cabeceira e a tapearia marinho e turquesa
pregada na parede. No quadro de avisos havia fotos de Elizabeth em todo o mundo,
de mochila nas costas na Europa, num safri na frica, at na Grande Muralha da
China. E ele no conseguiu deixar de perceber um monte de fotos dela se divertindo
com os amigos- que por acaso eram quase todos homens.
Elizabeth colocou as palmas da mos no peito de Brandon e, com um sorriso diablico
na cara bonita, empurrou-o para o edredom de algoso macio na cama.
- Foi um doce da sua parte ter o trabalho de vir aqui.- Ela se deitou ao lado dele e
comeou a fagar seu peito.- Estive pensando em voc a semana toda- ronronou ela. O
cabelo lour estava puxado pra trs com umas fivelinhasde plstico azul, do tipo que as
garotinhas costumavam usar, e os olhos castanhos e grandes cintilavam de diverso.
-Ah, ?- Brandon no pde de sentir que, bom, talvez o outro cara, qual era o nome
mesmo? Morgan? Que tipo de nome de mulherzinha era aquele? No era grande
coisa. Afinal, Elizabeth tinha beijado Brandon bem na frente dele, ento ela claramente
no estava preocupada com os sentimentos do outro. E agora, enquanto Elizabeth
mordiscava a orelha de Brandon, ela claramente no eatva pensando em Morgan.
ENto por que ele deveria pensar? No ? .
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...............................................
TinsleyCarmichael: E a gostoso. T fazendo o qu?
JulianMcCafferty: Indo para o treino de squash. E voc?
TinsleyCarmichael: Estou sendo pouco convenciona e matando o tnis. Voltando
para meu quarto vazio no Dubarton..Dica,dica.
JulianMcCafferty:Ainda est com meu esqueiro?
TinsleyCarmichael: Seu o qu?
JulianMcCafferty:Deixa pra l.
TinsleyCarmichael: Vem agora, t? Vou te fazer esquecer seu isqueiro. E rpido.
Fiquei pensando em voc o dia todo.
JulianMcCafferty: Chego a em 30 segundos.
16  Uma Waverly Owl sabe que a melhor maneira de superar algum  ficar
obcecada por outro.
- Ento, hummm, Justin Timberlake ou John Mayer?  perguntou Jenny meio
timidamente enquanto ela e Callie iam para o alojamento depois do treino de hquei
na Liz do nicio da noite, uma brisa fria espalhando os rabos-de-cavalo molhados de
suor e fazendo voar folhas de cores vivas em seu caminho. As pernas de Jenny
estavam agradavelmente exauridas dos exercicos  Smail as fizera correr muito hoje,
como preparao para o jogo deste fim de semana contra St.Lucius, cuja equipe de
hqeui sobre a grama era a arqui-rival da Waverly. Depois de uns 10 minutos de
aquecimento, Jenny e a maioria das meninas tirou os moletons Adidas, apesar de
estar uns 6 graus negativos. Agora parecia bom, enquanto o corao de Jenny voltava
a seu batimento normal e a brisa gelada esfriava sua pele ainda qiente. Brett no
apareceu no treino e por algum motivo no era nada estranho Jenny e Callie voltarem
para o alojamento juntas. Parecia-lhe que elas na verdade se conheceram na semana
passada, e no s por causa das perguntas bobas que Jenny estava fazendo agora.(
Coca ou Pepsi:  Pepsi Diet. Cachorro ou gato?  Gatos, mas s os pretos. Kirsten
Dunst ou Scarlett Johansson:  Kirsten, mas com a voz da Scarlett.)
- Eai?- insistiu Jenny.- Justin Timberlake ou John Mayer?  repitiu ela.
Callie, ainda com os moletons sujos de grama e o casaco de moletom amarrado
frouxo na cintura, girou o basto de hquei Brine na mo e bufou uma risada.
- Est falando de msica ou, tipo assim, com quem eu prefera ficar?
Jenny virou a garrafa laranja de Nalgene e deixou as ultimas gotas de gua carem na
boca.
- Pra ficar. Com certeza  esclareceu ela.
- Sem dvida  Callie baiteu num seixo com o basto, mandando-o quicando para a
grama.  Justin Timberlake parece saber exatamente como me beijar. Hummmm.
Dois meses antes, Jenny teria ficado apavorada com a idia de atravessar um campus
cheio de meninos- bonitos, bem vestidos e inteligentes- e meninas, lindas, patricinhas
e perfeitas, com uma camiseta suja e shorts de ginastica. Mas agora no dava a
mnima para isso. No importava. Este era o jeito internato de vier- benfico, saudvel,
natural e s vezes suarento. Ela adorava.
-  mesmo ?  O estmago de Jenny roncou, lembrando-lhe que ela eatava faminta. 
Eu certamente ficaria com John Mayer. Acho que gosto...- Ela se interrompeu sem
jeito, percebendo que estava prestes a dizer [i do tipo artstico, sombrio e sensvel, isto
, do tipo Easy Walsh. No  que ela no pudesse falar em Easy- as duas j
conversaram sobre ele muitas vezes- ela no queria estragar o clima trazendo o nome
dele  tona. Jenny se curvou para amarrar o tnis, fingindo que este era o motivo para
se esquecer de concluir a frase.
Callie assentiu distrada ao subir os primeiros degraus do alojamento.
- Ei, eu vou entrar, ta legal ? Vou pular no chuveiro antes de ir, er, para a biblioteca.
- Claro.- Jenny respondeu igualmente distrada, percebendo uma coisa se mexendo
atrs das topiarias verde-esmeralda que ladeavam as paredes de Dumbarton. Era
Julian. zanzando pelo alojamento das meninas de novo. Jenny acenou um adeus para
Callie e foi para os arbustos. Apesar de todos os seus pensamentos sobre estar suada
com um aprte saudvel e natural da vida do colgio interno, ela rapidamente tirou o
elstico do cabelo, sacudiu a cabea e deixou os cachos escuros carem em torno dos
ombros  pelo menos ficava um pouco melhor.
Julian estava parado ali com as mos nos bolsos, encostado na parede coberta de
hera, parecendo meio aturdido. Vestia uma camiseta verde-clara que dizia, em
caracteres amarelos retr, NO  O QUE VOC ETS PENSANDO, e um casaco
esportivo azul-royal aberto com listras brancas descendo at as mangas.
- Preparai-vos!  disse Jenny, erguendo o basto de hquei como uma esapda, a
extremidade apontada diretamente para o peito de Julian. Eles tinham acabado
Hamlet na aula da Srta.Rose e ela ainda estava num estado de esprito
shakesperiano.
Ele ergueu as sombrancelhas e fez uma voz meio de Humphrey Bogart.
- Precisamos parar de nos encontrar assim.
- Ei, eu moro aqui.  Jenny sorriu e recolheu o basto. Olhou em volta, mas ningum
se aproximara. Primeiro tinha falado com Julian num armrio de vassouras, agora
atrs de um arbusto. Era meio engraado. Onde ser que ele apareceria da prxima
vez ? e por queele estava aqui de novo?  Qual  sua desculpa agora? Est
procurando por seu... oque mesmo? Seu isqueiro..de novo ?
- Engraadinha.- Ele deu de ombros e um raio de sol que se punha bateu no arbusto
elegantemente esculpido  frente dele, iluminando suas feies de trs.  Mas no. Eu
s estava, sabe como , de passagem.
A luz dramtica destacava usas feies ainda mais do que o normal e pela primeira
vez Jenny percebeu que as mas do rosto de Julian eram fortes, os olhos escuros
eram fundos, o nariz era torto. Era o tipo de rosto que ficaria timo em mrmore,
pensou ela. Ela preciso de um minuto para perceber que era a vez dela de falar- de
nada adiantou a brihante replica shakesperiana.
- E ai, humm, no que eu estou pensando?  perguntou ela, esperando que seu rosto
tivesse num lindo tom de rosa, e no no vermelho estou-tendo-um-ataque-cardiaco.
Julian sorriu para ela, mas pareceu meio confuso, como se estivesse perdido o fio da
conversa.
- Hein, o qu?- Ele se inclinou para frente.
- Sua camiseta.  Jenny apontou para ela e ergueu as sombrancelhas.  Deve estar
aturando isso o dia todo.
Julian olhou o peito enquanto a compreenso banhava seu rosto.
- Na verdade eu fiquei com a camiseta do Sea World o dia todo.  Ele tombou a
cabea e deu de ombro, o que deixou parecido com um garotinho.  Acabei de trocar.
 A covinha perto dos lbios se aprofundou.
Uma risadinha saiu dos lbios de Jenny. Alguma coisa em Julian era to simptica e
franca  era bom dar mole para ele. Distraia sua mente de outros meninos bonitos e
altos.
- Sei que vai parecer uma doidera completa, mas estaria interessado em ser modelo
para meu trabalho da aula de arte ?  Ela na verdade tinha esperanas de que ele no
pensasse que ela estava dando mole. Por que ela no estava. No mesmo.- Acho que
voc d um grande tema.
Ele fcou perplexo e olhou em volta. Nossa! Ela esperava que ele no levasse isso a
mal.
- Er, agora? Atrs dos aburtos?
- No!  Jenny empurrou uma mecha de cabelo errante para trs da orelha. No
conseguia acreditar que estava parada ali conversando com um carinha lindo quando
precisava desesperadamente de um banho. Pelo menos era provvel que ele, de onde
estava escondido, no pudesse sentir o cheiro dela.  No quis dizer agora. Quem
sabe amanh?
- No sei se j fui obra de arte antes.  Os dedos dele brincaram brincaram com um
galho do arbustro prximo.  Parece meio legal.
- Beleza- Jenny bateu o basto de hquei na parede de tijolinhos.  Eu te mando um
e-mail dizendo a hora.  ela sorriu timidamente.  Quer dizer, se no encontrar voc
no armrio de vassouros antes disso.
Ela entrou ao som do riso dele. Enquanto suabia a escada para o quarto 303, ela
percebeu que havia claramente outros meninos bonitos no campus para distrai-la de
Easy. Talvez Callie tambm pudesse encontrar algum para distrai-la do inesquecivek
Easy Walsh. Tudo finalmente estava tomando o rumo que deveria tomar.
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TinsleyCarmichael : J so mais de 30 segundos.
TinsleyCarmichael : Voc vem ou no?
TinsleyCarmichael : Julian ?
17  Uma Waverly Owl sabe como apreciar a me natureza  em especial com
outra Waverly Owl.
o que eu estou fazendo? O que eu estou fazendo? Callie parou na beira do caminho
para a casa de barcos, bem no local onde Easy a instruira a entrar, o cu comeando
a adquirir um brilho alaranjado.Seu estmago roncava um pouco, lembrando-lhe de
que ela pulara o jantar. Mas ela estava nervosa e excitada demais para comer alguma
coisa. Depois do treino, ela correu para o banho a fim de se livrar do suor e sujeira que
a cobria depois do longo treino, depois vestiu-se com cuidado. No fazia idia do que
constitua uma roupa adequada para a sesso como modelo no bosque como ex-
namorado e, depois de pensar por uns vinte minutos, teve de se obrigar a
simplesmente se vestir. Easy pedira para pint-la, afinal, e ele deve querer que ela
parea o mais natural possvel. Se isso significava usar roupas caras e um tanto
inadequadas, esto assim seria.
E aqui estava ela, com a cala preta apertada Theory, botas de salto alto e pontudas,
e um suter Vince preto com um decote alto o suficiente para no ser inadequado. O
cabelo ainda molhado enrolava um pouco nas pontas e a deixava com mais frio. Ela
fechou o colete xadrez vermelho at o queixo, o forro de pele de coelho provocando
ccegas no nariz, e saiu da trilha, os saltos das botas afundando um pouco no cho
musgento. Lembrou-se de sua resoluo com Jenny e de que mentira pra ela, dizendo
que estava com pressa para ir  biblioteca. Ela no ia deixar que essa histria com
Easy fosse alm da amizade. Na verdade, por esse motivo, ela no havia raspado as
pernas no banho  os pelos nas pernas sempre a deixavam muito pouco sensual, e
ela achava que podia aproveitar essa sensao nada sensual quando ficasse sozinha
com Easy no bosque.
Ela atravessou o bosque, passando com cuidado por arbustos e gostando de como as
folhas secas eram amassadas por seus ps. Callie respirou ar fresco e folhoso e
desejou ser uma pessoa mais dada a atividades ao ar livre- podia ser divertido, desde
que no significasse usar aquelas medonhas botas de caminhada ou o horroroso
desodorante natural. Ela chegou na pequena clareira que imaginou ser o local secreto
de Easy e sim, l estava ele, agachado diante de um monte de tubos de tinta
espalhados na relva. Ela ficou parada ali por um segundo, fitando-o, apreendeno a
cena. Ele estava to natural ali, mesmo de longe ela podia ler em seus movimentos
uma felicidade relaxada que ela s via quando ele estava com Credo.
E ento ele levntou a cabea e a viu, e seu rosto se dissolveu num imenso sorriso
torto.
- Oi- disse ele, levantando-se e esfregando as mos nos jeans escuros j
empoeirados.  O que voc acha?  Ele estendeu os braos, indicando a clareira.
Callie se aproximou lentamente, ciente de que at ver Easy fazendo alguma coisa to
simples como estender os braos provocava uma volta de seus antigos sentimentos.
Porra.Isso sem dvida ia ser mais difcil do que ela pensava, com ou sem pernas
depiladas.
-  legal  comentou ela educadamente.  Cad as flores?
- Bom, estamos em outubro.
- Por que, no tem flores no outono?  perguntou ela cheia de petulncia, j sentindo
resvalar na atitude contraria a que Easy sempre esperava. Ela no queria isso; s
sentia to..natural.  Isso foi idiota.
Easy riu. Seus olhos azuis-escuros enrugaram nas bordas e Callie sabia, pela
expresso dele, que ele queria beij-la, como fizera umas mil vezes- o que destruiu
seu corao. Sim, cada grama de seu ser esperava que ele percebesse como tinha
sido estpido e voltasse correndo pra ela, atirando-se a seus ps e implorando seu
perdo. Ela sentia saudade dele.Sentia falta de sua risada grave que vinha de algum
lugar na barriga, do modo como ele erguia uma sombrancelha de leve quando achava
que ela dizia uma idiotice sobre alguma coisa.
- No faz mal. As folhas daro um fundo perfeito, em especial, depois que o sol
comear a se pr- disse ele.
Callie sentiu o olhar de Easy percorrendo seu corpo. Ser que ele olhava assim para
todas as modelos? H algumas semanas, Tinsley insinuara que Easy tinha vindo a
este mesmo lugar de pintura com Jenny. Isso a magou. De jeito nenhum ia deixar que
ele a magoasse de novo, no desse jeito. Callie sacudiu a cabea com desdm.
- Eai, o que quer que eu faa aqui? Fique parada na frente das folhas?
Easy coou o pescoo e estreitou os olhos, focalizando intensamente em seu rosto.
Callie sentiu o estmago arriar, mas tentou no deixar que seus sentimentos
transparecessem.
- Primeiro quero fazer uns esboos, para organizar algumas idias.  Ele pegou um
enorme bloco de desenho e um toco de lpis de trs da orelha.  Voc pode meio que
sentar na pedra por enquanto?
Callie olhou a pedra. Ela pensou que ser modelo significava ficar estendida numa
luxuosa espreguiadeira de veludo, talvez usando um robe de seda casualmente
atirado em cima dela. Algo do tipo titanic , o Corao do Oceano em seu pescoo. No
empolierada numa pedra suja e desconfortvel no meio de outubro, quando estava
congelando e ela precisou vestir o colete vermelho e inchado com o capuz forrado de
pele. Se Easy queria pintar uam esquim, podia ter procurado uma na biblioteca. Bom,
que fosse.O artista era ele. Ela se acomodou no alto da pedra, escorando os saltos
numa pequena salincia
- Assim ?
- Assim parece que voc est puta de ficar sentada numa pedra- disse Easy com um
sorriso malicioso.  Ou sendo forada a ficar na natureza.
Ela sabia que Easy meio que desprezava o fato de que ela, era meio uma princesinha
protegida.
- Tudo bem.  Callie gritou para a pedra e se inclinou, atirando os braos em torno
dela num abrao de urso gigante.- Ah,pedra. Eu te amo tanto e estou to feliz de estar
sentada em voc, apesar de voc ser fria, suja e desconfortvel.  Ela tentou fazer o
olhar mais apaixonado que podia e soprou beijos. Pelo canto do olho, viu Easy se
curvar de rir.
Callie entrou na encenao, fazendo uma serie de poses exageradas em volta da
pedra, depois se levantando e lanando- se as btulas.
- Oh, rvores, oh, natureza- disse ela guturalmente, passando os braos em um btula
magricela e branca fingindo beij-la, colocando os lbios o mais perto da casca
esbranquiada que podia suportar sem pensar muito nos bichos que viviam ali. Ela
atirou o cabelo como uma prima donna que adorava os refletores e viu o lpis de Easy
voar no papel,mas quando tentou se afastar da rvore, sentiu um puxo no cabelo.
- Ai!  gritou ela, levando a mo  cabea. O cabelo estava preso num galho. Merda
de natureza.
- Est tudo bem ?  Easy chegou a seu lado em segundos, o bloco de desenho e o
lpis abandonados no cho.  No puxe.- Enquanto ele estendia a mo para tentar
desemaranhar do galho o cabelo de Callie, ela sentiu o cheiro familiar de sabonete
Ivory misturado com cheiro ranosos de estbulo. Ela olhou Easy, que lidava
ternamente com seu cabelo, tentando no arrancar o couro cabeludo, e sentiu os
olhos castanhos se encherem de lgrimas.
- Pronto.  Easy tirou o galho da cabea de Callie.  Est livre.- E depois ele viu o
rosto dela.  Eu te machuquei?
No chore, no chore, no chore , ela repreendeu a si mesma, mas isso s fez com
que as lgrimas vertessem. Callie cobriu o rosto vom as mos.
- Sim  disse delicadamente, e no mentia. No pelo cabelo, mas pelo corao. Ela
tentou se afastar dele, mas ele foi rpido demais. Seus braos fortes a puxaram para
seu peito antes que ela pudesse protestar e depois que o corpo dela estava encostado
ao dele, ela simplesmente derreteu na l spera do suter de Easy. Easy .
Ela sentiu o rosto dele em sua cabea.
- Eu sei. Eu lamento muito, mas juro que nunca, nunca mais vou magoar voc 
sussurou ele enquanto beijava o local onde o cabelo ficara preso na rvore. Ela
precisou fechar os olhos.  Eu te amo, Callie. De verdade.
E antes que pudesse parar para pensar melhor, ela o beijou. Primeiro no rosto, depois
nas sobrancelhas, no nariz e por fim na boca quente e macia que a aguardava.
18  Uma Waverly Owl fica de lbios selados, ou no.
Brett olhou o dever de casa de clculo, incapaz de se concentrar nas filas de letras e
nmeros. Foi ao quarto de Kara para estudar, mas te agora no conseguira se
concentrar. Ela mordeu a ponta da caneta.
- O que colocou no nmero 12?  n+2n, neh ?- perguntou Kara do poleiro na cadeia
vermelha, o livro de clculo equilibrado nas coxas. Ela apertou a ponta do apagador do
lpis na testa, bem entre os olhos.  Porque, se no for, vou levar esse livro na casa
da Dra.Goldstein agora mesmo e atear fogo nele no jardim, bem do lado daqueles
gnomos horrorosos.  A Dra.Goldstien morava em uma das pequenas casas de
madeira dos docentes junto ao campus e seu jardim era salpicado de gnomos de
cermica coloridos que teriam sido roubados por alunos de clculo frustrados se no
fosse por Spike, o rottweiler da Dra. Goldstein, que patrulhava o jardim, babando e
rosnando.
- Ainda bem que voc tem razo, porque dizem que Spike pode farejar um aluno
irritado a uns cem metros de distncia- Brett riu.- Um cachorro devorador de gente e
gnomos no jardim... Qual  a da Dra.Goldstein, afinal?
Kara se inclinou para frente como quem conspira, fechando o pesado livro num baque.
- No ouviu falar que, tipo assim, dois anos atrs, ela comeou a sair vom um aluno de
ps-graduao tipo geniozinho da Caltech que estava entrevistando ela para sua
tese?- Os olhos de Kara se arregalaram e ela tamborilou as unhas rodas no livro.- Ao
que parece, ele agora mora na cidade e aparece todo fim de semana, Sabe como ,
para [ientrevist-la.
Brett arfou. As blusas da Dra.Goldstein sempre eram abotoadas errado e ela usava
meias dspares. Brett levava isso como um sinal de seu brilhantismo distrado  mas
quem sabe era assim porque ela ficava acordada at tarde da noite anterior, tirando
alguma coisa de seu jovem e gostoso estudante de ps?
- Ela no tem, tipo assim, uns mil anos? Eu no teria adivinhado que ela..sei l... fazia
sexo to selvagem e apaixonado todo fim de semana.
Kara lanou o lpis pelo quarto, que pousou bem ao lado do colo de Brett.
- Eu diria que ela tem mais poder do que isso.
- Que seja. Estive com caras mais novos e mais velhos, e acho que so da mesma
raa de idiotas.- Brett pegou o lpis amarelo n2 de Kara e o examinou. Nenhuma
marca de dentes. Todos os lpis de Brett eram mastigados nas pontas, por mais
horroroso que ela achasse esse hbito. Algum lhe havia dito uma vez, talvez Heath,
que mastigar lpis era um sinal de que voc  sexualmente reprimida.
- Isso parece to pessimista  disse Kara pensativa, largando o livro de clculo no
cho e se levantando para se espreguiar, a camiseta cinza American Apparel
erguendo-se e revelando um trecho da barriga branca acima da cala preta.- Sei que
tem alguns homens legais por ai. Tipo um ou dois.
- T bom.- Brett passou a mo na colcha de Batgirl azul e vermelha de Kara, alisando
as rugas que fizera ao se esparramar ali pela hora que passou. Meu Deus, o quanto a
vida seria mais fcil se ela tivesse um quarto s dela? Sem a biruta da Tinsley para ter
que andar na ponta dos ps, preocupando-se com quando ia surgir a prxima
erupo. E o quarto de Kara era to... bacana. Era to arrumado e limpo, e cheirava
livros novos e incenso. Ela at tinha uma folhagem pendurada no trilho da cortina. 
S que eles moram, tipo assim, na Monglia ou coisa parecida.
Kara girou o boto do aparelho de som, aumentando o volume do CD de Aimee Mann.
Deu alguns passos de dana no piso de madeira, parecendo meio boba, mas
totalmente  vontade. Brett a invejava por isso.
- E eles no devem ter internet por l neh ?
Brett sorriu ao ver Kara girando pelo quarto. At a semana passada, Kara tinha se
virado sozinha- mas depois da festa quando estavam de castigo, ela
inquestionavelmente fora adotada pela elite da waverly. Brett percebeu que esta
semana Alison Quentin e Sage Francis usaram roupas do armrio de Kara, e Heath e
outro garotos foram vistos em volta dela em vrias ocasies. E no entanto, ela ainda
estava sentada com Yvonne Stiddler e outras solitrias no jantar. Para Brett, isso era
to inimaginavelmente cool.
- Est dizendo que no namoraria algum que morasse na Monglia e no tivesse
acesso  internet?- brincou Brett.- Isso  descriminao.
Kara assentiu com um sorriso perverso.
- Claro, ora... Sem cibersexo, nada feito!
Brett riu. Era bom rir, esquecer Jeremiah e como ele mentira para ela, e o Sr. Dalton e
como ele tambm mentira para ela. Esquecer os homens era uma beno total.
- Senhoras?- Houve uma batida severa na porta aberta de Kara e Angelica Pardee,
com o roupo de banho desbotado e florido amarrado firme na cintura, olhou o quarto,
desaprovando.  Est tarde. Hora de desligar.
-Desculpe, sra. Pardee- respondeu Kara com doura, baixando rapidamente a
msica.- S temos mis uns problemas de clculo para terminar, depois acabamos.
Pardee apertou ainda mais a faixa na cintura e farejou o ar com censura, mas sem ver
nenhuma vela proibida, pareceu se satisfazer.
- No demorem muito.
Brett se levantou e fechou a porta depois que ela saiu. O corredor j estava silencioso
depois da patrulha de Pardee e Brett de repente sicou ciente do fato que ela e Kara
estavam completamente a ss.
- E ai, e o ltimo problema  Ela voltou  cama de Kara e se empoleirou alegremente
na beira com a pulsao acelerada. Foi totalmente culpa de Heath colocar essas
idias em sua cabea hoje  tarde, mas ela no conseguia deixar de pensar nisso
agora- ficava pensando no selinho que ela e Kara tinham trocado.
Kara pescou o livro de clculo e se sentou na cama. O som ainda tocava, mas
baixinho, e no havia barulhos vindo do corredor. Era meio como se ela e Brett fossem
as nicas pessoas- ou pelo menos as nicas pessoas ss- acordadas a essa hora.
Kara se recostou e colocou o dedo no caderno de Brett.
- Acho que voc acertou.  Ela folheou o livro de matemtica, depois olhou pra Brett. 
 a adio, no ?
Brett assentiu, sentindo-se meio confusa.
- Voc est bem?  perguntou Kara, tirando um fio de cabelo claro que cara no rosto.
 Ainda est pensando na Dra.Goldstein e o garotinho dela?
- No!- Brett riu e pegou a garrafa de Evian na mesa de cabeceira de Kara.  No me
faa ter pesadelos.
- Ento, no que est pensando ?- perguntou Kara gentilmente, os olhos castanhos-
esverdeados curiosos.
Ser que ela podia mesmo falar? E se Kara pensasse que ela era uma anormal e
exigisse que Brett sasse de seu quarto? Mas ela sabia que Kara no faria isso. Tudo
nela era to natural- nem mesmo parecia grande coisa.
- Hummm...Na reunio na noite passada.
Kara enfim corou, mas s um pouco, como se de imediato soubesse do que Brett
estava falando.
- Ah.- Ela brinou com a borda do papel do caderno, ondulando-o de uma lado a outro.-
Aquilo foi...- Ela deu de ombros e um sorrisinho se esgueirou por seu rosto.  Meio
divertido.
Brett comprimiu os lbios.
- .
Passou se um segundo, enquanto elas se olhavam. Brett percebeu uma pequena
sarda abaixo dos lbios cor-de-rosa de Kara. E depois Brett se inclinou, por sobre
suas pginas abertas dos problemas de matemtica e garranchos a lpis, colocando a
boca lentamente na de Kara. Seus lbios se tocaram suavemente e Brett fechou os
olhos, deixando sua boca se movesse quase imperceptivelmente na de Kara. No era
o tipo de beijo molhado e devorador que ela costumava ter com Jeremiah. A boca de
Kara era bonita e pequena e, de um jeito totalmente esquisito, era meio como...beijar a
si mesma.
E era bom.
19  Uma Waverly Owl pode se confidenciar com a colega de quarto...no ?
Jenny subiu a escada do Dumbarton na quarta-feira  noite aps passar as horas
depois do jantar na biblioteca envolvida em seu primeiro trabalho longo de historia
europia. Depois de trs horas estafantes, ela ficou feliz por voltar ao quarto. Enfim
no precisava andar nas pontas dos ps por causa de Callie. Elas tinham superado
isso e era animador. Ela tentou no pensar demais na falta que sentia de Easy- s
meio que esperava poder empurrar a tristeza de lado at o dia em que no ficasse
mais triste, s nostlgica. No era o fim do mundo, ela ficava se dizendo. E no era
que ela nunca mais fosse v-lo. Talvez ainda pudesse ir cavalgar com ele. E ela ainda
teria aulas de arte com ele, faria piada e viria sua camiseta COMIDA SIM,BOMBAS
NO. Ela s no ia...beijar Easy.
Que fosse. Ela parou diante da porta 303, lendo um bilhete em marcador vermelho no
quadro branco: Amanh  noite= 1) caf. 2) estudar. 3)fofocar. 4) Todas as anteriores?
Bjs, Brett. Brett no aparecera no treino hoje mas, como era representante da turma,
s o que precisava fazer era sugerir que havia uma reunio importante e Smail a
deixava faltar sem perguntas.
Jenny abriu a porta rapidamente, meio que esperando que Callie j estivesse na
cama. Mas vibrou quando viu que a colega de quarto ainda estava acordada. Na
verdade, estava parada diante de um armrio completamente vazio com um top cor-
de-rosa e a cueca samba-cano branca de menina enrolada na cintura, olhando pra
dentro, todas as roupas caras jogadas numa pilha instvel no alto da cama vaga,
ameaando cair a qualquer momento.
- Est fazendo faxina?- soltou Jenny, surpresa. O quarto parecia uma butique
exclusiva da SoHo que acabara de explodir.
- Hein?- Callie olhou para Jenny por sobre o ombro e piscou algumas vezes.  Ah.
Sim, acho que sim.. S tive um impulso.  Os olhos de Callie percorreram as pilhas
imensas de roupas como se ela no conseguisse se lembrar de como foram parar ali.
 No pensei que fosse um projeto dos grandes.
- Por que no deixa ai?- sugeriu Jenny meio sem jeito.  E termina amanh?- Ela
largou a pesada bolsa no cho e afundou na prpria cama, grata por logo estar
enroscada no velho cobertor do pai que ainda tinha um pouco do cheiro do
apartamento na rua 99 com a West End Avenue.
Callie mordeu o lbio e passou os dedos na manga de uma blusa transparente no alto
da pilha precria.
- Mas o quarto est um desastre completo- responder ela por fim, com um beicinho.
- Eu no vou me importar se voc no ligar.  Jenny se apoiou nos cotovelos e tirou os
Chuck Taylors cor-de-rosa aos chutes. Eles bateram suavemente no cho de madeira.
 at parece que costuma ficar limpo.- acrescentou ela, rindo. O quarto, mesmo com
apenas as duas em todo aquele espao, sempre parecia estar entupido de garrafas
vazias de Pepsi Diet( de Callie) e minissacos meio devorados de Doritos ( de Jenny), e
a mesa vaga sempre estava sepulatada em pilhas imensas de roupas suja, cadernos,
trabalhos velhos da escola e vrios objetos que no eram necessrios em nenhum
momento particular. Havia at uma tapearia cuidadosamente dobrada que no era
nem de Jenny nem de Callie e de algum modo apareceu um dia.
Callie juntou o cabelo em dois punhados e os puxou. Os braos pareciam frgeis
como palha e Jenny pensou no quanto gostaria de forar a colega a comer um
chesseburger. Ser que Callie estava to desligada por estar passando fome? Ela no
sabia realmente o que fazer com isso. Deveria conversar com a Pardee? De repente
ela se lembrou dos dois Tootsie Pops que pegara na lanchonete. Jenny bateu no bolso
do blazer da Waverly e pegou os dois, como uma oferta de paz.
Callie riu e Jenny desejou mentalmente que ela pegasse um. Ela estendeu a mo,
aproximando-se de Jenny e pegando timidamente o de framboesa.
Jenny sorriu. Talvez Callie s precisasse se distrair um pouco.
- Olha, sabe aquele cara alto e bonitinho, aquele calouro?- perguntou ela enquanto
abria o pirulito de laranja e o colocava na lngua.
- O Julian?- respondeu Callie com a boca cheia de pirulito, de modo que saiu algo
como Mmmmmuuuliam? Ela tirou o doce da boca, os lbios j tingidos de roxo.- O
que tem ele ?
- No sei bem.  Jenny puxou os ps de lado na cama e dobrou o travesseiro sob a
cabea.  Ele s fica meio que...rondando o alojamento. Tipo assim, ele estava l fora
nos arbustos quando voltamos do treino hoje.- Ela riu, pensando na conversa
engraada que teve quando o encontrou.  E ele estava no armrio de vassouras
ontem. No primeiro andar.
- Perai, ele entrou no alojamento?- Os olhos castanhos de Callie de concentraram no
rosto de Jenny, iluminados de excitao. Ela tirou o pirulito da boca e o agitou para
Jenny.- Acha que ele, tipo assim, gosta de voc?
- Ah, claro que no- disse Jenny rapidamente, as bochechas ficando rosadas. Ela
odiava quando as pessoas sigeriam que algum gostava dela e ela no sabia se era
verdade.  Eu no fao idia do que ele est fazendo. Ele bolou uma desculpa idiota,
dizendo que procurava alguma coisa.
- Sei.- Callie disparou para a cama de Jenny, sentindo-se muito faterna de repente, e
se sentou ao lado dos ps de meias rosas de Jenny.- Aposto que ele estava
procurando por voc!  Ela se sentia cheia de energia s de penar nisso.
No seria perfeito? O que Jenny precisava era de um cara lindo saindo do nada,
virando-a pelo avesso e fazendo-a esquecer que um dia conheceu um sujeitinho
chamado Easy Walsh. E Julian era totalmente gato- talvez meio alto para Jenny, mas
ela claramente gostava de homens altos. Callie deu um tapinha no p da colega de
quarto toda animada.
- No, isso  pura bobeira. No parece isso.- Toda a boca de Jenny estava laranja de
pirulito e Callie teve que rir. ela parecia s uma garotinha, apesar de uma garotinha
linda. E Julian era o que? Um calouro? No podia ser mais perfeito pra ela.- Quer
dizer, a gente teve uma qumica bem legal, de qualquer forma.  Ela se sentou na
cama, os olhos meio sonhadores, e brincou com um cacho longo e encaracolado.
- ser que voc vai esbarrar com ele amanh?- Callie tentou no parecer ansiosa
demais. No queria que Jenny desconfiasse de que tinha motivos pessoais nem nada.
Uma onda mnima de culpa passou quando ela percebeu que j estava mentindo pra
Jenny por no contar nada sobre Easy. Mas era pra o bem dela, neh ? Jenny ficaria
arrasada se soubesse que Easy e Callie eram meio que ..Easy e Callie de novo.
Jenny se levantou e abriu a gaveta da cmoda, pegando um pijama Nick & Nora azul-
marinho que parecia confortvel, o palito branco do pirulito projetando-se da boca
como uma espcie de cigarro hiperfino. Ela olhou para Callie e sorriu diabolicamente.
- Bom, eu perguntei se ele queria ser meu modelo para o trabalho de arte.
Ento...talvez eu o veja amanh.
- Que demais!- exclamou Callie. No conseguindo evitar- explodiu da cama e deu um
abrao imenso em Jenny. por favor, por favor, por favor, por favor, que Jenny e Julian
se apaixonem loucamente- Alguma coisa vai acontecer entre vocs dois. Eu posso
sentir!
Ela s esperava que acontecesse bem rpido.
Owl Net--------------Caixa de entrada de E-mail
De: JennyHumphrey@waverly.edu
Para: RufusHumphrey@poetsonline.com
Data: Quarta-feira,9 de outubro, 21:29h
Assunto: Feliz quarta-feira
Oi Pai,
Eu no parecia muito animada outro dia- acho que s estava meio esgotada depos de
uma aula de latim de matar. ( Mas voc deve me ouvir recitar Cicero- j cheguei a
esse ponto em um ms!)
As coisas esto indo totalmente bem. Como sempre, estou adorando minhas aulas de
arte. Nem acredito que ganho credito por desenhar. Recebemos um trabalho novo
hoje e acho que vou fazer amanh- com a ajuda de um cara gracinha que vai servir de
modelo pra mim. (eu adoro essa escola!)
Estamos lendo Rumo ao farol de Viriginia Woolf na aula de ingls. Pai, nem acredito
que voc me deixou viver 15 anos neste planeta sem ler isso. Como pod fazer isso ?
=)
Estou com saudade. Coma um bolinho a mais do Bernard por im( se j no comeu!)
Sua filha preferida e bjs
Jenny
Owl Net--Caixa de entrada de E-mail
De: JennyHumphrey@waverly.edu
Para: JulianMcCafferty@waverly.edu
Data: quarta-feira, 9 de outubro, 21:45h
Assunto: Seja um cidado modelo...
...ou pelo menos uma coruja modelo. Se ainda estiver disposto a participar de meu
projeto de arte, me encontre amanh no ateli,sim? s seis e meia, por ai, ou 6:45.
Me informe. Estou louca para ver que camiseta voc vai usar.
- Jenny ;)
20 - Uma Waverly Owl sempre  uma vencedora elegante  em especial quando 
trada.
Na quinta de manh, Tinsley tocou a campainha da sala de Marymount no Stansfiels
House. Era uma sala enorme no segundo andar com imensas janelas de sacada que
davam para todo o campus e, no inicio de outubro, para as vibrantes cores da
folhagem de outono. Enquanto atravessava o piso de mogno escuro e pisava no
elegantemente gasto tapete turco com as botas de couro marrom Stuart Weitzman,
Marymount se levantou de sua mesa quase chocantemente organizada.No  que
estivesse vazia- estava numa ordem geomtrica perfeita. Um grande bloco se abria no
meio, cheio de anotaes cuidadosas a caneta. Pequenos porta-lpis, pratos de clips,
um porta-fita adesiva e um grampeador estavam enfileirados como que numa
formao militar, podemos atacar a qualquer momento. At o porta-retratos de prata
da famlia do diretor estava num ngulo perfeito em relao a sua cadeira, para
permitir que os visitantes tivessem s um vislumbre de sua angelical esposa loura e
seus filhos. Interessante. A esposa dele era mais bonita do que a aberrao de
Angelica Pardee. Tinsley apertou sua mo esticada.
- Srta. Carmichael- disse ele de um jeito agradvel, embora meio eficiente demais.- O
que posso fazer pela senhorita hoje?
Tinsley percebeu que ele usava uma gravata de estampa floral, com um campo de
tulipas vermelhas e rosas. Seu secretrio precocemnete careca, o Sr. Topkins, estava
com uma gravata de margaridas amarelas. Que estranho. Tinsley afundou num adas
cadeiras antigas e cruzou as pernas, esticando afetadamente por cima do joelho a
bainha do vestido verde-oliva.
- Estive conversando com a Sra. Feingold, da Biblioteca Pblica de Rhinecliff, sobre
pegar uma cpia de Aconteceu naquela noite para exibir no prximo encontro do
Cinephiles.  Isto era verdade, ela passou uma hora ouvindo uma senhora fazer seu
ouvido de penico, dizendo que Clark Gable era corts e todas as mulheres de sua
poca desmaiavam por ele.
- Ah!- exclamou Marymount, recostando-se em sua cadeira e tambolirando os dedos
nas tmporas.  Execelente filme. Aquela Claudette Colbert era...um encanto.
Tinsley assentiu com entusiasmo.
- Exatamente. Ento, enquanto eu conversava com a Sra.Feingold, ela falou do fato de
que a biblioteca de vez em quando faz exibies ao ar livre, eles tm todo o
equipamento para isso e estariam dispostos a emprestar para Cinephiles.  A cara de
Marymount estava ficando decididamente mais sombria enquanto ela falava, de um
jeito quase cmico, como se ele de repente tivesse chupado um lima.
Tinsley continuou apesar disso.
- E assim... Eu esperava ter permisso para um evento especial do Cinephiles fora do
campus. A Sra.Feingold tembm ofereceu o uso de seu antigo celeiro na cidade, que
segundo ela seria perfeito para projetar filme em uma parede lateral.- Essa parte era
uma mentira deslavada, a coitada da Sra.Feingold provavelmente teria desmaiado se
soubesse como estava sendo envolvida nessa farsa, mas Tinsley no podia contar a
Marymount que o celeiro pertencia ao cara da loja de bebidas.
O reitor Marymount sacudiu a cabea lenta e resolutamente.
- Receio que esteja completamente fora de cogitao dar permisso para uma coisa
assim.- Ele passou a mo em seu cabelo fino e sem cor e tossiu.  S as implicaes
legais...- Agora ele sacudia a cabea mais rpido, como se fosse uma idia
incrivelmente idiota e ele nem acreditasse que Tinsley se dera ao trabalho em traz-la
a ele.- Mas especialmente a luz de todos os problemas que tivemos por aqui nas
ultimas semanas...- Ele olhou secamente para ela por cima dos aros dos culos. 
Simplesmente no  possvel.
- Entendo suas reservas, senhor- respondeu Tinsley com educao, sentando-se mais
para frente da cadeira e baixando os olhos com humildade. Seus joelhos tremeram um
pouco pelo que estava prestes a dizer, mas ela manteve a voz estvel. Ficou animada
com essa reunio a tarde toda, justo por causa deste momento. Depois que
dissesse,no haveria volta. Marymount a odiaria pra sempre, se j no odiava. Mas
era justo que ela e Callie fossem castigadas por serem flagradas naquele fim de
semana em Boston, bbadas e seminuas, e ele, que sem sombra de duvida foi o pior
delinqente, traindo a esposa com Pardee, ficasse completamente inclume? Tinsley
foi obrigada a se mudar para um quarto com a p da Brett, e no entanto guardou o
segredo de Marymount. Ela certamente merecia, digamos, benefcios adicionais por
compartilhar o segredo dele.
E, com essa atitude, ela avanou.
- Sei que contraria a poltica da escola promover atividades foram do campus, mas
posso lhe garantir que isto no ser nada parecido com a viagem a Boston.- Ela
parou, fitando as pontas das botas como se estivesse totalmente contrita e no, na
realidade, chantageando o homem.- Nunca mais vai acontecer nada parecido com
aquilo...Acho que todos ficamos meio loucos naquele fim de semana e no pensamos
nas implicaes de seus atos.
Pronto.Ela disse.Tinsley penseu repetidas vezes na melhor maneira de dizer isso e
finalmente concluiu por revelar o suficiente para que Marymount no se sentisse
humilhado demais, nem ofendido demais e a expulsasse imediatamente. Se ela fosse
bem sutil, poderia dar uma sada a ele- no fundo, ele sabia do que ela falava e ela
estava permitindo que ele cooperasse e no pensasse muito que estava sendo
chantageado. Por uma das alunas. O silncio se demorou no ar; o bater do relgio
antigo no canto e o martelar de seu corao eram os nicos sons que Tinsley captava.
Ser que ele estava prestes a explodir...e expuls-la? Ela ficaria meio impressionada
se ele o fizesse.
Depois de um silencio suficientemente estranho, Marymount deu um pigarro e Tinsley
olhou ansiosa para ele, no rosto o retrato da inocncia. Pense em Bambi, disse ela a si
mesma. EM Branca de Neve. No fiz nada de errado.Deixe que ele veja. Ela sentiu os
olhos dele examinado seu rosto, procurando por alguma coisa, mas no pareceram
encontrar nada. Por fim, ele soltou um suspiro fundo.
- E quando esta esperando que esse evento acontea?
O corao de Tinsley pulou de alegria.
- Nesta sexta-feira...Amanha, isto ..Seria perfeito. Sei que esta muito em cima, mas o
clima deve ficar terrvel e me parece uma oportunidade maravilhosa para isto, antes
que o outono realmente comece, no acha?
Marymount respirou fundo novamete e apertou o nariz. Tinsley fingiu no perceber o
que havia com ele e manteve uma expresso surpresa e grata no rosto, reprimindo o
jubilo por seu triunfo. Sempre seja uma vencedora elegante.
- S quero que saiba, Srta.Carmichael- Marymount olhou a foto no porta-retrato em
sua mesa e isso no escapou a Tinsley- que a senhorita ter total responsabilidade
por qualquer coisa que saia de errado.
Ela assentiu gravemente, j pensando em ficar com Julian no celeiro.
- No haver nada de errado, senhor, mas estou disposta a me responsabilizar por
qualquer coisa que houver.
- E alem disso- continou ele, a voz inalterada, os olhos encontrando os de Tinsley pela
primeira vez em vrios minutos-, esta ser a ultima vez que acontece alguma coisa
assim. Compreendeu?
- Perfeitamente.- Ela assentiu, embora todos soubessem que a prmeira vez, para
qualquer coisa, raramente ser a ultima.
Owl Net..............Caixa de entrada de E-mail.
Para:Undisclosed recipients
De: TinsleyCarmichael@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 10 de otubro, 12:38h
Assunto: Aconteceu naquela noite... isto , amanha
Caros convidados de sorte,
Vocs esto cordialmente convocados a se unir ao Cinephiles em uma festa especial
fora do campus com a exibio de Aconteceu naquela noite... na fazenda de Miller, em
Rhinecliff, amanha (sexta-feira) as sete da noite.
O reitor Marymount graciosamente permitiu que fizssemos a exibio especial do
filme em homenagem a seu amor imorredouro pela grande Claudette Colbert. No se
esqueam de amndar um e-mail de agradecimento a ele no sbado de manha. Isto ,
se ainda no estiverem desmaiados.
Transporte: confio que todos sero inventivis o bastante para pensar nisso sozinhos.
Au revior, ms enfants,
Tinsley
Owl Net..............Caixa de entrada de E-mail.
De: JulianMcCafferty@waverly.edu
Para: JennyHumphrey@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 10 de otubro, 12:40h
Assunto: Re: Seja um cidado modelo...
J,
Ainda quero te ajudar no seu novo projeto. Estarei l as seis e meia.
Ento gosta das camisetas , ? Vou tentar surpreend-la. Nas palavras de Right Said
Fred, i`m too sexy for my shirt..
Brincadeirinha- prometo que vou totalmente vestido. A gente se v.
- (o outro) J
Uma Waverly Owl no pensa demais em questes do corao, a no ser quando
pensa.
Na tarde de quinta, apesar do zumbido tranqilizador da mquina de cappuccino e da
msica de Dar Williams tocando no CoffeRoasters, a minscula cafeteria no centro de
Rhinecliff, todo o corpo de Brett estava tenso. Na frete dela, Jenny estava curvada
sobre o livro, muffins de abbora orgnica e Brett, embora no fosse da natureza nem
por esforo de imaginao, meio que gostava de estar cercada de pessoas que eram.
Mas mesmo com a atmosfera que induzia ao estudo- para no falar da cafena- ela s
conseguia pensar no que tinha acontecido na noite anterior com Kara. O beijo . Brett
nunca havia beijado uma menina, no a serio, mas tambm nunca foi uma puritana,
ento no pensava muito no assunto. Brett podia pensar em muitas festas em que
meninas bbadas tendiam a ficar cheias de abraos e beijos, mas ela sempre pensou
que era principalmente para os meninos gatos que estavam olhando. Beijar Kara foi
diferente. Em primeiro lugar, ningum estava olhando e, segundo, elas fizeram porque
queriam, e no porque estavam de porre.
Brett no precisava desperdiar energia preocupando-se que as coisas talvez
ficassem estranhas entre ela e Kara depois de sua pequena ficada. Quando Brett
esbarrou em Kara saindo do banheiro naquela manh, as duas de imediato trocaram
um sorriso- o sorriso tmido e malicioso que s existi entre duas pessoas que dividem
um segredo excitante. E nada ficou diferente no almoo tambm. Elas conversaram
como faziam antes, s que tudo estava um tanto alterado, cada uma delas sabendo
que a outra pensava sem que ningum mais no mundo tivesse noo disso. Era
definitivamente excitante. talvez elas tenham ficado um pouco mais prximas, mas no
o suficiente para que os outros percebessem.
Brett ficou olhando para Jenny, sentada do outro lado da mesinha meio pegajosa, o
marcador amarelo apoiado sobre o livro de Biologia, pronta pra atacar. Precisou
morder a face interna da bochecha para no desabafar com Jenny agora mesmo. Mas
Jenny tinha guardado seu segredo sobre Dalton. Ela certamente era de confiana. E
Brett sentia que ia entrar em combusto espontnea se no contasse a algum sobre
isso.
Jenny olhou inquisitivamente do livro para a amiga antes de Brett poder pensar em
outro motivo para no desabafar.
Seu olhos castanho-chocolate eram to calorosos e amistosos, e as sardas salpicadas
pelo nariz meio arrebitado to tranqilizadoras e compreensivas que Brett no
conseguiu mais reprimir. Fechou o livro dela na mesa e se inclinou.
- J beijou uam menina?- perguntou ela em voz baixa.
- Como ?  Jenny batia o marcador distraidamente no rosto, ao que parecia
esquecendo-se de que estava sem tampa, deixando uma manchinha amarela perto do
canto da boca.Estava meio confusa.  No sei.Quer dizer, tipo assim..a srio? Ou tipo
voc e Kara na reunio outra noite?
- Bom...- Brett olhou em volta, sentindo-se paranica de repente. Aquele cara da turma
de calculo ali perto no estava ouvindo? No, ele tinha fones de ouvido nas orelhas. 
 que ns meio que fizemos de novo.- Brett girou o dedo a corrente do colar.  Ontem
 noite.
- Perai, como  que ?- Jenny olhou como se de repente tivesse sido atingida por um
balde de gua gelada.  Quer dizer, tipo assim, vocs ficaram?- Sua voz guinchou um
pouco nas duas ultimas palavras.
- Shhhh!- Brett colocou o indicador nos lbios de Jenny. Ela no queria chocar as duas
mulheres mais velhas  esquerda dela, embora as duas, com vestidos longos de
padronagem amorfa, pudessem ser elas prprias lsbicas. Mas espera-no se pode
dizer a sexualidade de uma pessoa s de olhar para ela, lembrou-se Brett. Era
exatamente isso que ela no queria que os outros fizessem com ela. Ela baixou os
cotovelos na mesa, esquecendo-se de que a seda delicada de sua blusa Anna Sui
provavelmente grudaria naquela gosma de caf.- Sei l. Mais ou menos. Quer
dizer..Eu no fao idia do que foi.
- Aimeudeus.  Jenny fez um grampeador com os dedos e os bateu rapidamente.- Isso
 to doido. Como  que foi?
Brett sentiu uma lufada de gratido por Jenny. Ela reagiu com perfeio- surpresa e
curiosa,  claro, mas no chocada, nem apavorada. Brett nunca teria sido capaz de
contar alguma coisa assim a Tinsley, mesmo antigamente, quando elas supostamente
eram amigas, sem que Tinsley fizesse um comentrio malicioso sobre Brett precisar
comprar um par de chineles ou coisa parecida.
- Foi ..bom-admitiu Brett, dando de ombros.- Mas estou confusa, sabia?
- Posso imaginar.  Jenny tomou um gole da caneca de caf azul-marinho com as
palavras MIKE'S AUTOMOTIVE na lateral.Os donos do CoffeeRoasters
aparentemente compravam pratos e canecas desiguais em vendas de garagem. A
idia era meio charmosa.  Eai...Voc, tipo assim, quer fazer de novo?
Brett corou.
- Mais ou menos.  O que significava que sim. Ela parou, olhando Jenny nos olhos. 
Acha que  esquisito?
- Duvido que voc tenha sido a primeira pessoa no mundo a beijar uma mulher e
gostado.- Jenny riu. A mquina de cappuccino zumbiu por sobre o ombro de Brett,
sibilando alto.  Quer dizer, as mulheres so bonitas. Por que no ia querer beij-las?
As mulheres sempre cheiram bem e s vezes os homens podem ser totalmente
nojentos.- Depois a cara dela ficou um pouco mais sria.- E Kara  demais.Ela  linda
e doce, e  divertida.
Brett se sentiu comear a corar. Ela realmente pensava em Kara dessa forma? Bom,
ela achava que sim. Embora meio constrangida de comear a conversa , ela teve de
admitir que era bom tirar aquele peso do peito. Mesmo confusa, Brett tambm estava
animada e era bom poder falar sobre isso com Jenny.
- Ento, eu devo ser bi, no ?- continuou Brett, baixando a voz.- Ou  uma espcie
de reao a ter sido ferrada tantas vezes por um babaca?
Jenny tomou um gole de caf.Espiou pensativamente por sobre a caneca.
- No sei. Voc teve alguns, sei l, baques dos grandes ultimamente.- Ela passou o
polegar na ala da caneca antes de abrir outro pacote de adoante e esvazi-lo na
bebida.- Mas talvez seja uma boa idia no tentar rotular,sabe?Os rtulos no
significam nada.
Brett uniu os lbios num breve biquinho.
- Mas eu gosto de rtulos- admitiu Brett  Tornam tudo mais claro.  A irm Bree
sempre disse que gostava das coisas bem loucas e que parte do sentido da vida era
sua baguna, sua recusa em ser arrumada. Brett sempre aceitou esse conselho com
reservas. Devia ser a desculpa para ter um quarto bagunado, ou por terminar com os
caras que ela namorava sem realmente dizer a eles. Mas quem sabe Jenny tivesse
razo?
Jenny tombou a cabea, solidria.
- No precisa analisar tudo demais.S...siga seu corao. E no se preocupe..Seu
segredo est seguro comigo.- Ela levou um dedo delicado  boca e fingiu fechar o
zper nos lbios.
Brett assentiu devagar. Seguir seu corao. Tudo bem. Quantas vezes disseram a ela
para agir desta forma e onde foi que isso a levou? A ser magoada duas vezes no
ultimo ms e meio. Mas ainda assim... Kara era to diferente de Eric Dalton e
Jeremiah Mortimer quanto possvel- tanto na personalidade como na anatomia. No
que ela soubesse muita coisa da anatomia de Kara.Pelo menos ainda no.
22- Uma competio saudvel faz bem a uma Waverly Owl .
- Voc  um porre, Buchanan- cuspiu Julian enquanto atirava o corpo alto pela quadra
de squash de madeira clara num esforo febril de devolver uma bola perfeitamente
colada de Brandon. Ele se chocou na parede branca e suja da quadra enquanto a bola
caia inofensivamente diante dele.
- Ento eu acabei de arrasar com voc?- Brandon deixou a raquete bater no cho e
esticou a mo suada para onde Julian estava esparramado, arfando, no cho. Julian a
pegou e se levantou, gemendo. Nas outras quadras, continuavam as pancadas das
bolas de squash em raquetes; paredes e meninos suados, mas Brandon tinha cabado
de derrotar Julian, o segundo melhor jogador da equipe, pela quarta partida
consecutiva. Uma das melhores sensaes do mundo era quando tudo em seu jogo
parecia estar a favor dele- quando seus reflexos eram imediatos, quando todos os
golpes batiam no ngulo exato, quando ele quase podia dizer onde a bola ia cair antes
mesmo que o adversrio a pegasse.Ele estava to ligado. Ser que tinha alguma
coisa a ver com a mensagem de texto sexy que recebera de Elizabeth pouco antes do
treino?
- . ta bom.- Julian trocou um aperto de mos com Brandon e passou na testa
reluzente a munhequeira antes branca.- Mas espera pela prxima.
- Acha que sua derrota incrvel para mim pode ter alguma coisa a ver com esse troo
de mulherzinha na sua cabea?  Brandon gesticulou para o rabo-de-cavalo de Julian.
Ser que o visual Tom-Cruise-em-Mangolia era uma boa idia? Ser que qualquer
visual Tom Cruise era uma boa idia? Brandon abriu a porta da quadra e partiu para o
bebedouro.
- Bom jogo,gostoso.- Sobressaltado, Brandon olhou os trs bancos que serviam de
arquibancada (nunca havia tantos espectadores nos jogos de squash) e percebeu
Elizabeth sentada no meio, com uma minissaia jeans que parecia ter sido cortada por
ela mesma, meia-cala preta e um top de malha de bal preto e com decote redondo.
Os saltos dos Doc Martens estavam empoleirados quase delicadamente na beira do
banco de baixo. O cabelo louro caiu pelos ombros quando ela puxou os fones de
ouvido brancos das orelhas com brincos de prata.
Brandon no percebera que a estava encarando at que Julian o cutucou nas
costelas.
- Ei.  Brandon partiu para ela, ainda meio pasmo ao v-la num lugar to banal como
as quadras de squash. Era quase como se ele a tivesse conjurado, uma vez que ele
ficou pensando nela sem parar desde sua sesso de amassos no quarto dela ontem.
Ela era to gata e to doce. E divertida e...
- O que est fazendo aqui?- perguntou Brandon, de repente constrangido pelo fato de
praticamente estar pingando de suor. Ele passou depressa a munhequeira no rosto.
- Vendo voc esfregar o cho com aquele coitado.-Os olhos castanhos de Elizabeth
cintilaram de diverso enquanto Brandon deslizava ao Aldo dela na arquibancada.
Ele inchou de orgulho, mas ficou grato por no ter percebido Elizabeth- e suas pernas
sensuais-, j que isso provavelmente o distrairia. Uma vez Callie veio v-lo jogar em
um dos grandes torneios e Brandon ficou to sem graa o tempo todo que foi
atropelado pelo cara de Deefield que ele havia destrudo nas ultimas cinco vezes que
jogaram, para detrimento de seu orgulho masculino. Callie tentou anim-lo depois,
dizendo que no foi to ruim, mas Brandon podia detectar a ponta de decepo em
seu lindo rosto- e ele quase podia ver a repreenso da me controladora de Callie: Os
Vernon no namoram fracassados. Callie na verdade cancelara planos naquela noite,
dizendo que tinha esquecido de que era o ultimo episodio da temporada de America's
ext Top Model. Ele decidiu tomar isso como um bom augrio de que a relao dele
com Elizabeth comeava com o p direito.
- Obrigado. Voc est muito linda.
- E no estou fazendo nada.  Elizabeth piscou para ele.- E ai, er, seu treino acabou?
Podemos sair?
Antes que ele pudesse responder, Brian Atherton, um veterano que chamava a todos
na equipe de cara e raspava a cabea num tentativa intil de disfarar a careca
precoce, passou o brao pelo ombro de Brandon como se eles fossem grandes
amigos e no colegas relutantes de equipe.
- Cara- entoou Atherton, a boca praticamente escancarada ao ver Elizabeth-, essa 
sua namorada?
De repente Brandon percebeu que as quadras estavam perceptivelmente mais
silenciosas, no havia mais os sons de meninos xingando ou de raquetes batendo nas
paredes. Brandon casualmente se soltou do brao pesado de Atherton e respondeu
sem pensar.
- . Esta  Elizabeth.- Ele tombou a cabea para Atherton.- Este  Atherton.
Atherton apoiou um dos tnis no banco mais baixo e fingiu alongar o msculo da
panturrilha.
- E como  que est com esse cara?- perguntou ele incrdulo, os olhos cobiosos nos
ombros parcialmente nus de Elizabeth enquanto espremia a garrafa de gua na boca.
Brandon o vira olhar desse mesmo jeito para um Bic Mac depois de uma partida. Um
nojo.
Elizabeth fitou Atherton, aparentemente sem se impressionar. Ela deu de ombros e
sorriu, a covinha embaixo dos lbios se aprofundando maliciosamente. Brandon pegou
o olhar dela e viu que havia alguma coisa errada. Rapidamente empurrou Atherton de
lado e a conduziu para a porta.
- Est tudo bem?- perguntou Brandon depois que as pesadas portas do complexo de
squash se fecharam. O ar frio contrastava bem com a sua pele quente enquanto ele
colocava as munhequeiras no bolso de fora da bolsa de vinil preto de squash.-
Desculpe por Atherton. Ele  meio babaca.  Ele baixou a cabea e percebeu que
ainda estava com os tnis. Tecnicamente, eles no deviam ser gastos fora das
quadras- o complexo de squash era um anexo novo em folha e o mais caro da
Waverly e havia placas ameaadoras em toda parte.
- .  Elizabeth tocou distrada o cabelo e vestiu a jaqueta de couro. Fechou o zper,
impedindo Brandon de ver seus ombros loucamente atraentes.  Humm, voc 
mesmo especial para mim...- Epa. Ele se virou para ela. Ela no veio at aqui s para
terminar com ele, no ?- Mas..a palavra namorada me fez encolher um pouco,
entendeu?- Ela mordeu o lbio.
- Humm, tudo bem..- Brandon no fazia idia do que estava acontecendo. Nem foi ele
que escolheu usar namorada, mas era meio o que ela era, no ? S que..Agora ela
estava dizendo que no queria ser?
Elizabeth colocou a mo no brao nu de Brandon e ele olhou sem dizer nada sobre
suas unhas rosa-claro enquanto ela o apertava gentilmente. Ela no ia tocar nele
daquele jeito se pretendia terminar com ele.
mas ela no retirou a mo. Na verdade, comeou a passar o polegar em seu pulso e
Brandon teve de se esforar muito para no ficar completamente excitado.
- E ai, o que voc estava dizendo mesmo?  perguntou ele, meio sem jeito.
- S estou dizendo que preciso ser, tipo assim, aberta nessas coisas.  Seus olhos
castanhos o fitaram atravs da teia escura e espessa das plpebras.-  que eu odeio
me sentir...presa,entendeu?- Seu olhos procuraram os dele, buscando compreenso.
Perai, como ? Ento ela no estava terminando com ela- s estava dizendo que
queria, humm,estudar com outras pessoas?
- O que voc pensa disso?  Sussurrou Elizabeth, aproximando-se um pouco mais
dele de modo que o cheiro de mel e incenso do cabelo o fez voltar  tarde de ontem
no quarto dela.
E de repente Brandon no estava pensando muito bem.
Owl Net .................. Caixa de entrada de E-Mail
Para: Garotas da Waverly, HeathFerro@waverly.edu
De: KaraWhalen@waverly.edu
Data: quinta-feira, 10 de outubro, 16:45h
Assunto: Reunio das Garotas da Waverly
Senhoras ( e Heath),
A segunda reunio oficial da GdW acontecer esta noite as sete. Como o trio est
reservado, podemos nos reunir em meu quarto (107, do Dumbarton), se no se
importarem com o aperto!
Obrigada por fazerem da primeira reunio um sucesso- espalhem a todas sobre esta
noite e no tenham medo de trazer suas perguntas! O tema desta noite  AMOR.
Heath- voc tambm  bem-vindo mas, como acontecer depois do horrio de visita,
cuidado para no ser flagrado.
Bjs
Kara
Owl Net .................. Caixa de entrada de E-Mail
Para: KaraWhalen@waverly.edu
De: HeathFerro@waverly.edu
Data: quinta-feira, 10 de outubro, 16:51h
Assunto: Reunio das Garotas da Waverly
No tenham medo, meus amores  vou levar presentes para minhas amiguinhas!!
Bjs
HF
Owl Net .................. Caixa de entrada de E-Mail
Para: JulianMcCafferty@waverly.edu
De: TinsleyCarmichael@waverly.edu
Data: quinta-feira, 10 de outubro, 16:59h
Assunto: Sinal
No sei o que aconteceu com voc ontem, mas hoje  seu dia de sorte- vou lhe dar
um segunda chance. No me d outro bolo ou vai se arrepender.
Beijos!
T
23-Uma Waverly Owl deve dar um pouco para receber um pouco.
Brett largou no andar do quarto de Kara o ltimo pufe da sala-de-estar do segundo
andar e se endireitou, massageando de leve o ombro. Nos preparativos para a reunio
das Garotas da Waverly, elas arrastaram uma meia dzia de coisas pesadas da sala-
de-estar e de algum modo conseguiram espremer tudo no espao agora abarrotado,
ento o quarto era um mar de bolsas de vinil coloridas e imensas. Kara desabou num
pufe azul-escuro. Brett sempre odiou essas coisas- a no ser agora, que pareciam,
bom, meio sexy. Hesitando s um pouco, ela sentou ao lado de Kara, o peso do corpo
balanando um pouco as duas, e isso as fez rir. Conversar com Jenny esta tarde fez
com que Brett se sentisse mais  vontade com a histria. No que ela estivesse se
sentindo pouco  vontade, exatamente, mas ainda assim...
- Do que vamos falar na reunio desta noite?- perguntou Brett consciente do fato de
que seus braos estavam se tocando. Ela sentiu o recheio do pufe se mexer um pouco
e afundou ainda mais perto de Kara para que as pernas se tocassem tambm.
Kara girou a correntinha de prata para que o fecho voltasse ao lugar certo. Suas unhas
estavam pintadas de rosa-claro, uma cor que fazia Brett pensar em sua prpria Pinkie
Swear Crazy Daisy, e rodas nas pontas. No estava maquiada e no precisava disso.
Tinha sardas mnimas e claras salpicadas no alto das bochechas, to fracas que s se
percebia quando se estava muito perto dela. Como Brett estava agora.
- O tema  amor, ento talvez a gente deva falar dos diferentes tipos de amor- sugeriu
Kara, as sobrancelhas delicadamente arqueadas.
- Hummm..- Mas Brett no conseguia pensar em nada a no ser beijar Kara de novo e,
antes de dizer alguma coisa, inclinou-se para ela. Kara evidentemente no ficou
chocada e seus lbios de moveram por instinto nos de Brett, provocando arrepios por
sua espinha. Brett tentou no comparar beijar Kara com beijar Jeremiah, mas no
conseguia evitar- era como se estivesse comendo maas a vida toda e agora
experimentasse couve-de-bruxelas depois de uma vida toda achando que as odiava,
descobrindo que elas eram mais doces que acar. Os lbios de Kara eram to
macios. E ela beijava muito bem. A mo de Brett subiu para tocar o rosto de Kara.
- Da-d!
As meninas se separaram, surpresas, viraram-se e viram Heath Ferro parado na porta
vestido de...drag queen. estava com uma peruca loura comprida e enormes culos de
sol marrons Gucci, que ele tirou da cara no segundo em que viu as duas meninas
agarradas.
- Caralho!
Brett foi a primeira a saltar de p, o rosto em brasa.
- Fecha a porta, babaca- sibilou ela para ele, mas depois disparou para fechar ela
mesam a porta.  O que  que voc est fazendo aqui?
Heath colocou a mo na boca.Seus olhos estavam esbugalhados de empolgao e, se
a situao no fosse to grave, Brett teria rido do fato de ele parecer uma mulher com
aquela peruca, apesar de vestir calas cqui surradas e uma camiseta preta e
apertada que claramente revelava sua falta de seios. Mas talvez,  primeira vista,
algum o pudesse confundir com uma mulher.
- Por favor, eu no quero interromper.Esta , tipo assim, a coisa mias quente que j vi
na vida!
- Heath, no pode contar a ningum sobre isso.  Brett apertou as mos nas
tmporas, encontrando os olhos igualmente em pnico de Kara do outro lado do
quarto.- Estou falando srio. Vai ter que jurar, est bem?- Loucamente, mesmo que
em seu estado histrico, Brett no conseguiu deixar de perceber que Kara ficava linda
quando estava assustada.
Heath enfiou os culos distraidamente na gola da camiseta, um sorriso exaltado ainda
esparramado na cara. Parecia que ele tinha acabado de entrar na Manso da Playboy.
- Eu prometo...de verdade. juro por tudo o que amo...No vou contar a ningum sobre
isso. Nunca.  Ele olhou as duas meninas com franqueza e depois procurou alguma
coisa ma mochila, sacando por fim...uma cmera digital.  Desde que eu possa tirar
uma foto, hein?
- Como ?  Brett cerrou os lbios, irritada. Mas enquanto olhava Heath, ela comeou
a sentir que ele no representava nenhuma ameaa real, pelo menos enquanto
estivesse se divertindo. Brett bateu a ponta dos Campers de camura no cho
encerado.
- De jeito nenhum.- Kara sacudiu a cabea para Heath de onde estava no pufe,
recostando-se. Ela alisou a saia preta e Brett pde sentir Heath olhando intensamente
para ela, para ver se ela estava olhando as pernas de Kara. Homens.
- Ah, por favor, s uma fotinha.  tudo o que eu peo em troca de guardar o segredo
de vocs.  Heath olhava de uma menina para outra, distraidamente puxando o cabelo
de sua peruca loura.  Por favooooor! Vocs ficam to excitantes juntas.
Brett por fim pegou os olhos de Kara e tentou enviar a ela uma mensagem. Me
acompanhe,ela tentou dizer.
- Bom...- Brett esfregou o queixo entre o polegar e o indicador.- Talvez s uma.- Se
isso ia manter fechada a boca de Heath Ferro, no era um preo to alto a pagar.
- Ah, meu Deus, eu adoro vocs.  Heath ligou atrapalhado seu Nokia prateado, o
cabelo caindo torto na cabea, e Brett piscou para Kara.
Kara sorriu e se levantou, esticando as pernas. Foi at onde Brett estava e a pegou
pelo brao.
- Pronta?- perguntou ela, as sobrancelhas erguidas. Tem certeza?, pareciam dizer
seus olhos.
- To- Brett riu, empurrando uma mecha de cabelo para trs da orelha esquerda.E seus
rostos se aproximaram lentamente, como se estivessem num filme, os lbios se
encontrando e abrindo-se suavemente um no outro. Era meio... sensual ter algum
olhando. No foi como antes, quando elas estavam sozinhas, mas era excitante de um
jeito diferente, quase como se as coisas ficassem mais eletrizantes porque elas
permitiam que algum participasse do segredo. Elas se afastaram com relutncia.
- Assim est bom?- Brett virou-se para Heath, mo colocada desafiadoramente no
quadril.
Ele passou a mo na cabea, esquecendo-se de que no era o cabelo dele. A peruca
escorregou para a esquerda, de modo que o cabelo louro ficou empoleirado torto.
- Eu estou no paraso? Porque... Algum l em cima gosta de mim.- Ele olhou a telinha
do telefone e examinando as fotos.
- Deixa eu ver como ficaram.  Kara pegou a cmera das mos dele e ergueu para
Brett ver tambm. Heath tinha tirado dez fotos delas nos cinco segundos em que elas
ficaram se beijando e Brett viu as imagens de si e de Kara piscarem no visor. Tinha de
admitir que elas ficavam mesmo excitantes juntas. Depois de passar todas de uma
vez, Kara rapidamente comeou a delet-las.
- Ei, o que est fazendo?- Heath tentou pegar a cmera.  Voc disse que eu podia ter
uma!- Ele se atirou em Kara, mas Brett o obstruiu at que ela terminasse. Kara pulou
na cama e ficou ali, deletando todas as fotos salvas.- No!- gemeu ele, parecendo
uma garotinha. O que era meio adequado, considerando que estava vestido como
uma.
Brett afagou as costas de Heath.
- Olha. O que me diz disso? A cada dia que guardar o segredo, vamos tirar uma foto
sexy juntas e mandar a voc por email.Est bem?- Ela olhou para Kara, que ainda
estava de p na cama, sem sapatos com meia cala.
- Mas por enquanto- continuou Kara,quicando nos dedos dos ps, emoldurada por um
pster em preto-e-branco de um Bob Dylan jovem no alto da cama-, a cmera 
nossa.
- Se me mandarem fotos sensuais e secretas, s para mim- e Heath engoliu seco,
como se ficasse sem flego s de pensar-, eu prometo que levarei esse segredo para
o tmulo.- Ele ps a mo no corao.
- Fechado.- Os lbios em formato de corao de Brett se curvaram num sorriso e ela
encontrou os olhos de Kara novamente.-  claro que voc entende- ela baixou a voz
ao registro mais ameaador possvel- que se isto vazar...Ns vamos matar voc.
- Ah, eu prometo- disse ele, unindo as mos como se rezasse.- Eu prometo, prometo
de verdade. Juro por tudo o que  mais sagrado.- Seus olhos verdes normalmente
indolentes faiscavam de...qu? Seria sinceridade?
Ou pura luxria?
24 - UMA WAVERLY OWL SABE QUE S VEZES O TRABALHO RDUO  O
MELHOR REMDIO.
Jenny botou o material de arte na mesa no meio do ateli e a caixa pesada de pastis
tiniu no metal, ressoando no enormeespao vazio. O prdio ficava aberto na maioria
das tardes para qualquer um que precisasse de mais tempo nas mesas de desenho,
mas a maior parte dos alunos no aproveitava isto.
Ela ligou o sistema de som da Sra. Silver para ter companhia. Estava sintonizado
numa emissora antiga, mas Jenny deixou ali mesmo - meio que a fazia pensar no pai,
que a cada manh se arrastava pela cozinha com seus chinelos, fazendo caf com um
dos trs CDs dos Beatles que ele mantinha em rotao constante no CD player porttil
que Jenny e Dan lhe compraram de Natal. "Velharia para um velho", ele cstumava
dizer.
Enquanto voltava para sua mesa e comeava a arrumar o material de arte em
categorias organizadas, Jenny no conseguiu deixar de sorrir. Ela adorava o prdio de
artes quando no havia ningum ali. As imensas vidraas davam para as folhas de
cores vivas, cujos tons ainda eram visveis embora o sol estivesse se pondo, e os
reflexos dos spots cintilavam atrs dela. As janelas lembravam um pouco de Nova
York, de andar pela Comlumbus Avenue  noite e olhar as imensas vitrines refletindo
as pessoas que andavam pela rua.
Jenny olhou a porta do ateli se abrir e viu Julian entrar, comendo uma maa. Ela
podia ver a covinha perto de sua boca. ELa sorriu do outro lado da sala gigantesca.
- Oi, e a. - A voz dela ecoou no ateli vazio, por cima do som de msica antiga dos
Rolling Stones. Ela acenou para Julian se aproximar de onde ela havia disposto o
material: um imenso bloco de papel de aquarela, pastis, carvo, aquarelas, at tubos
de tinta. Ela exagerou nos preparativos porque no tinha certeza do que iria usar.
Estava esperando por uma... inspirao. - Voc veio - acrecentou ela com um sorriso.
Julian deu outra mordida na maa verde e olhou o teto alto e inclinado e as imensas e
exageradas vidraas, gostando do que via. Depois os olhos baixaram para ela e seus
olhos dourados se arregalaram.
- Ei, estou com a roupa certa para isso? Sei que voc adora camisetas, mas... - Seu
cabelo castanho-olourado estava solto e ele usava uma camisa de mangas compridas
por cima de uma camiseta apertada do show dos Raconteurs e cala preta de boca
fina. - Quer dizer, voc est tima. Como se algum devesse desenhar voc -
acrescentou ele.
Jenny queria no corar com o elogio. Ela ficou surpreendentemente nervosa quando
estava se arrumando, mas finalmente escolhera a blusa de gola rul e mangas
bufantes chocolate Free People que ficava supermacia, parecendo seda na luz, e
jeans escuros e apertados da Gap que Jenny tinha desde que se entendia por gente.
Definitivamente no era nada elegante, mas era um doce que Julian dissesse que ela
estava linda. E ela havia mesmo passado um pouco de sombra Bare Escentuals na
cor Fire Light nas plpebras.
- Hum, obrigada. Mas sim... Sua roupa est tima - finalmente ela respondeu,
esperando no corar contra a sua vontade.
- Legal. - Julian pulou no pequeno tablado no meio do ateli, onde os modelos
pasavam nas aulas. As botas de caminhada batiam pesadas na plataforma de madeira
e, com a altura a mais, ele assomava sobre Jenny - ainda mais do que o normal. - 
aqui que quer que eu fique? - perguntou ele com um sorriso.
- Talvez... - Jenny passou o polegar no queixo, ocmo sempre fazia quando tentava
visualizar sua composio. Julian era to alto e desengonado - ela achava que o
retrato dele devia capturar isso de algum modo. - Humm, que tal a poltrona? - Ela
gesticulou para a poltrona de veludo gasto que apareceu por acaso no ateli outro dia,
doada pelo departamento de teatro ao departamento de artes e a Sra. Silver de
imediato a solicitou para os modelos posarem, em sua busca constante por movis
que fossem "inspiradores". Era meio surrada e o tecido estava gasto at a base em
alguns pontos, mas havia veludo azul-royal listrado suficiente para torn-la um tanto
rgia e excitante, como um trono pessoal. Julian, o rei do... do qu? Do povo alto e
lindo?
Julian afundou na poltrona, que de repente parecia pequena, os joelhos praticamente
vindo ao peito. Jenny no conseguiu reprimir o riso. Ele tossiu e se espreguiou,
bocejando, estendendo as pernas compridas e afundando ainda mais na poltrona.
- Parece que esta poltrona est me devorando vivo.
- Est confortvel? - perguntou Jenny, o lpis j voando no papel. - Essa  uma pose
tima... Captura o quanto voc  alto.
Julian se remexeu um pouco na poltrona. Ele parecia um jogador de basquete
tentando ficar  vontade num mvel de casa de bonecas.
- Tudo bem. Desde que eu no tenha que ficar auqi para sempre.
- Vou trabalhar rpido - prometeu Jenny, embora estivesse pensando em coom era
bom estar aqui com Julian e meio que quisesse jamais ter que sdair e voltar 
realidade. O ateli era seu prdio preferido no campus e Julian a fazia esquecer de
Easy. E neste momento a ltima coisa em que ela querai pensar no munodo era Easy
Waksh, e como ele foi o ltimo cara que ela desenhou. E como ele a desenhou no
bosque. Talvez desenhar algum fosse uma sentena de morte para o
relacionamento, como enfiar alfinetes numa boneca de vodu.
Seu lpis pairou no meio de um trao no papel branco e grosso. Seria imaginao dela
a qumica que sentia or Julian? Ela no conseguiu deixar de se lembrar de como tinha
certeza - uma ceteza do tipo nunca-estive-to-certa-na-vida - de que havia alguma
coisa entre ela e Easy, alguma coisa verdadeira. E ento, quase com a mesma
rapidez com que comeou, tudo terminou. Embora ela estivesse trsite por ter perdido
Easy, estava mais triste com o fato de ter julgado to mal as coisas. "Amor no  amor
se quando encontra obstculos se altera, ou se vacila ao mnimo temor." Assim disse
Shakespeare, que parecia saber alguma coisa sobre isso. Parte dela pensou que
ficaria um caco se ela e Easy terminassem - e no entanto aqui estava ela, dias depois,
j fantasiando em naufragar numa ilha tropical com outro.
Julian engoliu um pedao grande de ma, mal parando para mastigar.
- Nunca vim aqui. - Seus olhos vagaram pelo teto alto e inclinado e as imensas
paredes de janelas.
- s vezes finjo que sou uma artista famosa e que este  meu loft no SoHo. - Jenny se
afastou um pouco da mesa reclinada para ver o desenho preliminar. Tinha feito um
esboo da figura de Julian, agachado na poltrona de um jeito ao mesmo tempo
desajeitado e elegante. As linhas claras do grafite pareciam combinar com ele como o
tema - se ela tivesse de passar a outro material, sem dvida perderia parte da
proximidade que pensouestar capturando. A cena lhe dava a sensao de que podua
desaparecer a qualquer momento: Julian podia se levantar, espreguiar-se e ir
embora. A espontaneidade do lpis parecia certa para ele.
Ele olhava diretamente para Jenny, provocando nela um solavanco, como acontecia
quando ela estava com pressa e s tinha tempo para um expresso pela manh.
- A diferena  que podemos ver as rvores l fora.
Ela tentou capturar os ombros arriados de Julian, a postura relaxada de seu corpo,
formando um contraste com a energia quase incapturvel.
- Tem vores em Nova York tambm, sabia?
- Ah,  - ele ergueu o queixo para ela. - Tipo umas cinco.
- Nunca ouviu falar do Central Park? - perguntou Jenny incrdula, tentando no sorrir.
Seu lpis disparava pelo papel. - Tem, tipo assim, uns 350 hectares de rvores.
Julian riu e sacudiu a cabea.
- No fique na defensiva. Eu s gosto de cidades com rvores.
- Vai comear a maltratar Nova york? Porque no acho que possa desenhar algum
que no entende que  a melhor cidade do planeta. - Jenny parou, erguendo o lpis do
papel de um jeito ameaador. - Quer dizer, isso contraria tudo em que acredito - disse
ela de brincadeira.
- Bom, eu meio que j disse a minha me que ia fazer meu retrato. Ento  melhor no
estragar tudo agora.
- Como eu poderia decepcionar a sua me? - Jenny suspirou com uma falsa
resignao e voltou a desenhar. No era lindo que ele tenha contado  me sobre a
sesso de retrato? - Voc tem um rosto timo mesmo, sabia? - Ela no conseguiu
deixar de acrescentar. Era verdade. Depois de desenhar o fundo, Jenny finalmente
podia se concentrar na parte que se esforara para evitar: o rosto de Julian. - Muito
expressivo.
- As meninas gostam do nariz quebrado. - disse el meio timidamente. - Elas pensam
que eu sou duro.
Jenny soprou um fio de cabelo dos olhos.
- E voc ?
- Depende de sua definio.
- Acho que ser duro significa... - Elas afastou o lpis do papel por um minuto para
pensar. Podia sentir os olhs dele percorrendo seu rosto. - Significa no ter medo de se
fazer de bobo.
- Ento eu sou o Rambo e o Exterminador do Futuro num s. - Julian riu. - Sou famoso
por me fazer de bobo vrias vezes e me divirto muito com isso. - Ele tinha um timo
riso de pateta - sua boca se abria tanto que praticamente dava para ver que operou as
amgdalas. - De imediato, ela retirou a folha que operou do bloco e comeou um novo
desenho. Ela precisava desenhar aquela gargalhada - como fazia todo o corpod ele
tremer de alegria, de prazer, de puro deleite por estar exatamente onde estava,
naquele exato momento. Jenny podia ler tudo na linguagem corporal dele e estava
decidida a tentar capturar isso no papel. Ela pensou novamente na tarefa que a Sra.
Silver lhes dera: revelar alguma coisa da personalidade do modelo. Ela queria que
todos olhassem o retrato de Julian e pensassem:  isso, esse cara  assim mesmo!
- Humm, se importaria se eu desenhasse voc rindo? - perguntou Jenny, meio
insegura. - Quer dizer, no precisa ficar rindo o tempo todo nem nada... Mas se puder
tentar, seria timo.
- Primeiro quer que eu sente nessa cadeirinah de beb, e agroa quer que eu pose
rindo? - Julian olhou para ela incrdulo, parecendo, no entanto, se divertir. - Voc no
me disse que ia ser to difcil. - E ento ele riu novamente e o lpis de Jenny voou no
papel. - Vai ter que me contar umas piadas boas.
Ela gemeu.
- Sou pssima com piadas. Sempre estrago todas.
- Bom - zombou Julian -, se ser duro significa no ter medo de se fazer de bobo...
Uma risada irrompeu da garganta de Jenny. A energia dele era contagiante.
- Tudo bem - disse ela, o crebro procurando recursos para o tipo de piada espirituosa
e criativa que pudesse impressionar JUlian. Nada. - T legal. O que , o que ?
Ele deu uma gargalhada e o som dos dois pareceu subir ao teto e encher toda a sala.
O tempo passou rapidamente e s quando Julian se levantou e se espreguiou pela
quarta vez, e fez aquela cara engraada e maravilhosa para Jenny rir pela milionsima
vez, ela percebeu, chocada, que tinha perdido a reunio das Garotas da Waverly.
OwlNet -------------- Caixa de Entrada de E-mail
................................................
De: TinsleyCarmichael@waverly.edu
Para: JulianMacCafferty@waverly.edu
Data: Quinta-feira, 10 de outubro, 20:55h
Assunto: Oi!
J,
No recebeu meu e-mail? Vai bancar o difcil? Bom, tudo bem. Est dando certo...
T
25-Uma Waverly Owl sabe que os segredos picantes devem ser partilhados.
Callie bocejou e tentou se animar para sair do pufe aconchegante, mas a vodca que
tinha bebido durante a reunio das GdW deixou seus membros pesados e ela
rapidamente deistiu. Heath, como prometera, tinha levado presentes- neste caso, trs
garrafas de Stoli, embrulhadas em moletons na mochila. Para o grande prazer das
damas, ele ficou com a peruca loura e disse a todas que era a nova aluna de
intercambio sueco, Ing. Sempre havia alguma coisa bizarra em jogadores de futebol
americano usando o Halloween como desculpa para se vestir de lideres de torcida e
enfiar bales por baixo do suter, mas Heath foi uma Ing natural, com suas roupas de
homem normais e a linda cabea com cabelos louros compridos que ele ficava
afagando durante a reunio. s 21:10h, pouco antes de Pardee geralmente comear a
fazer sua ronda antes do toque de recolher, a reunio das Garotas da Waverly se
dispersou, as meninas saindo relutantemente de seus confortveis pufes.
- Senhoras.  Heath se curvou graciosamente, o cabelo da peruca quase tocando o
cho.  Foi um autntico prazer.
-  limpo.- Brett tinha todo o tronco para fora da janela aberta de Kara. Ela se iou de
volta e tomou ouro gole de ch no-to-inocente.  Tem que sair daqui.- Para surpresa
de todas, ela lhe deu um abrao rpido de bbada antes de enxot-lo sem a menor
cerimnia para a janela. Callie ergueu uma sobrancelha. Desde quando Brett
Messerschimidt se dignava a tocar no desprezvel Heath Ferro?
Depois que Kara fechou a janela aps a sada de Heath, as outras meninas
comearam a seguir pela porta, ainda zumbindo de excitao e meio tontas. O tema
da discusso da noite foi o amor e todas tiveram algo a dizer, em especial quando
suas lnguas se soltaram com a vodca de Heath.Mas na maior parte da reunio Callie
s ficou aninhada em seu pufe e acalentou a limonada batizada Country Time. Era
timo que Rifat, Benny e Sage pudessem falar de suas paixes, amores, mgoas e
tudo, mas Callie no estava exatamente em condies de dividir o que acontecia com
ela, por mais relevante que fosse para o tema em questo suas atuais idas e vindas.
- Vamos, garota?- Benny chutou o pufe de Callie com o p com meia e riu, o cabelo
castanho espesso e perfeitamente brilhante elegantemente atrs de suas pequenas
orelhas com brincos de diamante. Mesmo quando estava bbada, Benny nunca
transparecia. Ao que parece, era um dos benefcios genticos de ser praticamente
descendente da aristocracia.  Voc precisa sbir e se cuidar.
Calie suspirou fundo e tentou se colocar de p, mas o quarto comeou a girar de
imediato como um carrossel do mal e ela afundou de novo no pufe. Ela pousou as
costas da mo nos olhos e desejou que todas s sumissem dali. Espiou por entre os
dedos para ver se Benny ia incomod-la mais, mas ela j estava indo para a porta.
Callie no conseguiu deixar de lamentar um pouco por estar atordoada e combalida.
Brett e Kara estavam paradas  porta, as cabeas unidas, cochichando. Que
timo.Deviam estar reclamando de sua embriaguez, de que iam ficar presas com ela.
Piranhas. Mas depois Brett lhe abriu um sorriso que parecia sincero e desapareceu
porta afora.
Callie fungou infeliz e percebeu pela primeira vez um fio puxado nas meias cinzas.
- Merda.  Ela passou o dedo no fio, perguntando-se se foi de ficar sentada naquela
baia fedorenta no estbulo. Uma onde quase insuportavel de desejo a inundou ao
penar que algumas horas antes ela estava a ss com Easy e ela s o deixou beij-la
quando eles se despediram. Foi preciso um autocontrole quase sem precedentes da
parte dela e Callie sabia que se atiraria nele e o devoraria de beijos se ele estivesse ali
agora.Por que ela segurou isso por tanto tempo, caramba? Ele estava apaixonado por
ela- finalmente. E ela o amava. Por que mais alguma coisa deveria importar?
- Que foi?- Kara, que tinha se abaixado para pegar no cho uma lata de Dixie vazia,
levantou-se e olhou inquisitivamente para Callie, as bochechas rosadas de lcool.
Callie no percebeu que estava pensando alto, mas, depois de perceber, era como se
um lacre tivesse se rompido.Embora sua lngua estivesse lenta, ela no conseguiu
reprimir.
Callie cruzou as pernas de novo para no poder ver mais o fio puxado.
- Sabe como .Por que o amor no basta?Tipo assim, por que as outras coisas
importam tanto?
Kara assentiu lentamente. Callie sentiu um toque se afeto por Kara por no a olhar
como se ela fosse louca, ignorando sua voz de bebum e ouvindo o que ela dizia. era
um amor da parte dela. Ela era um amor.
- como assim? Que outras coisas?  perguntou Kara.
- Sabe como - repetiu Callie, recostando-se no pufe, gostando do barulho do recheio
de feijo, ou seja l o que tinha l dentro, que se mexia para acomod-la.  mais
assim, pensou ela bbada.- Todo esse negocio de esconder o que se sente de
evrdade...E ficar se esgueirando por ai. S para no magoar as pessoas...Quando s
o que voc quer  amar.  Ela se sentiu agitando os braos, mas eles pareciam se
mexer por conta prpria, sem nenhum sinal de seu crebro.
Kara desabou no pufe ao lado de Callie e pos os cotovelos nos joelhos. Vestia uma
bonita tnica chocolate sobre uma saia preta e curta e meia-cala
- Perai, do que exatamente voc est falando?
Callie tirou uma mecha de cabelo do rosto.
- Hummmm, voc meio que tem que prometer no contar a ningum.
Os olhos castanho-esverdeados e simpticos de Kara pareceram sorrir enquanto ela
assentia solenemente. Ela lembrava a Callie, um pouco, uma menina que foi sua
grande amiga na segunda srie.Alena qualquer coisa. , a Alena era legal.
- Eu juro.
Callie baixou um pouco o queixo, a cabea comeando a parecer pesada.
- Bom...Easy e eu meio que estamos nos vendo de novo.
A boca de Kara formou um O de surpresa.
- Uau.- Ela soltou o ar com rudo.Cruzou os tornozelos e Callie teve um vislumbre da
pulseirinha no tornozelo- uma ritinha de couro gasto com um pingente da paz.
- Quer dizer, sei que  uma merda e tanto- continuou Callie rapidamente.- Por causa
da promessa que eu fiz a Jenny e tudo...Que eu pretendia cumprir.  Ela passou as
unhas compridas no couro cabeludo.- Mas  to difcil.Eu ainda o amo. E ser que eu
devia, sabe como , lutar contra isso ? Para sempre?
Ela se imaginou como uma designer de interiores com trinta e poucos anos ou uma
editora importante em Nova York, dona de seu prprio apartamento ostentoso, tendo
sales e soires semanais onde estrelas de cinema, escritores e artistas exticos e
brilhantes iam beber e paquerar. Ento, um dia,o faminto e maltrapilho artista Easy
apareceria na sua porta e lhe diria que ainda a amava. E ela devia dar o fora nele
mesmo assim? Isso no era justo.
- No- respondeu Kara enfaticamente, surpreendendo Callie. Ela no sabia bem por
que estava desabafando com Kara, quando Kara e Jenny eram muito amigas. Mas
alguma coisa em Kara(talvez o fato de ela parecer sofrida, quem sabe?) compelia
Calie a se abrir. Isso e a vodca.  obvio.  Quer dizer,  claro que voc deve ser meio
sensvel porque tem muita gente envolvida.- Ela deu de ombros.- Mas se voc est
apaixonada...Isso sai de controle, n?Ningum escolhe por quem se apaixonar. E no
 motivo para se envergonhar, ?
- De jeito nenhum.- Callie assentiu. Ergue a garrafa de ch gelado e elas fizeram um
brinde bbadas, as duas rindo.- No existem muitas coisas verdadeiras no mundo,
sabe? E o amor  uma delas- disse ela com a voz arrastada, parecendo uma cantora
de pop briga ou uma bbada de carteirinha.
- Sabe uma coisa...- Kara deu um pigarro depois de tomar um gole da bebida.- Eu
meio que...estou vendo uma pessoa tambm.
Foi a vez de Callie focar chocada.
- S no me diga que  Haeth Ferro, ta bom?  Heath tinha sentado ao lado de Kara a
noite toda, meio que a encarando com os olhos esbugalhados, como se a estivesse
imaginando nua. Porque se ela ia ouvir Kara dizer estar apaixonada pelo esquizide
do Heath, ela ia vomitar. Oque, deve- admitir, ela provavelmente faria muito em breve
de qualquer forma.
Kara riu.
- No  o Heath. Mas vai me prometer no contar a ningum tambm, est bom? Quer
dizer, seria muito...estranho se isso vazasse.
Callie assentiu to enfaticamente quanto permitia seu estado de bebum.Seu estmago
j comeava a gorgolejar e ela sabia, infelizmente por experincia prpria, que depois
que se comeava a pensar em vomitar, isso significava que o vomito no estava num
futuro distante.
- , hummm...A Brett.
GdW era mesmo um nome perfeito.
26 - UM EX-AMIGO PODE SER O ALIADO MAIS VALIOSO DE UMA WAVERLY
OWL.
Brandon heistou do lado de fora da porta de Easy Walsh, sem ter certeza se devia
fazer isso. Ele odiava profundamente Walsh - pelo modo como ele rondou feito um
abutre no ano passado e roubou Callie dele, depois pelo modo como ele jogou Callie
de lado assim que a lindinha da Jenny Humprey apareceu, e pelo modo como ele
agora estava dispensando Jenny. Ele odiava tudo nele, inclusive seus jeans sempre
to perfeitamente sujos de tinta como que para lembrar a todos no mundo que ele era
um artista. Tudo nele era to espontneo - e isso deixava Brandon completamente
maluco.
E no entanto les tiveram um cessar-fogo quando Brandon esbarrou com ele no bosque
no incio da semana. Walsh realmente pedira seus conselhos - como se nem tivesse
conhecimento do fato de que Brandon esperava pelo dia em que ele seria expulso
para poder lhe dar adeus alegremente e para sempre. Se Walsh podia ser evoludo e
pedir a opinio de Brandon sobre alguma coisa, ento, bom, Brandon no ia deixar
que ele fosse o nico maduro na histria. Resolutamente, ele bateu na porta.
- sim? - gritou uma voz abafada e distrada de dentro. Brandon abriu a porta e parou
na entrada, sem jeito. Easy estava deitado de costas na cama desfeita, as mos em
concha sob a cabea, olhadno o teto. Brandon, por reflexo, olhou para cima para ver
se havia alguma coisa l - um pster sujo, ou talvez um daqueles adesivos de estrelas
que brilham no escuro, mas no havia nada.
- Ei. - Brandon tossiu. - Est ocupado?
- Cara, eu pareo ocupado?
Brandon se empertigou, mas Easy virou a cabea de leve e lhe deu um meio-sorriso.
Se ele estava surpreso por v-lo ali, no havia sinal em seu rosto. Felizmente o colega
de quarto maconheiro de Easy, Alan St. Girard, no estava l, provavelmnete com a
nova namorada, Alison Quentin, que tambm era boa demais para ele.
- Bom, cada um funciona de um jeito. - Brandon deu de ombros, tentando parecer to
despreocupado quanto Easy.
- Mas no estou fazendo nada mesmo. - Easy rolou de lado, apoiando-se num
cotovelo. Estava com os indefectveis jeans cheios de tinta e uma camiseta que
antigamente - mas muito antigamente mesmo - devia ser branca. A gaita de Bob Dylan
guinchava na estao de som do iPod branco - O que  que t pegando?
- Sei l. - Brandon tirou um caderno de uma cadeira e o colocou com cuidado na mesa
abarrotada, depois se sentou. Isso era totalmente doido. Ele ia pedir um conselho a
Walsh sobre mulher? -  aquela... garota. Ela est me deixando pirado.
Easy assentiu devagar.
- Aquela da festa? A de jaqueta de couro? Libertem o Tibete?
Brandon sentiu o peito inchar de orgulho.
-  a Elizabeth. Ela  incrvel, mas ela meio que complica as coisas, entendeu? -
Brandon brincou com o punho da camisa listrada Banana Republic. - O caso  que ela
meio que gosta de... Ela , tipo assim, um esprito livre. Aquele papo de no-querer-
se-prender.
- E voc quer meu conselho? - Easy esfregou a nuca, parecendo meio surpreso.
Brandon mordeu a face interna da bochecha.
- Bom, . Eu gosto dela. Quero ficar com ela. Mas no quero perseguir a garota nem
nada.
- Bom, se lea  parecida comigo, ento voc precisa deixar que ela seja quem . -
Easy se sentou e colocou os ps no cho. As duas meias brancas tinham buracos
imensos nos dedes. Os pais dele no mandavam pacotes com meias novas para ele
no Natal, como todo mundo fazia? Mesmo que na mandassem, era to difcil assim
comprar voc mesmo umas meias?
Brandon desviou os olhos das meias de Easy. Exataminou o quarto, contando cinco
copos de caf do Maxwell Hall - ele os erconheceu pela corujinha marrom no fundo
branco. Ou Easy ou o colega de quarto tinha problemas com cafena; E os dois tinham
problemas com higiene. Ele tentou se concentrar no que Easy dizia.
-  claro que eu no quero que ela deixe de ser quem ela ... S quero ficar com ela,
sabe ocmo , sendo ela quem .
- Ento, beleza. Parece que voc tem que, tipo assim, ficar frio. No pressione.
Pessoas como eu ficam na defensiva quando os outrros tetam nos mudar. - Easy deu
um enorme bocejo, revelando as duas obturaes de platina nos molares. - Mas
depois que se est apaixonado, mesmo que seja como eu ou Elizabeth, a pessoa
pode estar disposta a mudar. Voc s precisa chegar l primeiro.
Brandon assentiu devagar.
- Isso faz sentido. - Esta sem dvida foi a conversa mais longa que teve com Walsh.
Talvez ele na fosse uma pessoa to horrvel assim. Ele parecia bem legal, disposto a
ajudar. Talvez ele fosse melhor dando conselhos sobre mulheres do que seguindo os
prprios ocnselhos. - Vou dar tanto espao a ela, que ela nem vai saber o que fazer
com ele. - Talvez desse certo. Ele no vinha tendo muita sorte com as garotas
sozinho. Talvez, com a filosofia de amor de Walsh, ele chegasse a algum lugar.
- Xbox? - Easy pegou um controle e assentiu para a televiso.
- No, obrigado, tenho uma parada para fazer. - Brandon se levantou. - Mas...er,
obrigado. Me ajudou muito. - Ele percebeu que queria mandar um e-mail para
Elizabeth nada exagerado, s um bilhetinho para ela saber que ele entendera o que
ela disse e que por ele estava tudo bem. Por que no, ora? Ele era o Sr. Mente
Aberta.
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SaveFrancis: Esquisito, hein, que a Tinsley no estivesse nessa reunio tambm?
Acho que ela nem sabia da birita.
AlisonQuentin: Eu definitivamente bebi demais. Teria sido bom dividir!
SaveFrancis: Nem acredito que temos outra festa amanh.
AlisonQuentin: Fala srio. Como  que a Tinsley conseguiu isso??
SaveFrancis: Acha que ela deu alguma coisa em troca a Marymount?
AlisonQuentin: Eca! No me faa vomitar!
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JennyHumprey: Como foi a reunio Desculpe, eu perdi... Fiquei distrada no ateli.
BrettMesserschmidt: Bom, a vodca do Heath no foi nada mal...
JennyHumprey: A festa do Cinephiles parece legal, n?
BrettMesserschmidt: Claro, a no ser pelo faot de que o show  de Cruela Cruel.
Que parece estar sumida esta noite.
JennyHumprey: Talvez ela tenha achado um idiota para perturbar. Coitado!
BrettMesserschmidt: . Vou ver se Kara precisa de ajuda na faxina.
JennyHumprey: DIVIRTA-SE!
27- Uma Waverly Owl impaciente se dispe a tomar os problemas nas prprias
mos.
De todas as coisas que Tinsley Carmichael fez na Waverly- muitas envolvendo lcool,
algumas envolvendo drogas, quase todas envolvendo meninos- nem uma s vez ela
entrou num quarto de alojamento masculino- ou, pelo menos, no sozinha. E
certamente no no quarto de um calouro, nem quando ela era uma caloura. Mas
momentos de desespero pedem medidas desesperadas. L pelas nove horas,
enquanto a reunio cola-velcro estava rolando, Tinsley vestiu jeans Citzens escuros e
seu casaco preto e grosso Patagonia por sobre a camiseta fina e branca, fechando
todo o zper para poder meio que sumir no escuro, o seu manto da invisibilidade.
Enquanto saia pela janela, com as botas de caminhada de couro vegetal que raras
vezes usava(presente de Natal do pai vegetariano) afundando suavemente na terra
protegida com palha, ela sentiu um arrepio de excitao. Tudo bem, ento ela no
precisava exatamente se esgueirar pela janela, uma vez que nem era ainda o toque de
recolher...Mas as coisas ficavam muito mais empolgantes quando ela sentia que
estava sendo anticonvencional.
O Wolcott, o alojamento masculino dos calouros, ficava na ponta do Richardson e
Tinsley se sentiu duplamente maravilhada consigo mesma por no s invadir um
alojamento masculino, mas por escolher um de calouros em detrimento de todos os
outros veteranos mais encorpados que certamente estariam mais do que dispostos a
abrir as janelas para ela. E foi meio por isso que ela ficou ainda mais excitada com o
fato de que estava invadindo para ver Julian quando, por um motivo qualquer, ele no
apareceu para v-la nas duas ultimas vezes- ela achava que ele, bom, meio que a
entenderia. Ele sabia que ela estava ficando morta de tdio e estava fazendo um
desafio a ela.
Ela parou do lado de fora da janela dele e tentou espiar, incapaz de olhar por sobre o
peitoril. Uma luz estava acesa e a cortina meio puxada. Tinsley quebrou um galho fino
de uma rvore prxima e ficou na ponta dos ps, batendo gentilmente no vidro. Uma
cara apareceu e a janela se abriu- mas no era Julian.
Era um cara tosco de cabelo seboso que claramente tentava parecer mais adulto
deixando a barba crescer. Infelizmente, o rosto dele no estava preparado para o
desafio e sua barbicha mal passava de uma penugem. O queixo dele caiu ao v-la.
- Mas o que...- Depois seus olhos se iluminaram.- Ei? Voc ...Eiiii!
Ele de repente foi interrompido por Julian, que o jogou de lado e olhou pela janela. Ele
parecia aturdido, para dizer o mnimo.
- Oi. Que foi? O que voc est...fazendo aqui?
No era bem a reao que ela esperava. Tinsley se endireitou, sentindo-se um tanto
ofendida. Talvez ela devesse trazer de volta o colega de quarto- embora fosse meio
bobalho, pelo menos ficou siderado ao v-la ali. Tinsley recuou um passo.
- Pensei em dar uma passadinha- respondeu ela friamente.  Mas se estiver ocupado,
no se preocupe. Vejo voc e outra hora.
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Julian.
- Eu no quis dizer isso.- Ele olhou por sobre o ombro e depois se curvou para frente.-
Olha, entre pela janela do canto, est bem? Um cara foi embora essa semana e o
quarto est vazio. Eu te encontro l, tipo assim, em dois segundos, ta legal?
Tinsley deu um sorriso amarelo.
- Ta legal.- Ele sem duvida ia ter de dar uns beijos e uns amassos depois dessa
recepo. Mas ela no pde deixar de se sentir excitada por estar se esgueirando pela
parede e contando quatro janelas. Quase de imediato, a janela se abriu e Julian
estendeu a mo para ajud-la a pular para dentro.
- Obrigada.  Ela tirou a poeira dos jeans enquanto avaliava o quarto escuro. Estava
totalmente vazio, a no ser pelos mveis do alojamento que compunham todo quarto:
mesa, cmoda, mesa de cabeceira, cama.  Esse cara foi expulso?
- No.- Julian sacudiu a cabea e, para decepo de Tinsley, pegou a cadeira e se
sentou. Se ele queria brincar desse jeito, tudo bem. Ela subiu na mesa e deixou que o
p ficasse pendurado fora do alcance dele. Por que ele no voou em cima dela? Ele
estava de sacanagem? Desde quando os calouros tinham esse tipo de habilidade? Ela
ficou meio confusa, mas tambm decidida a no ceder e perguntar o que estava
havendo. Se ele a agir como se no ligasse, ento ela podia fazer o mesmo.- Foi uma
coisa meio esquisita...Acho que a namorada dele voltou para casa, em Montana ou
coisa assim, e sabe como , eles falavam todo dia o tempo todo.  Julian reclinou a
cadeira sobre os dois ps.  Acho que ele fugiu para casa duas vezes esse ano. Um
dia ele foi embora. Voltou para Montana,eu acho.
- Por causa de uma garota?  perguntou Tinsley incrdula, erguendo as sobrancelhas.
Sem dvida o cara parecia um man.Mas ainda assim...Era uma histria meio doce.
Ela balanou a perna num arco amplo, tentando roar em Julian.Mas ele estava fora
do seu alcance.- Ela deve ser uma gata e tanto.
Ele riu.
- Existem outras coisas alm da beleza.
Tinsley fingiu ficar chocada.
- Tipo o qu?
- Sei l.- Julian bocejou e se levantou.Parecia ansioso, como se no conseguisse
decidir o que fazer de si mesmo. Ele andou at o armrio e abriu a porta, espiando seu
interior vazio.- Tipo assim, bom,  legal ter algum com quem a gente possa falar 
vontade.- Ele entrou, ps a mo no trilho de cabide e curvou os joelhos como se fosse
fazer flexes.  Tem alguma coisa muito...sexy em s conversar com uma garota.
- Cinversar  sexy- concordou ela.Ento essa distancia toda era por isso. ela ficou
surpresa por no ter pensado nisso antes. Julian queria conversar mais. Ela pensou
nas ltimas vezes que eles se viram e percebeu que tinham sido fisicamente
agressivos- eles no conseguiram tirar as mos um do outro. O alivio inundou suas
veias. Ela sabia qual era o problema e podia corrigir. Ao que parecia, ele era um
daqueles cara em mil que preferiam conversar a se agarrar. Ou pelos menos
conversar e depois se agarrar. Bom, era o que eles estavam fazendo agora, no era?
Tinsley soltou um pequeno suspiro de felicidade e baixou as costas na mesa,
deitando-se e olhando pela janela o cu azul-escuro da noite.- O que mais 
importante para voc? Numa garota, quero dizer?
Julian saiu do armrio e expirou pensativamente, depois se curvou para amarrar os
cadaros do tnis. Quando se levantou, o rosto corado.
- Ela tem que ser capaz de me fazer rir...E no pode ter medo de se fazer de boba.
Ela sorriu timidamente para ele. Ele tentava dizer alguma coisa a ela, falando que
estava interessado num amenina que no tinha medo de se fazer de boba- talvez, que
ela precisasse se atirar em cima dele pela primeira vez. Ela iou da mesa, sentindo-se
quase tonta e indagando se talvez fosse uma boa idia tornar seu relacionamento
pblico. Ela andou at ele devagar, desfrutando de como ele olhava seus quadris que
balanavam de um lado a outro.Agora sim.
Conversar e rir era timo e tudo, mas defitivamente havia outra parte em um
relacionamento.
Quando ela estava prestes a estender os braos e atir-los no pescoo dele, uma
sirene horrvel e penetrante rompeu o ar da noite, fazendo-os se separar num
salto.Tinsley olhou incrdula a luz vermelha que piscava no canto do quarto- o alarme
de incndio.O cheiro acre de pipoca queimada de repente atingiu suas narinas.
- Merda.  Julian a empurrou para a janela.- Tem que sair daqui...agora.
-Um beijo antes de ir.- Ela passou uma perna pelo peitoril, esperando. Por sobre o
guincho estridente do alarme de incndio, podia ouvir o som dos calouros ruidosos
disparando pelo corredor. A qualquer momento estariam l fora e seria tarde demais.-
Rpido- sibilou ela.
Julian colocou os lbios nos dela para um beijo ligeiro mas, antes que pudesse se
afastar, ela o beijou apaixonadamente, segurando seu pescoo com a mo. Depois de
alguns segundos ela se afastou, satisfeita, e pulou para o cho. Disparou dali, olhando
para trs para ver se ele a observava partir.
Infelizmente, ele no olhava.
OwlNet....................Caixa de entrada de E-mail.
De: BrandonBuchanan@waverly.edu
Para: ElizabethJacobs@stlucius.edu
Data:Quinta-feira, 10 de outubro, 21:20h
Assunto: Aconteceu naquela noite?
Elizabeth,
O clube de cinema da Waverly vai fazer uma projeo ao ar livre de Aconteceu
naquela noite amanh s sete da noite na fazenda Miller, em Rhinecliff. No sei se
pode sair do campus, mas seria muito divertido se voc fosse.(pipoca, filmes antigos e
cerveja- o que mais podemos pedir?)
Sobre o que voc estava dizendo hoje- eu entendi onde queria chegar. S gosto de
ficar com voc e estou feliz em fazer isso nos seus termos ou quaisquer termos. Pode
me chamar de Sr.Aberto!
Espero que possa ir amanh...
Brandon
OwlNet.......................Caixa de mensagem instantnea
BrettMesserschimidt: Eu te mandei a foto. J abriu?
HeathFerro: Claro que sim!  um belo close- mas nem consigo saber que partes do
corpo so.
BrettMesserschimidt:Como , no gostou??
HeathFerro:T brincando? Adorei!  a coisa mais quente que j vi- depois de vocs
duas, em pessoa. Vai me dar uns bons sonhos esta noite.
BrettMesserschimidt: timo. Pode esperar por mais, desde que mantenha a boca
fechada.
HeathFerro:Prometo,prometo, prometo.Mas me diz uma coisa: isso  um umbigo?
28- Uma Waverly Owl jamais se abala com uma critica
Hoje eu tenho uma surpresa para vocs, meus meninos- anunciou a Sra.Silver no
inicio da aula de desenho na tarde de sexta.- Todos os trabalharam tanto, ento em
vez de ter uma aula comum, vos fazer um exposio. Levante as mos quem esteve
trabalhando...digamos, nas trs coisas preferidas que fizeram nas ultimas
semanas...para que todos possamos ver como voc  talentoso.- Seus olhos
cintilaram enquanto ela pegava um grande Tupperware na mesa.- E todos, por
favor...Peguem um bolinho!
- Ela est sempre tentando nos engordar- resmungou Alison de bom humor enquanto
pegava um bolinho de chocolate com cobertura de confeitos coloridos. Ela lambeu
uma parte do glac no polegar.  Parece at Joo e Maria.
- No acho que voc precise se preocupar- censurou Jenny. Alison eratamanho PP de
roupa. Ela pegou um bolinho, sujando o dedo de glac rosa, e botou na mesa.
- Vamos l...Primeiro trabalho de arte, depois os bolinhos. Se no voc vai sujar de
cobertura seu lindo desenho de Alan.
Alison riu.
- Este  para a aula de desenho de figura humana. Acha que podemos pendur-los
agora?
Jenny assentiu.
- Claro. So para a aula de hoje mesmo.- Jenny folheou a pilha de desenhos na
prateleira. Uns das duas aulas de auto-retrato e outros d figura humana, misturados.
Ela escolheu um retrato em Crayola que Alison fez outro dia. E depois pegou dois dos
desenhos que tinha concludo na noite anterior: um de Julian empoleirado sem jeito na
poltrona, fingindo estar a vontade, e outro dele dos ombros para cima, a cabea
lanada para trs numa gargalhada. Jenny sorriu s de olhar para eles.
- Como voc sabia que Alan era meu tema?  perguntou Alison de repente,
desenrolando uma folha de papel de jornal fino.
- Adivinhei.- Jenny bateu com os quadris em Alison antes de ir at as paredes brancas
e manchadas, com centenas de buracos das tachas de apresentaes de aulas
anteriores. Ela procurou no olhar a prateleira de Easy, com sua etiqueta com a letra
inclinada, nem se perguntar quem ele tinha escolhido como tema para o trabalho do
desenho avanado de figura humana.
Depois que prenderam seus desenhos na parede, as meninas recuaram para admir-
los. O de Alison era um desenho a carvo onrico de Alan deitado de lado, dando um
sorriso doce de chapado.
- Isso  muito bom.-Jenny tombou a cabea objetivamente.- Ele parece to doce.
- Ele  um doce- piou Alison a meia-voz.- Tambm adorei o seu. Julian parece
to...feliz.
Depois de pegar seus bolinhos, as meninas andaram pela sala, examinando os
retratos intensivamente. Chegaram perto para olhar os golpes de pincel, ou traos,
depois recuavam para absorver o efeito global. Jenny se sentia como uma daquelas
velhas senhoras que iam a museus de arte aos pares e sempre tinham alguma coisa a
dizer sobre Monet ou Hopper.  medida que o acar do bolinho corria por suas veias
e ela e Alison parabenizavam os colegas de turma por seus retratos, Jenny sentia-se
relaxada e feliz. A Sra.SIlver tinha posto uma msica do tipo Motown e isso provocava
certa agitao em seus ps.
E ela ficou sorrindo para si mesma, pensando na noite anterior, quando ela e Julian
ficaram sozinhos ali, paquerando e rindo. Deu a todo o prdio de artes uma espcie de
energia, como se ela soubesse uma coisa sobre ele que ningum mais sabia. S de
pensar em Julian, Jenny se sentia melhor com tudo. Ela se perguntou como teria sido
a ultima semana se no o tivesse como distrao. Ele sem duvida conseguira ajudar
desviar sua mente de Easy, de Callie, de tudo, exceto como era bom estar na Waverly,
ser artista e estar viva.
- Nossa- disse Alison baixinho.- Olha s isso.
Jenny no precisou olhar a assinatura inclinada no canto para saber que a pintura
seguinte, encostada num cavalete, a tinta a leo ainda brilhando, pertencia a Easy.
Era difcil dizer o que era exatamente. Era abstrata e certamente no era nada
parecida com nenhuma outra pintura ou desenho da sala. Jenny sentiu uma pontada
de orgulho por ele- Easy era mesmo um artista muito bom. A pintura era um
complicado sistema de redemoinhos e pinceladas grossas, de rosa, pssego e verdes
claros em destaque, mas unidos de algum modo, formando uma espcie de retrato de
algum ou alguma coisa.
- Ele  muito talentoso- concordou Jenny. Neste momento, uma figura familiar do Aldo
direito da tela chamou sua ateno e , como uma das senhoras do museu, ela
semicerrou os olhos e se aproximou. Era uma marca em formato de morango e fez
Jenny pensar, porm, quanto mais que se concentrava, mais a coisa escapava dela.
Ela tentou tirar todos os pensamentos da cabea. Talvez s lembrasse a ela um
morango.
- Jenny? Venha aqui um segundo, por favor.- Ela se virou ao ouvir a voz da Sra.Silver
e viu que ela estava parada ao lado do desenho de Julian. Ela correu e a Sra.Silver
colocou a mo forte no ombro de Jenny.  Quero lhe dar os parabns, querida. O
modo como posou o modelo destaca sua altura extrema, e como escolheu este
momento para representar...algo to efmero e difcil de capturar como uma
gargalhada...Bem, voc o fez de uma forma extraordinria.
-  mesmo?  O rosto de Jenny ficou rosado de orgulho, emocionada por ter o
trabalho elogiado pela Sra.SIlver que, embora sempre estimulasse os alunos, jamais
insincera em seus elogios. Ela s dizia o que realmente queria dizer.
- Ah, sim, querida.- A Sra.Silver apertou seu ombro delicadamente.  E este desenho
captura verdadeiramente a conexo que voc tem com seu modelo.- Ela alisou
distraidamente o cabelo grisalho e esfrangalhado,procurando um lpis atrs da orelha
que no estava ali. Concentrou os olhos azul-acinzentados em Jenny.  Tambm
revela que voc gosta muito dele.  absolutamente maravilhoso que voc consiga
traduzir esta emoo na arte.  A Sra.Silver falou com ela por mais alguns minutos,
dando-lhe sua critica formal das linhas, contraste e perspectivas. Jenny tomava notas
em seu bloco, mas seu crebro ainda estava toldado.
O retrato que fizera de Julian revelava como Jenny gostava dele?  mesmo? Bom,
no era assim to interessante. Ela sempre pensou que a arte era a janela para a
alma. Talvez fosse mesmo...
OwlNet ..............................Caixa de entrada de E-mail
Para: Undisclosed recipients
De: HeathFerro@waverly.edu
Data: sexta-feira, 11 de outubro, 13: 45h
Assunto: Aproveitem as caronas
Companheiros festfilos,
Tomei a liberdade de organizar um servio de transporte do porto da frente  fazenda
Miller em nome da nossa graciosa anfitri, a sempre encantadora e deliciosa Tinsley,
que to gentilmente organizou esse evento. Bebidas completamente includas.
Os carros so os seguintes:
Meu- Kara/Brett/eu
Depois- Callie/Benny/Jenny/Sage
Depois-Easy/Alan/Alison/Brandon
Todos os outros fodidos sem sorte ficam por conta prpria. Ei,Tinsley, quem voc quer
no seu carro? Tenho um gigolomvel extra-especial para voc e seus ntimos como
gratido por propiciar esta festa.
IAAARRUUUUUU,
HF
Owl Net..............................Caixa de Mensagem Instantnea
TinsleyCarmicahel: Adivinha quem  o cara de sorte que vai de carona comigo no
gigolomvel com ama d'agua que Heath arrumou?
JulianMcCafferty: Existe um carro com cama d'agua dentro?
TinsleyCarmichael: Acorda! No ficou empolgado? Todo cara da Waverly vai ficar
babando pela sorte insana que voc tem de ir comigo. Prepare-se para dar autgrafos!
JulianMcCafferty: Estou louco para ver o filme.
TinsleyCarmichael: Meu bem, garanto que no ficara vendo o filme. Voc estar em
um, ao vivo! Me encontre no primeiro andar daqui a uma hora.
JulianMcCafferty: T legal.
29- Uma Waverly Own fica de boca de bebum fechada.
-Eeeeaaa!- Jenny gritou enquanto o carro virava uma esquina e Callie escorregava no
banco de couro, tombando em cima dela. Callie ps as palmas da mo para cima
numa tentativa de se deter, mas terminou sem querer tateando o peito de Jenny e
derrubando nela o copo cheio de vodca. Jenny ficou rubra- ela estava feliz que ela e
Callie fossem mais prximas, mas francamente, assim tambm era demais.
- Desculpe, Jenny.  Callie se desembolou de Jenny, colocando no lugar a minissaia
Nanette Lepore de l pregueada. Ela uniu os joelhos com meias de nylon pretas;
insistira em usar uma saia, embora Jenny tenha assinalado que sentiria frio e, mesmo
no banco traseiro quente da limo, Jenny viu que ela tremia.- Eu no quis cair em cima
de voc.
- Est tudo bem.- Jenny limpou a vodca derramada em seus jeans escuros Paige. Ela
na verdade ficou meio feliz por no ter de preparar outra bebida  teria sido a terceira
rodada desde que saram da Waverly.-  meio difcil de evitar.- Ela olhou os peitos,
que pareciam muito inofensivos sob o casaco com capuz e cashmere verde que
inesperadamente chegara hoje pelo correio, com um bilhete do pai lhe dizendo para
desfrutar da mudana nas folhas de outono.
- Passem a garrafa, meus amores!- Benny Cunningham bateu a ponta das botas
Sigerson Morrison douradas na panturrilha de Callie. Callie rapidamente serviu a
vodca em seu copo, derramando um pouco de lado, antes de passar a garrafa a
Benny. Jenny olhou aquelas botas douradas, pensando que deviam custar mais do
que todo seu guarda-roupa. Ele se perguntou brevemente se seriam realmente de
ouro.
Servi-se de bebida na limusine do porto da frente at a fazenda Miller foi idia de
Callie.
-  uma viagem curta...Precisamos maximizar!- gritou ela. S restavam alguns dedos
de bebida em sua garrafa de Kettel One e as trs e Sage Francis j sentiam os efeitos.
Chicas, acho que chagamos!- vibrou Sage, secando o que restava da bebida
transparente. O cabelo louro palha de milho estava puxado para trs num rabo-de-
cavalo que balanava enquanto ela abria a porta do carro e as quatro tropeavam para
a entrada de terra. Jeeny se esticou- as limusines eram sem duvidas luxuosas, mas
meio pequenas.
Ela respirou o ar fresco, que tinha cheiro de folhas queimadas e tora de abobora. O sol
j havia se posto e grupos de alunos com suteres grossos se reuniam em torno do
que tinham de ser barris de cerveja, ou se espalhavam em mantos quadriculados na
grama dura e amarelada. Jenny alisou o cabelo- tinha feito umas tranas soltas nos
cachos compridos.
Ela se afastou do carro com cuidado, tentando avaliar o quanto estava bbada pelo
modo como suas botas reagiam ao cho. As botas vieram com o suter e foram um
presente de Vanessa, a namorada do irmo que agora morava no antigo quarto de
Jenny enquanto estava na Universidade de Nova York. O bilhete dizia que vinham de
uma loja de excedentes da marinha e do exercito e pareciam mesmo- eram de couro
verde-oliva escuro, com cadaro, cheias de escudos militares. Totalmente moderna e
nica, exatamente o tipo de coisa que Vanessa pensaria que Jenny precisava no
internato para mant-la bem longe da J.Crew. a melhor coisa nas botas era o robusto
solado plataforma de 10 centimetros. Com elas, Jenny se sentia quase alta. Ou pelo
menos no to nanica.
Benny a cutucou nas costas.
- A cerveja deve estar por ali.- Ela apontou para o grupo reunido do lado do celeiro
vermelho e pitoresco. Mas Jenny concluiu que estava um pouquinho tonta, e assim
andou um pouco atrs das outras meninas, apreendendo o cenrio. O celeiro ficava
em frente a uma grande clareira e o filme em preto-e-branco j lampejava na parede
desbotada. O efeito era bacana- Jenny nunca fora a um drive-in na vida, mas
imaginava que isto era ainda melhor. Ela localizo Alan St.Girard e Alison recostados
num dos fardos de feno que se estavam espalhados s dezenas pela grama. Alison
estava com as pernas esticadas no colo dele, e ele colocava uma folha de feno atrs
da orelha dela. Inesperadamente, Jenny sentiu uma pontada de inveja- ela queria ter
algum olhando para ela daquele jeito e fazendo-lhe ccegas com feno.
Seus olhos percorreram as figuras altas na multido, surpreendendo-se de no estar
procurando por Easy, mas por Julian.
- Digam alguma coisa para a cmera,senhoras!- Ryan Reynolds surgiu do nada, uma
filmadora digital prata e reluzente, do tamanho de uma carteira, grudada na cara.
Sage franziu os lbios cheios de gloss e fez uma pose para a cmera.
- Prioridades,bobinho.- Benny pegou Sage pelo pulso e a empurrou para o celeiro,
onde a multido em volta da cerveja era cada vez maior.  Cerveja primeiro, paquera
depois.- Ryan desapareceu na multido, decepcionado. Jenny ficou para trs,
sentindo-se pouco a vontade. Era bom que Benny, Sage e Callie a inclussem em seu
grupinho, e ela conseguira sentir todos olhando para elas no momento em que saram
do carro, como se elas fossem especiais. Como se ela fosse especial. E isso era meio
legal- mas ao mesmo tempo, cad a Brett? Ela precisava de algum de verdade para
conversar.
Outro carro preto estacionou na entrada de terra, provocando uma nuvem imensa de
poeira. Jenny viu com alivio que eram Kara, Brett e Heath, que saram rindo como
estudantes do primrio. Heath estava com a peruca loura da outra noite e passou os
braos nos ombros das meninas, cochichando alguma coisa no ouvido de Brett que a
fez lanar a cabea ruiva para trs e dar uma gargalhada.
- Muito bem, quem mais acha totalmente bizarro que Heath e Brett estejam grudados?
 perguntou Benny, desabotoando o blazer de hipismo de veludo preto.- Pensei que
ela odiasse o cara.
Jenny viu Callie revirar os olhos e cambalear de leve no cho irregular antes de
rapidamente se endireitar e agir como se nada tivesse acontecido.
- Humm...No acho que ela esteja grudada com Heath, se entende o que quero dizer.
Benny e Sage trocaram olhares, mas Jenny teve de desviar a cara rapidamente. Perai
um minutinho. Callie tambm sabia sobre Brett e Kara? Como? E por que ela estava
tagarelando com Benny e Sage sobre isso? Bom, talvez elas no tenham entendido.
Ou talvez elas tenham atribudo isso as divagaes de uma bbada.
Mas, pela cara de Benny, ela sem duvida sabia o que Callie queria dizer.
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Para: BrandonBuchanan@waverly.edu
De: ElizabethJacobs@stlucius.edu
Data: sexta-feira, 11 de outubro, 19:09h
Assunto: Atrasada
B,
Estou atrasada e ainda tenho que tomar um banho.(Tire esse sorriso da cara...). Te
encontro na fazenda, ta?
Com amor,
EL
OwNet................................Caixa de Mensagem Instantnea
EasyWalsh: J chegou?
CallieVernon: J. Acabo de chegar com as meninas. O filme comeou, cad voc?
EasyWalsh: Dentro do celeiro, esperando voc entrar.
CalliVernon: Ah,? Bom, assim que eu puder.
EasyWalsh: Anda logo, amor...
30- As Waverly Owl s bancam as dificies at o momento de ceder.
Callie comeou a formar fila com Benny e Sage para pegar a cerveja, mas ficava
sendo empurrada e todos pareciam estar pisando em seus ps ( que j estavam
desconfortveis, espremidos nas sandlias plataforma de couro Taryn Rose pequenas
demais). E depois da mensagem de Easy, sua cabea estava em outro lugar- ela
sabia que provavelmente no devia ficar sozinha com ele depois de ter bebido, mas a
verdade era que tinha que reprimir o impulso de se jogar para cima dele sempre que
ficava com Easy. Era como se houvesse alguma coisa por dentro que reagia 
presena dele ou coisa assim.
Ainda assim, ela no estava preparada para correr no segundo em que ele a
chamasse. Ele certamente podia esperar por ela. Ela precisava curtir a festa por um
tempo, no ? Callie passou as mos nos braos, tentando se aquecer. Olhou o cu,
azul-escuro e lindo. As poucas estrelas que comeavam a surgir pareciam lascas de
gelo. Ela bateu o volume mnimo no bolso do quadril da minissaia. Antes de sair do
quarto, Callie abriu a gaveta da mesa-de-cabeceira em busca de um prendedor de
cabelo e foi confrontada pela caixa gigantesca de camisinhas que estava ali desde o
inicio das aulas. Ela comprou por impulso, na esperana de que o sexo salvasse a ela
e ao relacionamento com Easy. Mas no foi assim que aconteceu- foi preciso terminar
para salvar tudo. Esta noite, porm, ela colocou uma no bolso. Melhor prevenir do que
remediar.
Dois segundos depois de decidir deixar Easy esperar, a oitava pessoa pisou nos ps
de Callie e ela decidiu que talvez fosse um pouco mais quente- e menos apinhado,
certamente- dentro do celeiro. Ela se libertou calmamente da fila de cerveja e andou
at o canto do celeiro, fingindo procurar na bolsinha de couro vermelha Hobo por seus
cigarros. Os sons do filme e da multido ficavam mais fracos  medida que ela seguia
para a porta do celeiro, usando a luz do celular para se certificar de no pisar em
bosta de vaca ou qualquer outra coisa nojenta que costumava haver nesses lugares.
Ela espiou dentro da porta entreaberta e viu uma luz fraca nos fundos, umas sombras
meio assustadoras projetadas nas paredes imensas. Callie tremia um pouco, em parte
pelo frio. Ser que os celeiros podiam ser assombrados como as casas velhas? E
Easy estava mesmo ali, ou ela estava totalmente sozinha?
- Easy?- sussurrou ela, a voz hesitando no escuro.
- Ei!- Ao som da voz dele, o corao de Callie acelerou e ela teve que prender a
respirao quando a cabea de Easy apareceu por sobre a lateral da ultima baia. No
tinha percebido como estava ansiosa para v-lo at pensar que ele no estava ali.-
Aqui.- A luz fraca desapareceu e reapareceu enquanto Easy saia da baia e parava no
final do celeiro, segurando uma lanterna.
segurando uma lanterna.
Callie foi lentamente na direo dele, os joelhos tremendo um pouco enquanto ela
pisava no cho irregular e meio coberto de feno do celeiro. Ela no sabia por que
estava to nervosa. Talvez por que no queria que ele soubesse que ela j estava
bbada. Talvez por que ela podia sentir sus olhos azuis observando cada passo que
dava. Ela no pde deixar de se sentir totalmente linda sob os olhos apreciativos dele-
de pernas magras, saia curta demais, suter bojudo e tudo. Seu rosto corou de prazer
ao se colocar meio metro diante dele.
- Est perdendo a festa- disse ela, s por que foi a primeira coisa que lhe veio 
cabea.
Easy sorriu para Callie.
- J vi filmes na vida. E bbados- acrescentou ele, divertindo-se.
Callie olhou as mas do rosto de Easy que,  luz da lanterna, pareciam mais
acentuadas e definidas. Ele estava com uma camisa de flanela suja de tinta em que
ela estava morrendo de vontade de esfregar a cara, com a cala de veludo colete
caramelo e surrada que tinha um buraco se formando no joelho e um borro de tinta
azul na coxa direita. Estava de p a luz da lanterna no final da antiga baia, que no
tinha cheiro de cavalo nem de estbulo, ento felizmente no devia ser mais usada.
Callie percebeu pela primeira vez que Easy fizera um ninho na baia. Formou um leito
grosso de feno, e um pesado manto de l xadrez cobria tudo. Um cobertor marrom de
fleece da Waverly estava embolado num canto, presumivelmente ara que se
deitassem por baixo, e uma cpia gasta de O grande Gatsby de capa para baixo de
manto.
- Voc estava lendo?- zombou Callie, tentando esconder o fato de que ficou realmente
comovida por Easy ter preparado o espao para ela, ou melhor, para os dois. Ela
termeu de novo, embora estivesse mais quente ali dentro. Ela nem ouvia mais o filme.
- No.- Easy coou a cabea, constrangido.- S estava esperando por voc.
Callie sentiu sua firmeza diminuir, mas no desapareceu completamente. Ela cruzou
os braos e tentou no olhar diretamente para Easy, como quem procura no olhar
diretamente para o sol. Doa demais.Mas ento ela percebeu trs rosas vermelhas no
outro canto do manto, como se esperassem por ela.
- Por que trs?- perguntou ela com um bolo na garganta.
Easy sorriu.
- Sei l. Uma dzia parecia...piegas demais.- Ele passou a mo nos cachos
desgrenhados.- E uma no parecia ser o suficiente.- Sua cabea estava baixa e ele
olhou para Callie atravs das pestanas escuras e grossas. Ela o imaginou parado na
minscula floricultura de Rhinecliff, debatendo-se sobre quantas rosas seriam
suficientes.
Isso era to pouco tpico de Easy.
Ela derreteu. Easy. Antes que pudesse fazer alguma coisa, Callie atirou os braos em
seu pescoo e o beijou. A boca de Easy encontrou a dela e ela enrolou os dedos nos
cachos de seus cabelos na nuca.
- Vamos deitar- murmurou ela depois de alguns minutos intensos de beijo. Eles caram
no manto de l e Callie se aninhou no corpo longo e magro de Easy, querendo no
estar com o suter grosso. No conseguia se aproximar mais dele- ela queria que as
peles se tocassem.
Como se lesse a mente de Callie, Easy brincou com o boto do suter.
- D pra tirar isso?- Em resposta, Callie se sentou e beijou seu pescoo, depois
lentamente puxou o suter pelos ombros, revelando o suti meia-taa Chantelle rosa
com uma minscula tulipa preta no meio.
Ela sentiu o hlito de Easy em sua pele.
- Lindo- sussurrou ele, passando os lbios em seus ombros. Seus dedos tremiam ao
acompanhar sua clavcula.
- Ei, sua professora gostou da pintura?- perguntou ela de repente, sentando-se para
olh-lo. Ela comeou a pensar na ultima vez em que ela e Easy se beijaram. Parecia
fazer muito tempo. Quando ele disse a ela que a amava. Ele a amava. Easy Walsh
amava Callie Vernon. Seu corpo de imediato ficou arrepiado, o que ela esperava que
no fosse brochante.Ela queria que ele dissesse novamente. As coisas agora eram
diferentes, estavam nos eixos de novo, ou pelo menos mais nos eixos que antes de
eles terminarem.
Assim  que devia ser, pensou ela, na primeira vez.
- Qu? Ah.- Easy passou a mo no brao esquerdo de Callie.- Est com frio?- Ele
pegou o cobertor de fleece e atirou sobre os dois.
Callie afastou a mo dele com impacincia.
- Ela no gostou ?
As laterais da boca de Easy se contorceram no familiar sorriso torto.
- Ela adorou. Queria saber onde encontrei uma modelo to linda.
- Mentiroso!- Callie ps as mos nos ombros de Easy e o empurrou para o manto.-
Sua vez.  Ela puxou os botes da camisa de flanela com impacincia. Enquanto s
h alguns minutos ela estava pensando em esfregar a cara na camisa, agora isso no
bastava- ela queria tocar a pele dele, sentir o calor de seu corpo no dela.Ele a ajudou
a puxar os botes pelas casas, sentindo a urgncia de Callie.
- Ei.- Easy parou com a camisa e pegou o queixo de Callie delicadamente, olhando-a
nos olhos.-O que ns, er, estamos fazendo?
- No me obrigue a soletrar.- Ela pegou no bolso do quadril a embalagem turquesa e
prata, colocando-a na mo dele num movimento suave.
Easy afagou o cabelo de Callie.
-  mesmo? Voc est pronta e tudo?- Ela pensou que nunca o tinha visto to feliz.
Ela atirou sua camisa dos ombros e colocou o ouvido em seu peito, onde podia ouvir o
corao de Easy quase martelando na pele. Nunca mais estaria pronta para nada na
vida.
31- Uma Waverly Owl no deve se esforar para ser o que no .
Brandon parou do lado de fora do celeiro, bebendo a cerveja e olhando a multido 
procura da cabea loura e familiar de Elizabeth. Ele recebeu o e-mail dela de que se
atrasaria, mas o filme j estava pela metade. No que ele estivesse acompanhando-
ningum estava. A galera estava deitada em mantos, fumando cigarros e bebendo a
cerveja vagabunda de Heath reunidos ostensivamente para se aquecer. A viso de
todos os casais aninhados lhe deu mais saudade ainda de Elizabeth. Quem ia querer
ver o repulsivo do Alan St.Girard, que nunca se incomodava em fazer a barba rala e
feia, beijando a doce Alison Quentin?
E ento ele a viu, parada perto dos barris, vestida com a jaqueta de motoqueira de
couro vegetal de quando ele a viu pela primeira vez, uma pashmina vermelha enrolada
no pescoo. Brandon soltou um imenso suspiro de alivio e deu o primeiro passo na
direo dela.
S que neste momento ela se inclinou e tocou o brao do cara com quem conversava.
Ele sabia, pelo modo como a mo de luva vermelha se flexionou, que ela estava
apertando o cara. Do jeito como apertou o brao dele.
E agora ela estava fazendo isso com o merda do Brian Atherton.
Brandon contou at doze, como o pai sempre insistira em fazer quando irritado,
porque depois de doze segundos, as coisas grandes no parecem to grandes. Doze
segundos vendo Elizabeth se aproximar cada vez mais daquele desprezvel, lanando
a cabea para trs ao rir, a curva branca de seu pescoo quase cintilando  luz da lua.
E tudo para Atherton, que a fitava como se ela fosse um Big Mac e ele estivesse com
larica. Brandon irrompeu para eles, sem perceber em que mantos pisava.Cuidado ai,
gritou algum. As pessoas riram.
De repente,ele parou. O que ia fazer, dar um murro no cara? Ele no ia se fazer de
bobo na frente de um imbecil como Atherton.Ele tentou se lembrar do que Easy lhe
dissera. D espao a ela e ela vir a voc. Brandon cerrou os punhos. Ele havia dito
que daria espao. Ele sabia que no era justo mudar de idia 24 horas depois.
Ele avanou para a dupla, ainda tremendo de raiva mas decidido a no demonstrar.
Elizabeth sorriu quando o viu e acenou a mo de luva vermelha para ele. Ela parecia
to feliz em v-lo.
- E ai, gato!- Ela se inclinou para ele e plantou um beijo em seu rosto, deixando para
trs o cheiro de patchouli.
- E ai, cara, o que  que ta pegando?- Atherton ergueu a palma da mo para um high
five, um sorriso idiota colado na cara que parecia dizer:Acha que esta  a sua
namorada? .
Brandon ignorou o high five e assentiu para o projetor de cinema.
- ouvi umas calouras falando sobre voc l atrs.
- No brinca.- Os olhos de Atherton varreram a multido.- Elas eram gostosas?
- Eram- disse Brandon, acanhado.- Atrs do projetor.
- Demais.- Atherton fez uma arma com os dedos e um estalo com a boca para puxar o
gatiho. Ele olhou Elizabeth de lado.- Vejo voc mais tarde.
Elizabeth nem o viu ir embora. Em vez disso, colocou a mo enluvada no brao de
Brandon e apertou. A outra mo segurava uma cerveja pela metade.
-  bom te ver, gostoso.
Brandon mal conseguia ficar de p. Ser que realmente importava a ela que 30
segundos antes estivesse apertando o brao de outro exatamente desse jeito?
- , huum, voc tambm.Voc parece estar, humm,se divertindo.- Ele tentou manter o
tom leve, mas no conseguiu reprimir a amargura.
Elizabeth olhou surpresa para ele, as bochechas rosadas do frio.
- Como assim?
Brandon esfregou os olhos, tentando se tranqilizar. No conseguiu.
- Atherton! Ele  um imbecil.
Elizabeth enrijeceu e rapidamente retirou a mo do brao dele. Cruzou os braos.
- Perai...Voc est puto comigo? Eu ia me encontrar com voc assim que terminasse
minha cerveja. O que aconteceu com o Sr.Aberto?
- Eu sei- admitiu Brandon, chutando o cho com a ponta da bota John Varvatos
engraxada.- Mas no pensei que ia ter que significar ter de realmente ver voc dar
mole pra outros caras.
- Ento, o que isso significa?- As sobrancelhas dela se uniram de frustrao e Brandon
sabia que ela estava realmente surpresa, e magoada, que ele agisse dessa maneira.
Mas no havia outra maneira dele agir. Assim que Atherton desapareceu, tambm
sumiu sua coragem. No era o que ele queria, ver a garota por quem ele era louco
babando por outro, e nem se incomodar com isso. Isso estragava tudo.
Brandon colocou as palmas das mos frias nos bolsos do jeans Rock & Replubic.
- Acho que isso significa que o Sr.Aberto fechou.- Ele se virou e se afastou dela
32 - CUIDADO! AS WAVERLY OWLS PODEM SER CARNVORAS.
Brett se recostou, desfrutando da sensao dos dedos de Kara brincando em seu
cabelo. Kara estava sentada de pernas cruzadas no cobertor de algodo grosso que
Brett trouxera e a cabea de Brett estava apoiada em um moletom embolado no colo
dela. Normalmente, ela se preocuparia com a impresso que desse, mas tinha tomado
umas cervejas e no se importava muito. Alm disso, as mos de Brett estavam
brincando com o cabelo de Heath, que estava deitado satisfeito ao lado dela, a cabea
encostada na barriga achatada de Brett. Havia algo de muito tranquilizador em tudo
isso --  claro que era totalmente estranho que de repente Heath fosse um amigo,
mas Brett tinha comeado genuinamente a gostar dele. Ele parecia totalmente sincero
quanto a guardar o segredo das duas e era meio divertido para as meninas andar por
a com ele, deixando a todos perguntando o que diabos estava acontecendo. Era uma
cortina de fumaa bem conveniente, Brett tinha de admitir.
No  que ela gostasse de sentir que ela e Kara estavam enganando a todos. No era
isso. Mas era importante manter o segredo, bom, em segredo. As coisas entre elas
ainda eram to novas -- Brett tentava seguir o conselho de Jenny de s "seguir em
frente" e no analisar demais. Ela no podia fazer isso se o mundo todo, ou toda a
populao da Waverly, ficasse cochichando sobre ela.
O bolso de Heath vibrou e ele sacou o telefone para ler o texto.
-- Senhoras, odeio deix-las, mas algum est fumando alguma coisa e preciso
participar disso. --Ele claramente tinha dificuldades para tirar os olhos delas ao se
levantar. -- No faam nada sem mim. Ou, se fizerem, tirem fotos. -- Ele manteve a
voz baixa para que ningum por perto ouvisse.
-- Quer que eu pegue mais cerveja para a gente?--Brett se sentou e se virou para
Kara depois de Heath partir para o milharal.
O filme bruxuleou e cortou para uma cena diurna, iluminando o rosto de Kara. Brett
viu, pelos expressivos olhos castanho-esverdeados, que ela estava se perguntando se
Brett tentava evitar ficar sozinha com ela em pblico. Mas s o que ela disse foi
"claro".
Sob a cobertura do moletom amassado, Brett ps a mo no joelho de Kara e apertou
delicadamente. Num mundo perfeito, ela seria capaz de se inclinar e beij-la ali
mesmo, sentindo o gosto do gloss de grapefruit. Brett sentiu uma dor funda no
estmago mas ignorou-a e se levantou. Olhou para Kara com o suter preto de gola
rul e o colete cinza da linha de atletismo da me. Era to estranho olhar uma menina
e pensar no quanto queria beij-la. -- Volto j -- prometeu ela.
Brett serpenteou pelo monte de gente que se esparramava pelos mantos. A multido
que via o filme tinha diminudo um pouco, o que no era de surpreender, parecia haver
uma multiplicidade de outras diverses sem superviso fora do campus. Como  que
Tinsley conseguiu aprovao para isso? E onde  que estava a Tinsley, alis? Mas as
reflexes de Brett sumiram no fundo de sua mente quando ela percebeu que as
pessoas estavam meio que cochichando enquanto ela se aproximava. Ser que
estavam... falando dela? Seu rosto corou imediatamente, mas ela conseguiu ir para a
fila da cerveja com elegncia suficiente.
No entanto, enquanto batia a ponta do tamanco Stuart Weitzman na grama dura e
seca, ela ouviu alguma coisa na frente na fila que quase transformou seu sangue em
gelo. "A Brett? Quer dizer que ela ...gay!
Ela ficou enjoada. A porra do Heath Ferro.  claro. Aquele dedo-duro baixo nvel e
tarado degenerado. De imediato, Brett girou nos saltos e disparou para seu manto,
obviamente se esquecendo completamente da cerveja e pisando em outros mantos
sem o menor cuidado. Do nada, um Ryan Reynolds muito bbado e cambaleando
apareceu e passou o brao em seus ombros magros.
-- Acha que posso participar um dia desses?
-- Vai se foder--sibilou ela, enxotando seu brao e continuando a marchar pelo
gramado, meio cega pela escurido e pela raiva. Enfim, ela conseguiu afundar no
manto onde Kara estava sentada.
-- Qual  o problema? -- perguntou Kara, vendo de imediato que havia algo errado.
-- Cad o Heath?--Brett mal conseguiu pronunciar as palavras, todo o corpo tremia
muito. -- Eu vou matar esse sujeito agora mesmo. Na frente de todo mundo.
Os olhos de Kara se arregalaram.
-- Do que voc est falando?
Brett cerrou os lbios, tentando se acalmar. Mas seu corao batia a mil por minuto e
ela s conseguia pensar em dar um murro na cara convencida e idiota de Heath.
-- Ele contou a todo mundo. Todos eles sabem. Todo mundo sabe.
-- Ah. -- Kara olhou em volta e Brett entendeu que ela queria abra-la, pegar sua
mo ou fazer alguma coisa para que ela se sentisse melhor, e isso a deixou ainda
mais irritada com toda a situao. -- Mas ele no faria isso.
-- Bom, ele fez. -- Brett passou a mo no cabelo ruivo, esquecendo-se
completamente de como foi bom sentir Kara penteando-o com os dedos dez minutos
atrs. Mas tudo mudara agora, tudo. Tudo porque o merda do Heath no conseguiu
manter a maldita boca fechada. Ele tinha de se vangloriar, no ? Contar a todo
mundo? -- Quem mais poderia ser?
Kara mordeu o lbio, preocupada.
-- No sei. Talvez no seja o fim do mundo que as pessoas saibam, n? -- Uma
mecha de seu cabelo sedoso caiu no rosto, escondendo parte dos olhos inquisitivos.
Brett olhou a cara doce e linda de Kara, desejando poder concordar. Ela sabia que era
tolice ficar constrangida por estar com Kara--mas a ltima coisa que queria era ter as
pessoas encarando-a como se ela fosse uma aberrao de circo. Ela j superara o
fato de terem descoberto sobre sua famlia totalmente brega e, francamente, ela no
gostava de ser o centro do tornado de fofocas da Waverly. Infelizmente, parecia que
ela j estava no olho do furaco.
33 - UMA WAVERLY OWL SABE COMO SE RETIRAR DE UMA SITUAO
DESAGRADVEL.
-- Mas a gente ia jogar "Eu Nunca". Voc no pode ir! -- protestou Verena Arneval
enquanto Jenny se levantava e esticava as pernas. Jenny no se sentia muito ela
mesma a noite toda, mas no sabia bem por qu. Brett, Kara e Heath pareciam estar
em seu prprio mundo e ela no queria se intrometer. Callie desaparecera h cerca de
uma hora, deixando-a para beber com Verena, Alison, Alan e um monte de gente. Era
divertido, mas... No era assim to divertido. O crebro de Jenny parecia lento da
bebida e, se ela bebesse mais, ia ficar de porre.
Para no falar do desastre que tinha acontecido da ltima vez em que jogou "Eu
Nunca". No, obrigada. Ela sacudiu a cabea resolutamente, afastando-se do fardo de
feno em que estivera sentada. Jenny brincou com o capuz do suter cinza e olhou o
filme em preto-e-branco que ainda passava na lateral do celeiro. Ela nem estava
prestando ateno, mas de certa forma parecia to... romntico.
-- S vou andar por a um pouco. Volto logo.--Ela ouviu a cmera de Ryan clicar ao
tirar uma foto da bunda de Jenny quando ela se afastou. Suspiro.
Jenny nunca vira realmente o interior de um celeiro, s nos filmes e na TV, ento foi
para a construo, contornando grupos de pessoas que namoravam nos mantos ou
participavam de jogos que envolviam beber o mximo de cerveja morna possvel.
Trechos de conversa sobre Brett e Kara e seu caso ilcito de amor chegavam aos
ouvidos de Jenny mais de uma vez. Caramba. Parecia que o segredo j era uma
fofoca  toda. Ela semicerrou os olhos, mas no conseguiu ver o cabelo vermelho-
bombeiro de Brett em lugar nenhum. Ela era uma pessoa to reservada que ia morrer
quando soubesse que seu segredo era pblico desse jeito.
Jenny tambm procurou na multido por outro corpo familiar, mas no viu. Talvez
fosse por isso que ela se sentia to deprimida.
Suas botas chutavam pela grama enquanto ela virou um canto para o outro lado do
celeiro e encontrou um silncio abenoado. Os sons do filme desapareceram. Jenny
encostou-se na madeira desbotada do celeiro e olhou a lua redonda e prateada que
pendia como um globo no cu azul-escuro, meio encoberta por uns fiapos de nuvens.
Ela colocou a cabea pela porta do celeiro, surpresa ao ver dois pontos de luz
vermelha no fundo. Curiosa, ela semicerrou os olhos de novo, sem ter certeza do que
procurava.
A medida que sua viso melhorava, duas coisas aconteceram no mesmo instante: as
nuvens moveram-se, deixando que parte da luz da lua brilhasse em cheio no celeiro,
iluminando seu interior, e um dos pontos vermelhos se mexeu. Era Callie, de p na
ltima baia, um cigarro na mo, os ombros perfeitos e nus cintilando ao luar. A parede
da baia escondia o resto do corpo, mas no era difcil adivinhar pelos ombros nus que
ela no devia estar com um tomara-que-caia.
Foi ento que Jenny percebeu que o outro ponto vermelho pertencia ao cigarro de
outra pessoa. Easy.
Suas mos comearam a tremer e lgrimas instintivamente inundaram seus olhos
quando ela percebeu o que devia saber o tempo todo: eles estavam juntos de novo. E
ento, num lampejo de discernimento, ela viu a pintura abstrata de Easy na aula de
artes de hoje. Aquela forma de morango que parecia to familiar a Jenny era a marca
de nascena na parte inferior das costas de Callie, uma coisa que s algum que a
vira recentemente de biquini, ou de suti, ou sem nada teria sido capaz de retratar
com tanta perfeio. Ela sentiu o lbio inferior comear a tremer. Eles estavam juntos
de novo, mas o pior no era isso. Callie mentira para ela. Ela pensou que elas eram
amigas de verdade, mas ela estava to... enganada.
Jenny girou e se afastou do celeiro rapidamente, para longe da festa. No tinha
certeza de aonde ia exatamente, mas sabia que tinha de sair. Estava cansada de
beber cerveja e participar de jogos idiotas e ter gente que ela pensava que era amiga
mentindo para ela.
Enquanto seguia em frente, uma imagem horrvel de Easy e Callie lhe veio  mente,
dos dois, rindo dela, por acreditar que eles todos eram amigos. Ela quase podia ouvir
Callie dizendo, "Nem acredito que ela realmente achou que voc gostava mais dela do
que de mim". Jenny tropeou em alguma coisa no cho--um sabugo de milho. Ela o
chutou com fora, fazendo-o voar e bater com um baque satisfatrio numa espcie de
silo de metal na frente dela.
--  melhor ver onde est mirando. Pode machucar um espectador inocente. -- Jenny
ergueu a cabea e seu corao quase parou na garganta. Julian. Estava sentado
numa espcie de banco de tronco ao lado do silo, um copo de cerveja vazio nas mos.
Uma sensao incrvel inundou todo seu corpo--aquela sensao maravilhosa e
inesperada que aparece quando, totalmente do nada, voc recebe uma coisa que nem
percebeu que queria, precisava ou desejava. Como nessa manh, quando Jenny abriu
o pacote do pai e pegou um Tupperware de muffins de chocolate e abbora da padaria
da Amsterdam Avenue que muito possivelmente eram as coisas mais deliciosas e
reconfortantes do planeta.
Mas isso no se comparava ao que sentiu quando Julian apareceu diante dela,
sozinho, justo quando ela pensava que as coisas estavam no fundo do poo. Era por
ele que Jenny procurara a noite toda.
-- O que est fazendo aqui fora?--perguntou Jenny, de repente aturdida com a
velocidade dos acontecimentos. Ela acabara de ver o ex-namorado, o namorado que
pensou que talvez amasse, nu com a ex-amiga, a colega de quarto que fez um pacto
de que as duas superariam Easy para sempre. Do que adianta fazer pactos? Ela
estremeceu para se livrar da sensao desagradvel de que ela foi enganada numa
trapaa imensa. -- No escuro?
Como sempre, ele tinha uma resposta pronta.
-- Dei um tempo para mim mesmo.
Jenny riu.
-- Quer dizer que est escondido? -- Por algum motivo, ela sempre sentia o impulso
de ser ousada com Julian. Era como se uma parte de seu crebro, que naturalmente
evitava que a boca dissesse a primeira coisa que lhe vinha  mente, de algum modo
fosse desligada. Mas ao mesmo tempo Jenny tinha a sensao de que ele no se
importava.
-- Bom... --Julian se interrompeu. Apertou o copo de plstico nas mos, esmagando-
o com rudo. Por fim, ele suspirou. -- Mais ou menos. -- Depois ele deu um tapinha
ao lado convidativamente e ela se sentou, sabendo muito bem de que no devia
perguntar de quem ele se escondia.
Sentados ali no banco, Jenny ficou totalmente ciente de como sua perna estava perto
da dele. S uns 2 centmetros de ar os separavam. Nenhum dos dois disse nada por
alguns segundos, ouvindo os sons fracos do filme ao longe. Estranhamente, no era
nada desagradvel.
Por fim, Julian falou, o hlito visvel no escuro.
-- Esse  um lugar bem legal. Eu s queria, sabe como , que no fosse tipo um...
circo. -- Seu cabelo castanho-alourado e meio comprido estava enfiado atrs das
orelhas, roando nos ombros do casaco de fleece verde-oliva. Jenny olhou os ps --
os Tretorns pretos vintage dele eram enormes, em especial ao lado de suas botinhas
de bico redondo. Mas de algum modo eles ficavam, bom, meio bonitinhos juntos.
-- Quer voltar e ver o filme? -- perguntou ela, na esperana de que ele dissesse no.
Ele virou a cabea para ela, o luar iluminando seus olhos castanhos de modo que
Jenny praticamente podia contar os pontinhos dourados neles.
-- No -- respondeu Julian simplesmente.
O rosto de Jenny corou e suas mos, dentro dos bolsos do suter, comearam a
transpirar um pouquinho. O que estava rolando aqui? Ser que... tinha mesmo alguma
coisa... acontecendo? Jenny de repente ficou meio nervosa.
-- Aconteceu, er, uma coisa meio estranha agora pouco. -- Por algum motivo ela
sentiu a necessidade de explicar isso a ele. No sabia bem por qu, mas sentia que
era uma coisa que tinha de fazer. -- Eu entrei no celeiro, e Callie e Easy estavam l,
meio que... -- Ela se interrompeu. Parecia que eles estiveram transando, mas ela no
ia comear a espalhar boatos. Ela sabia o quanto isso era chato. -- Bom, sabe como
. Juntos.
-- Ah. -- Se Jenny no estivesse to consciente do quanto a perna de Julian estava
perto da dela, podia no ter percebido que naquele momento ele se afastou, quase
imperceptivelmente, um centmetro. -- Caraca. Que merda. -- Os olhos dele baixaram
para fitar os ps e ela se perguntou se ele estava pensando que os ps dela ficavam
bonitinhos ao lado dos dele. -- Deve ter sido muito ruim para voc... Ver Easy com
outra, quero dizer.
Jenny sacudiu a cabea devagar e, antes que se desse conta do que estava fazendo,
ps a mo no brao dele.
-- No foi no,  srio.--O casaco de Julian estava pudo e macio como um cobertor
de beb. Era meio excitante tocar Julian daquele jeito e ele de imediato se virou para
ela, inquisitivamente. -- Foi estranho, mas no por causa do Easy. -- Como se tivesse
vontade prpria, o polegar de Jenny comeou a afagar o brao de Julian e ela
percebeu que no pensou nem uma vez no frio que sentia desde que estava
conversando com ele. -- Eu j superei, e agora meio que tenho certeza de que nunca
devamos ter ficado juntos.
-- ?--perguntou Julian, as sobrancelhas erguidas como se no tivesse certeza se
devia acreditar nela. Mas depois ele baixou os olhos para a mo dela em seu casaco e
pareceu acreditar. Ele se mexeu um pouco no banco para ficar de frente
para ela.
Ela assentiu.
-- Alm disso, agora eu meio que gosto de outra pessoa. -- Ela cerrou os lbios para
no sorrir. L vinha aquela ousadia de novo.
Seu corao batia furiosamente, os dedos estavam frios, a casca do tronco pinicava
suas coxas e no entanto... Ela no queria que o momento terminasse. Em especial
quando Julian pegou a mo dela. Ele deu um pigarro.
-- Eu estava torcendo para isso--admitiu ele, a voz grave e meio rouca.
Ela sentiu um cacho de cabelo escuro cair no rosto e o empurrou delicadamente para
trs da orelha. Julian passou o dedo por seu pulso, uma coisa que ela nem imaginava
que podia ser to bom, e virou o rosto dela para ele. Jenny nem acreditava que a mo
dele tocava a dela, e enquanto ele se inclinava, Jenny ainda no estava convencida de
que isso realmente acontecia.
Os lbios cheios de Julian pararam a centmetros dos dela.
-- Fiquei pensando em voc o dia todo -- sussurrou ele. Depois ele a beijou, a boca
quente encontrando a dela. A ltima coisa em que ela pensou antes de fechar os olhos
foi que o rosto dele, que parecia to lindo pendurado na parede do ateli, era ainda
melhor de perto.
34 - UMA WAVERLY OWL NO PERDE A FRIEZA, MESMO QUANDO CHOCADA
E MORTA DE RAIVA.
Tinsley abriu o isqueiro de Julian, vendo a chama subir e iluminar a noite escura. Ela
estava com o isqueiro, mas queria o garoto. Onde  que ele se meteu? Ela fechou o
isqueiro, frustrada. No o vira desde a carona, quando ele agiu de um modo...
estranho. Heath foi gentil por ter reservado para ela o veculo mais exagerado da frota
da locadora: uma limusine Hummer com um colcho d'gua na traseira. Um
transamvel total. Mas desde o segundo em que ela encontrou Julian no porto da
frente, ele parecia meio, bom, distante. Na hora Tinsley julgou que ele estivesse
bancando o difcil, numa tentativa de irrit-la. Mas ela no devia estar se esforando
tanto. Com as calas de veludo azul-marinho Armani de pernas largas que abrigavam
seu traseiro como se tivessem nascido para isso e o top de renda crua Anna Sui que
permitia que o contorno da lingerie chocolate La Perla fosse deliciosamente
identificvel, ela no devia estar se esforando nada.
Mas a distncia de Julian fez com que ela se sentisse ainda mais atrada por ele e ela
sabia que era o que ele queria. Ele tinha esbarrado em Tinsley Carmichael, afinal de
contas, e ele sabia que tinha de ficar esperto se queria mant-la. E assim, deitados
juntos no colcho d'gua, ela massageou os ombros dele, excitando-se cada vez mais
 medida que ele resistia a seus encantos. Assim que ela estava prestes a tomar uma
atitude, o Hummer parou perto do celeiro. Ela queria ter pensado em dizer ao
motorista para pegar um caminho mais longo.
Depois de montar o filme, Tinsley olhou em volta e viu que Julian tinha desaparecido.
Ela esfregou os braos, o tecido do casaco de cetim BCBG frio em sua pele. Ela
queria que o preo para ficar to bonita no fosse morrer congelada. Seus olhos
percorreram a multido repetidas vezes na hora seguinte, mais ou menos enquanto
ela olhava de um lado a outro, paquerando os caras para quem ela no dava a mnima
e conversando com meninas que a matavam de tdio,
perguntando-se at que ponto Julian ia se fazer de difcil.
Por fim sua expectativa deu lugar  irritao e, no meio do filme, ela estava de saco
cheio do jogo de gato e rato. De repente ela se levantou da mesa de piquenique onde
estivera olhando Parker DuBois, o veterano sexy da Blgica, fumar sozinho num
manto, vendo realmente o filme. Tinsley ficou tentada a ir at ali e se sentar ao lado
dele, mas depois percebeu que s interessaria fazer isso se fosse para provocar
cimes em Julian--e, como ele estava sumido, parecia contraprodutivo.
Ela ento contornou o celeiro, animada por um momento com a idia de que talvez ele
estivesse esperando por ela l dentro. Talvez ele pretendesse surpreend-la o tempo
todo e ela, feito uma idiota, perdera um tempo que eles poderiam ter aproveitado
juntos. Mas assim que parou junto  porta entreaberta do celeiro, Tinsley viu um
movimento ao longe, ao lado do silo. Reconheceu Julian, sentado em alguma coisa no
escuro, e justo quando estava prestes a gritar triunfante seu nome -- ela o achara! --
percebeu que ele no estava sozinho.
E no s ele no estava sozinho, como seu rosto estava colado no de algum.
S uma idiota teria deixado passar a ternura com que a mo de Julian afagava o brao
da garota. Parecia ter sado direto de um filme piegas -- o protagonista toca a
protagonista de uma forma ntima e afetuosa que deixa o pblico sem dvidas de seus
sentimentos por ela. Por um instante, Tinsley no conseguiu fazer nada, s encarar,
petrificada. Ela praticamente podia se imaginar em uma das cadeiras reclinveis
aconchegantes de um Multiplex, vendo esta cena, em algum ponto perto do final de
uma comdia romntica vagabunda. Tocaria uma msica melosa. Rolam os crditos.
De repente, ela saiu de seu estupor, a raiva inflamando em suas veias como uma
corrente eltrica. Mas. Que. Porra. Julian, com quem ela fantasiou a semana toda,
pensando nele em cada segundo -- e aqui estava ele, beijando outra? Mas que
atrevimento dele!
A pulsao de Tinsley acelerou enquanto Julian recuava e ela pde ver o rosto da
menina. Seus olhos deram um zoom como uma lente de cmera.
Jenny.
Alguma coisa nela estalou. Jenny Humphrey, que pensava poder simplesmente entrar
na Waverly Academy com suas sapatilhas de bale de camura amarelas, o narizinho
empinado e os peitos enormes e roubar qualquer cara que quisesse, independente de
quem eles estivessem vendo no momento. Ela roubou Easy de Callie e agora meteu
seu anzol no nico cara de quem Tinsley realmente gostava. Mesmo ao luar, Tinsley
podia ver suas bochechas rosadas com as sardas, o cabelo crespo caindo em
trancinhas irritantemente bomias.
Um gemido subiu pela garganta de Tinsley, mas ela de algum modo encontrou a
compostura para no gritar a plenos pulmes. Em vez disso seus punhos se fecharam
e, percebendo que havia alguma coisa na mo direita, ela baixou os olhos. O isqueiro
de Julian.
Ela o abriu e acendeu distraidamente, ainda encarando Julian e Jenny, sabendo que a
imagem dos dois se beijando ia ficar em sua mente por muito, muito tempo. Enojada,
furiosa e muito mais magoada do que poderia admitir, Tinsley girou o brao e lanou o
isqueiro de Julian no ar noturno. Ela deu meia-volta nos saltos das botas Miss Sixty de
couro, sem sequer olhar para ver onde caiu.
35- Uma Waverly Owl procura ver quem est olhando antes de dar um ataque.
Heath Ferro tem de morrer. Heath Ferro tem de morrer. Brett mal conseguia pensar
em outra cousa alem de como estava louca para estrangular Heath.  claro que elas
nunca deviam ter confiado nele- justo quando ela comeava a achar que ele era um
amigo de verdade, teve de descobrir que toda a coisa era uma espcie de jogo
divertido para ele, um jogo em que ele no conseguia resistir a se gabar com todo
mundo.
Ela viu seu conhecido cabelo louro amarfanhado por cima dos barris, um baseado fino
e branco preso nos lbios. Brett irrompeu para ele, o cabelo escorregando das fivelas
de strass que o afastavam do rosto. Quando chegou ao lado dele, ela empurrou Alan
St.Girard e puxou o baseado dos lbios de Heath.
- Mas o q...?- comeou Heath, mas Brett o interrompeu. Empurrou-o alguns passos
para longe dos outros.
- Como pde?- perguntou ela, tentando manter a voz nu sussurro. Mas era difcil, j
que estava to puta da vida. - Como pde contar a todo mundo, porra, sobre Kara e
eu? Nem acredito que fomos idiotas para confiar em voc!
- Perai, do que voc est falando?- A cara de Heath de imediato transpareceu pnico.
Suas bochechas ficaram vermelhas de cerveja e maconha, mas ele nem olhou para o
baseado que Brett lhe roubara. Seus olhos castanhos estavam arregalados de
confuso e pavor.- De jeito nenhum eu contei a algum sobre vocs! Eu juro...tipo
assim, pelo que voc quiser!- Ele passou a mo no cabelo como se tentasse arranc-
lo.
Brett parou.
- Voc no disse nada? A ningum ?
- No!- Deve ter sido a combinao de cerveja, drogas e frustrao, mas Brett teria
jurado que podia ver lgrimas comeando a se formar no canto dos olhos de Heath.- O
que...mas e as fotos?- perguntou ele, quase timidamente.
Ela ps a mo no brao dele e apertou um pouco. Claramente ele no era o culpado.
Mas se Heath no vazou, quem foi?
- Ta legal,desculpe.Eu s...Sei l.- Ela lhe devolveu o baseado meio fumado.-Eu no
quis brigar com voc. Mas quem mais teria contado a todo mundo? A nica pessoa a
quem eu disse alguma coisa foi...-sua voz falhou.
Jenny.
Brett de repente ficou ciente do silencio em volta dela. O dialogo de Clark Gable e
Claudette Colbert era a nica coisa que escutava. Sentindo o estomago afundar, ela
percebeu que todos em volta podiam ouvir perfeitamente o que ela dizia a Heath. Se
havia algum que no soubesse dela e de Kara, agora sabia. Brett queria que o cho
se abrisse e a engolisse inteira, e ela pudesse desaparecer dessa cena infeliz sem
deixar rastros.
Ela estava prestes a virar a cabea e ver quantas pessoas realmente estavam
olhando, quando Heath apontou uma coisa no ar.
- Mas que merda...Aquilo ...fumaa?
Quase com a mesma rapidez com que se silenciou, a multido voltou  vida.
- Aimeudeus.- O cheiro acre de madeira queimando pendia no ar e rapidamente a
festa transformou-se num caos absoluto, em que todos tropeavam para pegar suas
coisas e fugir do celeiro. Brett encarava estupidamente as chamas que comeavam a
chamejar no cu escuro. Ela se aproximou um passo. Como foi que isso aconteceu?
- Est pegando fogo?
Pelo canto do celeiro, Callie e Easy de repente apareceram, Easy atrapalhando-se
com os botes da camisa, Callie vestindo o suter preto e grosso. Por baixo da saia
curta, as pernas estavam totalmente nuas e ela carregava um sapato em cada mo.
Er, como ? Pedaos de feno e palha estavam grudados em seu cabelo como se ela
estivesse rolado neles, o que, a julgar pelo modo carinhoso com que Easy colocava a
mo em suas costas enquanto eles corriam, devia ser isso mesmo.
- Fogo!- gritou Easy a plenos pulmes, como se todos estivessem pasmos demais ao
ver ele e Callie aparecendo do anda, seminus, para perceber o fato de que o enorme
celeiro vermelho atrs dele estava em chamas.
36- Uma Waverly Owl sabe que onde h fumaa, em geral h um monte de fogo.
Callie se aninhou em Easy no banco traseiro de uma limo abarrotada- ningum
parecia se importar com quem pegava carona com quem, agora que os bombeiros
tentavam debelar o incndio imenso- ainda sem acreditar em tudo o que tinha
acontecido. medida que os Waverly Owls corriam freneticamente para os carros
alugados que esperavam, ansiosos para sair da cena mais rpido possvel, Callie viu
Tinsley conseguir desligar o projetor e guardar o equipamento de cinema. Ningum
parecia saber o que exatamente tinha acontecido no celeiro, a cena lembrava a ela de
algo de...E o vento levou, onde Scarlett O'Hara e todos os outros tiveram que fugir de
uma Atlanta em chamas. Assustador.
Enquanto Easy afagava seu cabelo com cheiro de fumaa, Callie s conseguia pensar
no que aconteceu entre eles. Eles realmente...transaram.Fizeram amor.O que for.
Agora tudo entre eles era diferente- de algum modo estavam ligados desta forma
totalmente intima, pessoal e incomparvel.Ela se encostou em seu ombro, sem se
importar na obviedade dos dois juntos. Afinal, quase todo mundo os viu saindo
seminus, correndo do celeiro, e agora Callie sentia que todos no carro olhavam para
suas pernas nuas. Felizmente ela lembrou de se depilar.
Ela estava meio numa nvoa depois do que aconteceu- a parte do sexo, no do
incndio.De uma forma meio distorcida e dramtica, parecia meio satisfatrio que o
celeiro tenha pegado fogo. Parecia coisa de romance, embora Callie no soubesse
dizer qual romance.Mas agora o lugar onde ela e Easy perderam a virgindade no
existia mais-o que era prefervel, de longe, a saber que um dia uma vaca imunda podia
ficar no ponto onde eles provaram o amor que tinham um pelo outro.
Depois que o carro deixou a todos no poro da frente, Easy a acompanhou ao
Dumbarton.
Eles estavam de mos dadas e ficavam falando de como o incndio foi doido e a sorte
que tiveram de sair de l antes que tomasse conta de tudo, mas, no tempo em que
falavam, o segredo do que tinham dividido demorava-se sob a superfcie e eles
trocavam olhares embaraados e felizes.
- Eu te amo- sussurrou ela no ouvido dele, parada na escada de mrmore do
Dumbarton. Era uma delicia dizer isso e saber que ele ia retribuir.
Ele tocou seu queixo e a beijou na testa.
- Eu tambm te amo.
Ela queria que ele ficasse para sempre.
Mas ele no podia e Callie tinha de voltar a um alojamento e a colega de quarto- uma
colega que no ficaria muito satisfeita vendo Callie e Easy juntos. Ento ela com
relutncia se separou dele e subiu a escada. Abriu a porta do quarto. Jenny j estava
vestindo o pijama, que era de tric vermelho, coberto de peixinhos dourados. Callie
sorriu ao v-la, ainda sentindo-se no topo do mundo e cheia de boa vontade para com
todos no planeta. Ela desabou na cama, curtindo a sensao do edredom ultramacio
nas pernas glidas.
- Meus Deus, foi uma doidera total, no foi?
Jenny se virou para olh-la com uma expresso estranha.
- O qu? O fato de que voc mentiu para mim o tempo todo?- Sua voz falhou no final
da frase, como falhava quando ela estava prestes a chorar, e Callie se perguntou se
ela ia explodir em lgrimas. Mas isso no aconteceu.
Callie se sentou na cama, confusa. Por que todo mundo sempre ficava irritado com ela
o tempo todo quando ela s estava tentando ser legal?
- Do que est falando?
Os olhos imensos de Jenny quase saltaram para fora da cabea.
- Do pacto que fizemos...Ns duas amos deixar Easy pra trs, lembra?  Ela sacudiu
a cabea devagar, os olhos no irritados, mas de cachorrinho triste.- Isso no
significou nada para voc?
Callie se levantou, sem jeito.Ela era horrvel para lidar com decepes- embora tenha
morado com a me por tempo suficiente para ficar boa nisso. Bastava algum lhe
dizer que ela decepcionou, que ela no conseguia deixar de se sentir na defensiva.
Ela andou at o espelho e fingiu escovar o cabelo, mas na verdade procurava por
chupes.
- No entendo por que isso  grande coisa.- As palavras saram um pouco mais
geladas do que ela queria, mas ela no ia voltar atrs.- Pensei que voc agora
estivesse com o Julian, de qualquer forma. Voc estava toda animada com ele outro
dia.
- Voc no entendeu nada, no ?- Os olhos j Jenny faiscaram de raiva e ela se
aproximou da cmoda, sem deixar que Callie a evitasse.- Nem  sobre o Easy. 
sobre voc.- Sua voz se suavizou enquanto ela mexia na bandeja de metal com fivelas
de cabelo, pegando uma e largando no lugar.- Pensei que a gente realmente era
amiga, mas  claro que eu estava errada.
Isso irritou Callie. Elas eram amigas- ou pelo menos, tinham sido at Jenny ficar
criticando ela. Callie semicerrou os olhos verdes para Jenny.
- No acha que isso  meio irnico? Voc gritando comigo por eu estar com Easy, que
era meu namorado antes de voc me roubar!
Jenny arfou, recuando, o rosto corado de fria.
- No se trata se Easy!- gritou ela.
- Que engraado- gritou Callie de volta, tirando o suter e esperando que no
houvesse chupes em outros lugares. Parecia que Easy tinha beijado cada centmetro
de seu corpo h uma hora.- No  o que parece.
- Nem acredito que cheguei a esperar que voc fosse gente.- Jenny puxou os
cobertores na cama e afofou o travesseiro com violncia.- Eu devia saber. E acho que
no devia me surpreender tambm, pelo fato de que voc e Easy seriam to idiotas e
egostas a ponto de incendiar o celeiro todo com seu habito nojento de fumar!
Foi a vez de Callie arfar. Ela vestiu a parte de cima do pijama listrado de rosa e
vermelho Ralph Lauren.
- Do que est falando?- perguntou ela, entrando em pnico.- No fomos ns que
comeamos o incndio.
-  mesmo?- As mos de Jenny estavam nos quadris curvilineos. Ela estava pronta
para arrancar a cabea de Callie, ou conseguir a expulso dela ou coisa
parecida.Nunca ficou to passional na vida.- Bom, eu vi os dois no celeiro, fumando.
No pareci assim to impossvel.
- Voc nos viu?- Callie ofegou, apertando a cala do pijama nos quadris magros.-
Ento como vou saber que no foi voc que botou fogo no celeiro para tentar nos
matar por que estava com cimes?  De repente fazia perfeito sentido para Callie.
Jenny tinha comeado o incndio e s estava fingindo estar aborrecida com outra
coisa, quando na verdade se sentia culpada e tinha medo de ser pega.- Esta me
aprece uma boa motivao.
Jenny enfiou os ps nos chinelos grossos de croch com o forro falso de carneiro que
pareciam existir desde os anos 1980.
- , pode ter sido mesmo.- E depois ela disparou porta afora,o cabelo crespo em
trancinhas quicando nas costas.
Mas o que ser que isso significava?
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BennyCunningham: Foi to apavorante. Nem acredito que a gente quase,tipo assim,
foi consumida em chamas...Me senti to vulnervel.
LonBaruzza: Voc nem estava perto do celeiro, sua sacana. S gosta de parecer
donzela em perigo.
BennyCunningham:Que seja. Ainda assim, no consigo tirar da cabea Callie e EZ
saindo meio pelados do celeiro. Mas isso  que  caso secreto.
LonBaruzza: Voc conhece o ditado: no h namorada como uma ex-namorada!
Acha que a paixo ardente deles tocou fogo no celeiro?
BennyCunningham: Nojento. Todo mundo sabe que eles fumam feito chamins...Eu
no me surpreenderia. Espero que eles no sejam expulsos.
LonBaruzza: Sei no. Eu vi a Tinsley saindo de fininho de trs dali tambm. Talvez
ela tenha feito isso.
BennyCunningham: Humpf. Por que voc estava olhando para ELA?
LonBaruzza: E quem  que no olha?
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AlanStGirard: Acha que Callie e EZ chegaram nos finalmente? Eles foram pegos
mesmo de cala arriada!
HeathFerro:Seria muito triste se Walsh no conseguisse selar o negocio.
Apostei que ele daria cabo da Dona Peites tambm.
AlanStGirard: Pensando bem...Eu VI a Jenny l tambm. Acha que eles formam
um trio?
HeathFerro: Coloque HF no lugar de Walsh, por favor.
AlanStGirard: Por falar em trios- voc, Brett e Kara? Elas so mesmo sapatas ou
voc tem alguma coisa mais pervertida em mente?
HeathFerro: Francamente. No h garota no campus que no esteja interessada
num passeio de pnei.
AlanStGirard: Que tipo de resposta  essa?
HeathFerro: A nica que voc vai ter.
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SageFrancis:Que festa mais doida. Nem sei como comear a digerir toda a merda
picante que bateu no ventilador. D pra acreditar que nossa representante  lsbica?
AisonQuentin: E da? Kara  uma gata. Se eu no gostasse do Alan, quem sabe
talvez ficasse afim dela.
SageFrancis: At parece. Voc  hetero at a medula.
AisonQuentin: Voc viu a namorado nova do Brandon se agarrando com o
esquizide do Brian Atherton? Como  que isso aconteceu?
SageFrancis: Coitado do BB. Parece que as meninas sempre o tratam como lixo.
Pelo menos as que ele pega.
AisonQuentin: Ah, ? Est se oferecendo para animar o garoto?
SageFrancis: Talvez. Mas no sei se posso namorar um cara que  mais bonito do
que eu!
AisonQuentin: Alias, algum viu o filme?
SageFrancis: Que filme?
37
TER UM VERDADEIRO AMIGO SIGNIFICA JAMAIS TER DE PEDIR DESCULPAS --
MAS UMA BOA WAVERLY OWL PEDE DE QUALQUER FORMA.
Jenny saiu do Dumbarton de pijama, querendo ter uma daquelas bolas de borracha
que a gente pode apertar quando est estressada, frustrada ou com raiva. Ela
marchou pela escada, os chinelos roando suavemente no mrmore, dando-lhe
vontade de estar com as botas grandes e pesadas -- ela queria bater os ps e fazer
barulho. Mas talvez esta no fosse uma boa idia, porque j estava quase na hora do
toque de recolher. Mas ela no podia ficar no quarto nem por mais um segundo, no
com Callie mentindo na cara dela e tentando fazer com que no parecesse nada
demais s por causa de Julian. E depois ela suspirou. Julian. Jenny parou por um
segundo quando seus ps chegaram ao primeiro andar. Num estado de esprito
diferente, ela teria sorrido ao ver o armrio de vassouras onde ele esteve escondido. O
beijo dos dois foi... inesperado. E incrvel. Agora, pensando nisso, ela quase riu, seu
humor comeando a ficar mais leve.
A porta para o quarto de Brett e Tinsley estava aberta, mas enquanto Jenny espiava
hesitante para dentro, sem querer levar uma mordida de Tinsley, ela viu que estava
vazio. Ela foi at o quarto de Kara e bateu delicadamente.
Houve uma pausa e um farfalhar antes que Kara aparecesse vestindo uma camiseta
imensa do show dos Red Hot Chili Peppers e leggings pretas.
-- Oi -- disse Jenny, grata por ver uma cara amistosa. -- Eu s estava procurando
pela Brett.
-- Ah, sim. -- Kara abriu mais a porta e Jenny viu Brett sentada na cadeira de Kara.
-- O que est fazendo aqui? -- perguntou Brett, a voz fria. O cabelo curto estava
puxado em maria-chiquinhas e a cara sem maquiagem parecia meio jovem e triste. Ela
vestia pijama de flanela de listras cinza mas parecia estar tremendo dentro deles.
Jenny ficou pasma. Parou onde estava e olhou para Brett sem entender.
-- Eu, humm... Voc no estava no seu quarto, ento deduzi que estaria aqui.
-- Fale um pouco mais alto, Jenny. -- Brett deu um riso oco, parecendo outra pessoa.
-- Mas acho que voc j contou a todo mundo mesmo.
Jenny correu para ela.
-- Eu no contei a ningum! -- sussurrou ela. -- Nunca faria isso com voc. --
Tinsley podia odi-la, se quisesse, e at Callie podia querer mat-la, mas a simples
idia de que Brett estivesse puta com ela fez Jenny querer cavar um buraco e se
enterrar nele. Mas Brett
no podia estar puta com ela por isso. Ela no fez nada.
-- No? -- perguntou Brett, a voz hesitando. Ela passou a mo no rosto, parecendo
totalmente infeliz.
Callie. Callie e suas insinuaes idiotas de bbada. Jenny mordeu o lbio.
-- Mas acho que a Callie sabe... E eu meio que a ouvi, bom, insinuando coisas. Para
outras pessoas.
Brett cobriu a cara com as duas mos.
-- Acho que vou enlouquecer--admitiu ela com desespero. Seus olhos verdes de gata
voltaram-se para Jenny, parecendo inseguros e tristes. -- Desculpe, Jenny.
Eu no quis acusar voc. Eu s... No sei bem o que estou fazendo agora. -- Ela
tentou rir, mas saiu mais como um soluo.--Eu praticamente estrangulei o
Heath mais cedo quando pensei que fosse ele.
-- Est tudo bem -- Jenny a tranquilizou. Kara fechou a porta e se jogou na cama.
Jenny se empoleirou na ponta, sem saber se Brett queria um abrao ou no.
-- Mas pera, como  que Heath sabia de vocs?
Brett deu um risinho fraco.
-- Ele meio que comeou isso tudo. -- Ela sorriu para Kara, que estava sentada de
pernas cruzadas com o travesseiro no colo. Parecia que as duas estavam
conversando
sem dizer nada naquele quarto. -- Mas no foi ele que vazou... A gente tinha um
acordo.
Jenny ainda estava meio confusa, mas assentiu assim mesmo.
-- Mas... como a Callie soube de alguma coisa?
Kara deu um pigarro e as duas meninas se viraram para ela.
-- Quanto a isso...--Ela olhou timidamente para Brett, apertando o travesseiro no
peito.--Me desculpe de verdade... A gente estava num momento meio de vnculo
depois da reunio passada. -- Kara se encolheu e seus olhos grandes comearam a
se encher de lgrimas.--Eu no queria contar a ela, s meio que escapou.  tudo
culpa minha.
Brett deslizou da cadeira e se sentou na cama ao lado dela.
-- Est tudo bem.--Ela sorriu e Jenny sabia que ela tentava parecer mais durona do
que se sentia.--Pelo menos no incendiamos o celeiro.
OwlNet Caixa de entrada de E-mail
De: ReitorMarymount@waverly.edu
Para: Undisclosed recipients
Datas: Sexta-feira, 11 de outubro, 23:25h
Assunto: Incndio
Alunos da Waverly
Como muitos sabem, houve um incndio esta noite na festa do Cinephiles na fazenda
Miller que resultou na destruio de um celeiro de setenta anos. No s este foi um
ato totalmente irresponsvel, mas tambm incrivelmente perigoso e infantil. Quem
quer que tenha sido o responsvel por comear o incndio ser prontamente expulso
da Waverly Academy.
Um comit disciplinar ser marcado para a semana que vem para todos os presentes
na festa do Cinephiles. Seus nomes esto no registro da administrao.
Este  um abuso deplorvel da confiana da escola. Quem quer que tenha
informaes sobre a parte culpada  moral e eticamente solicitado a relatar esta
informao de imediato -- sob risco de expulso.
Reitor Marymount
38
UM WAVERLY OWL LEAL SEMPRE FICA DO LADO DA NAMORADA -- EM
QUALQUER SITUAO.
Na manh de sbado, Callie foi arrancada de um sono profundo pelo toque de seu
celular. Ela esfregou os olhos e semicerrou-os para o visor. Tinha uma nova
mensagem de texto: Saia da cama, preguiosa. Me encontre em frente a seu
alojamento em 20 minutos, OK? Bjs. Callie sorriu contra a vontade. Era como se Easy
no suportasse sair de vista por muito tempo. Que bom. Era assim que deveria ser.
Quando ela tirou a roupa ontem  noite, encontrou um pedao de feno preso no suter
e o colocou na gaveta da mesa para que, se um dia a abrisse, ela se lembrasse
daquela noite. Callie meio que queria ter um lbum de recortes, mas depois percebeu
que podia ser meio estranho colocar uma coisa assim ali. Ela podia imaginar a me
folheando e querendo saber por que ela guardava um pedao de feno para a
posteridade.
Callie olhou a cama da colega de quarto, percebendo que estava vazia. Seus lenis e
cobertores estavam retorcidos num monturo aos ps da cama. Provavelmente uma
maneira de dizer um foda-se para Callie depois da briga da noite passada. Bom, valeu
a tentativa. At parece que ela dava a mnima se Jenny deixasse o quarto uma
baguna -- Callie deixava o quarto uma baguna. Ela foi para o banho, decidida a no
pensar mais na coleguinha de quarto hipcrita que precisava aprender a superar seus
problemas:
Depois de vestir jeans Stella McCartney justos e o mais novo par de botas -- Michael
Kors de camura ultraconfor-tveis e pretos com forro de pele que a fazia pensar em
todos os dias de inverno que viriam e ela passaria aconchegada em Easy, com ou
sem as botas--ela correu para fora, ansiosa para entrar no salo de jantar com Easy
no brao e todo mundo saber que finalmente ele era dela de novo.
Engole essa, Srta. Humphrey.
Easy esperava por ela na escada da frente. Ela parou antes de abrir a porta e
encontrar-se com ele. Pela vidraa, ela podia ver seu perfil contra o cu claro, todas as
folhas de outono em pleno colorido.
Ela nunca havia percebido realmente o estardalhao sobre as folhas. Mas agora as
lindas cores pareciam formar uma moldura perfeita para a cabea de Easy.
Ela abriu a porta lentamente e ele se virou.
-- Oi--disse ela, meio sem jeito, saindo do prdio. Apesar do cu azul e ensolarado,
estava congelando e ela ficou feliz por ter decidido colocar o casaco Ralph Lauren
creme. Podia sentir seu cabelo molhado comear a ficar duro no frio.
Easy ainda parecia meio sonolento, mas incrivelmente lindo com o colete xadrez
marinho e jeans.
-- Quer dar uma caminhada? Eu trouxe o caf da manh. -- Ela percebeu dois copos
de caf pousados na escada. Ele sacudiu o saco que tinha na mo. -- Bagels.
Callie tentou esconder sua decepo. Ela na verdade queria entrar no salo de jantar
juntos e que todos os vissem, para determinar como as coisas seriam daqui em diante.
Mas... Era um amor da parte dele surpreend-la. Ela sorriu.
-- De que tipo?
-- Um de canela e passas extratostado, com cream cheese sem gordura. -- Seus
olhos cintilaram no sol. -- Mas esse  meu.
Callie bateu a mo no peito e ele riu, estendendo por um minuto a mo calosa. Ao
tocar a pele dele, ela sentiu seu calor reaparecer.
-- Aonde vamos? -- perguntou ela, meio rouca.
Ele pegou um dos copos de caf e entregou a ela, ainda fumegando. Ela o envolveu
com as mos, agradecida, mas estava muito consciente da brancura do casaco.
Parecia estar implorando para ser respingado com alguma coisa.
-- Talvez at o penhasco?
Ela escondeu a careta. Ningum os veria l. Mas... tanto faz. Talvez ele quisesse
assim.
Eles partiram pelo gramado, os ps esmagando com rudo as folhas frias e coloridas.
-- Todo mundo est falando do incndio -- disse Easy enquanto eles andavam.
Callie olhou para ele.
-- Pois . No temos festas fora do campus e celeiros incendiados todo dia.
Ele tomou um gole do caf, fazendo um barulhinho ao engolir o lquido quente. Depois
deu um pigarro e olhou para ela, os olhos azuis profundos parecendo perturbados.
-- Bom, acho que muita gente pensa que fomos ns que comeamos.
-- Como ?! -- Callie parou.  claro que Jenny estava espalhando boatos de que o
incndio era culpa deles. --  a Jenny. Eu sei que . Ela est tentando nos expulsar
daqui.
-- O qu? -- Foi a vez de Easy se surpreender. -- Jenny? De jeito nenhum.
Callie enrijeceu o corpo. Mas ele estava defendendo aquela putinha incendiria? Ela
sentiu as palmas das mos transpirando. De novo no.
-- Ela nos viu, sabe como . A gente teve uma briga feia ontem  noite e ela me
xingou de tudo que  nome. -- No era bem a verdade, mas Easy no precisava
saber a verdade exata.
Ele s precisava ficar do lado da namorada, sem questionar.
Easy distraidamente penteou o cabelo com a mo.
-- Bom, ela deve estar supertriste e tudo.
Resposta errada. Callie afastou-se um passo de Easy e tomou um gole do caf.
Quase de imediato, sentiu algumas gotas escapulirem da tampa de plstico e salpicar
o casaco. Porra.
-- Se acha que ela  to boa, talvez deva ficar com ela agora.
-- No fique assim. -- Easy deu dois passos para frente e rapidamente ps os braos
em volta dela, a reao mais rpida que ele ja teve a um dos ataques de gnio de
Callie. Callie ficou impressionada. Ele aninhou os lbios em sua orelha e Callie fechou
os olhos, esquecendo-se do caf que provavelmente ia manchar seu casaco novinho.
O sussurro rouco de Easy fazia deliciosas ccegas em seu ouvido. -- Sabe que ontem
 noite foi a melhor noite da minha vida.
Ela suspirou e comprimiu os lbios no pescoo de Easy. Assim estava bem melhor.
Mas ele se afastou um pouco. Sua testa estava franzida de preocupao. Seus dedos
secos acompanharam as mas do rosto de Callie.
-- Que foi? -- perguntou Callie.
-- S estou preocupado... -- Ele se afastou dela e pegou uma vareta que estava no
gramado, atirando-a longe. -- Se eu conheo Marymount... e depois de todos os
problemas que tive, acho que sei que... algum vai levar a culpa por isso.
Callie pegou a mo dele e apertou. Ela e Easy finalmente estavam juntos. Eles
estavam apaixonados, bem a tempo de tomar chocolate quente depois de jantarem
juntos  noite e se beijarem no meio do ptio na primeira vez que nevasse. No ia
acontecer nada com eles. No podia acontecer. E se isso significasse ter de acontecer
com outra pessoa, bom, que fosse.
OwlNet Caixa de Mensagem Instantnea
BennyCunningham: Aimeudeus, j soube? Encontraram o Zippo de Julian no rescaldo
do incndio!
TinsleyCarmichael: No brinca.
BennyCunningham: Acho que ele  o principal suspeito. Espero que no seja expulso.
Ele  to gracinha, apesar de ser s um calouro.
TinsleyCarmichael: Na verdade eu VI Julian atrs do celeiro... com Jenny. Acho que
estavam se agarrando. Acha que eles comearam o fogo?
BennyCunningham: Provavelmente. Tem alguma coisa suspeita num cara que  alto e
uma garota que  praticamente uma an.
TinsleyCarmichael: Total...
Owl Net Caixa de Mensagem Instantnea
CallieVernon: E a. Como  que vc t?
TinsleyCarmichael: Humm, legal.
CallieVernon: Desculpe por no termos conversado essa semana.
TinsleyCarmichael: No faz mal.
CallieVernon: Vc est com problemas por causa do celeiro? Porque acho que sei
quem foi.
TinsleyCarmichael: Pode contar, maninha.
CallieVernon: Jenny. Ela me viu com EZ, hum, juntos. Juntos, juntos.
TinsleyCarmichael: Parece um motivo para mim.
CallieVernon: Exatamente.
TinsleyCarmichael: Concordo totaaaaaal. E Cal?
CallieVernon: Sim?
TinsleyCarmichael:  bom ter voc de volta ao lado negro.
CallieVernon:  bom voltar. Tchau, garota.
